A LINHA DA VIDA |
No filme de estr�ia do taiwan�s Hsiao Ya-Chuan, que fora assistente de Hou Hsiao-Hsien em Flores de Shangai, o diretor, como bom iniciante, preferiu n�o assumir riscos. A produ��o executiva � do pr�prio Hou, que claramente deu uma for�a para o projeto de seu assistente. A Linha da Vida se passa quase que exclusivamente em duas loca��es: uma loja de penhores, num �nico c�modo; e a esta��o de metr�. As facilidades de produ��o e a curta dura��o do filme (apenas 72 minutos), no entanto, tornam-se um problema para Ya-Chuan � medida que o filme avan�a. Porque para compensar tais aus�ncias, � preciso um projeto coeso, firme dire��o de atores, criatividade, exatamente o que falta no filme. A proposta inicial de A Linha da Vida, como o mote de seu t�tulo j� denota, � se lan�ar em um jogo sobre o destino, mas tamb�m sobre o acaso que liga em uma mesma situa��o pessoas completamente diferentes. Na loja de penhores, Tung-Ching substitui seu pai, v�tima de um ataque card�aco. Penhorando objetos, ele entra em contato com as mais variadas pessoas. No entanto, o filme � centrado no pr�prio Tung-Ching e em sua namorada, Eiko, que passa todo o tempo na loja de penhores. Ela se interessa por "leitura de m�os", e da� vem o t�tulo do filme. Essa primeira parte � recheada dos cacoetes do dito cinema independente moderninho: personagens sem rumo, tipos bizarros, di�logos �geis, o vazio e a frivolidade da vida dos jovens, evitando o moralismo, etc. Mas revela-se t�o superficial e cheio de lugares-comuns que resvala no estere�tipo da com�dia americana para jovens. O cinema de sutilezas, de atmosferas e climas de Hou est� completamente ausente, o que por um lado � positivo, porque mostra um disc�pulo n�o se submetendo a ser um reciclador de seu mestre; por outro, � negativo, dado que Ya-Chuan n�o mostrou nada melhor que isso. O filme sofre uma transforma��o quando Tung-Ching se envolve com uma cliente misteriosa, e juntos passam a vender antigos objetos na esta��o do metr�. Tung-Ching rapidamente se desinteressa de sua pacata namorada e � atra�do pela for�a misteriosa de sua cliente. O filme se concentra nas estrat�gias de venda e de evitar a pol�cia, que pro�be a venda no metr�. A rela��o entre os dois n�o se resolve, permanece impl�cita at� o final do filme. O final � ainda mais problem�tico: o filme muda de ponto de vista, para mostrar como a tal cliente sabia da interna��o do dono da loja. Mas de que isso nos serve? Talvez para mostrar que essa coisa de advinha��o do destino seja uma farsa. Boa li��o de moral para as leitoras de Contigo. Ao inv�s de trabalhar com os personagens, Ya-Chuan preferiu compor o filme em cima de situa��es, geralmente r�pidas e bem-humoradas. Com isso, parece mais um quadro de esquetes de um programa televisivo semanal, como um Zorra Total. � uma boa id�ia: a cada semana, o dono da loja encontraria mais um cliente bizarro e da situa��o se tentaria tirar algumas risadas. O pior � que nem isso A Linha da Vida consegue. Marcelo Ikeda 02/10/2001. |