SILÊNCIO!

O cinema japonês também possui sua vertente de comédias românticas, de fácil apelo para o público, tratando o tema amoroso de forma superficial e inconseqüente. Silêncio! parece ser um típico exemplo dessa vertente, que pudemos conhecer graças à equivocadíssima participação do filme no Festival de Cannes na sessão competitiva.

Talvez Silêncio! tenha surpreendido os críticos do festival francês por apresentar um pano de fundo social, mas isso também pode ser visto nas boas comédias românticas americanas, como num O Casamento do Meu Melhor Amigo. Ou talvez pela abordagem sem cacoetes de um relacionamento homossexual. Mas na verdade Silêncio! é um filme plano, sem nenhum risco ou inventividade, seja no roteiro, seja na direção dos atores (bastante irregular), ou mesmo no enquadramento, na fotografia e na decupagem. È puro cinemão, um filme-família. Mas ainda assim é cinemão mal feito, monótono, que se estende em demasia em seus 135 minutos.

O filme é por demais explicativo, lento em sua apresentação do conflito inicial, e só vai tomar algum fôlego lá pelos 50 minutos de projeção. É só quando se estabelecem as premissas para o conflito básico, quando num almoço, o casal de homossexuais oferece um guarda-chuva à mulher no restaurante. Ela quer ter um filho com ele, e isso abala a estrutura do casal homossexual. Começam a ser discutidos temas como a impossibilidade da idéia tradicional de família nos relacionamentos homossexuais, a dificuldade em aceitar plenamente sua condição de homossexual, as crises na família. A família, que se opõe à união por razões distintas (a mãe fica ofendida, a cunhada não quer mais um herdeiro para dividir a futura herança) só aparece com hora e meia de filme.

Ao contrário de O Banquete de Casamento, em que uma mulher também interfere na rotina de um casal homossexual, que cria, através de um humor engenhoso, uma tensão entre gerações, sexos, culturas diferentes, Silêncio! é o inverso da moeda: ddidático, por vezes verborrágico, cansativo e pouco original. No final, o filme ainda revela seu projeto paquiderme: a mulher acaba ficando com o casal, e todos ficam felizes para sempre, aceitando suas diferenças.

Marcelo Ikeda

04/10/2001.

 

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