C H L O E |
Os exemplares do cinema japon�s que chegaram at� n�s atrav�s do Festival revelam que o cinema japon�s tamb�m est� cheio de dramas rom�nticos. O romance esteve presente na nostalgia escolar de M� Companhia, no cinema "somos diferentes mas somos limpinhos" de Sil�ncio! e especialmente na verborragia elegante de um A Dial�tica no Amor. Chloe, no entanto, parece ser o exemplar mais t�pico dessa vertente exibido aqui, ancorado pela participa��o no Festival de Berlim em 2001. Ainda que a decupagem por vezes seja elegante, num bonito widescreen mas que muitas vezes parece desnecess�rio, que reine o sil�ncio e que se baseie numa desilus�o amorosa, Chloe torna-se lento, perde o ritmo, acaba caindo nas armadilhas do dramalh�o mal resolvido e burocr�tico. Kofaro � um solteir�o desengon�ado, que finalmente encontra numa exposi��o de artes uma namorada, Chloe (Kuroe, como se fala em japon�s). Ela � um doce de pessoa, sempre atenciosa e carinhosa. Ou seja, algo muito tr�gico est� prestes a acontecer para separar o casal. Ela tem uma doen�a esquisit�ssima: em seu pulm�o � achada uma flor. Os m�dicos a tiram, � de fato uma flor. Mas da� nasce outra, no outro pulm�o. Kofaro fica desesperado, passa a viver sua vida em fun��o dela. Descobre que em presen�a de outras flores, a flor no pulm�o de Chloe n�o desabrocha, e enche o quarto com flores. Mas at� quando? Se de um lado, Kofaro luta contra a inevitabilidade da morte, ele cruza com outros amigos que possuem outros problemas, at� que h� um forte conflito num bar, em que quase h� uma morte. Chloe algumas vezes se torna um melanc�lico passeio por um Jap�o pouco explorado, de pessoas de classe m�dia baixa que lutam contra seus limites. Mas na maior parte do tempo se torna sonolento, burocr�tico, com di�logos e trilha sonora �bvios, revelando seu projeto de ser um romance sem maiores pretens�es. Marcelo Ikeda 09/10/2001. |