VOLAVÉRUNT |
Bigas Luna é conhecido por filmes ousados em relação à sexualidade. Nesse Volavérunt (La Maja Desnuda), a ambientação é de um filme de época, em que um dos principais personagens é ninguém menos que Goya, e de fato a sexualidade ocupa um papel fundamental. Todas as relações entre os personagens se baseiam na busca pelo prazer sexual. Em meio a essa trama, existe o jogo de poder que circula entre os corredores do palácio real. O primeiro-ministro é um grande sedutor de mulheres, e conquista a rainha, a duquesa de Alba e uma plebéia, Pepita. As três formam um certo tipo de perfil da sociedade da época. Goya está apaixonado pela duquesa, que, assim como a rainha, está apaixonada pelo primeiro-ministro, que, por sua vez, se deixa seduzir por Pepita. O poder da sedução e da política tornam o filme uma apresentação de temas decorrentes da obra de Lunas, mas são desenvolvidos de forma pouco inspirada. De algum interesse é seu tratamento do tempo e do ponto de vista, que foge à linearidade, mas acaba sendo repetitivo. Quando afinal descobrimos que a mulher escondida é Pepita, as ações são repetidas para mostrá-la presente à ação. Um recurso que algumas vezes é desnecessário, se pensarmos que Kubrick em O Grande Golpe já havia feito de forma muito mais crítica e instigante. Todos os recursos do filme de época são utilizados por Lunas para compor um filme burocrático e em certa medida preguiçoso, sem a presença do instintivo como em um Jamon, Jamón, por exemplo. A metáfora mais sugestiva do filme ocorre logo no começo. Da vagina do quadro em que a duquesa está pintada, há uma sugestiva fusão para um cálice que acaba sendo enchido de vinho. Marcelo Ikeda 05/10/2000. |