TIME CODE |
Time Code � um dos filmes mais inventivos e inovadores dos �ltimos tempos. A tela se divide em quatro quadrantes. Quatro c�meras registram uma mesma a��o que se desenrola num plano-sequ�ncia de mais de 90 minutos. O mais curioso � que os quatro quadrantes de certa forma registram a mesma hist�ria. Os personagens se entrecruzam de tal forma que um personagem que inicia no primeiro quadrante acaba se locomovendo para outro. Com isso, o filme cai em v�rias dificuldades t�cnicas. Em alguns momentos dois personagens se cruzam e dois quadrantes diferentes passam a enquadrar praticamente o mesmo espa�o f�sico. Assim, � incr�vel como uma c�mera nunca registra a outra. H� momentos em que o limite para que outra c�mera "vazasse" � �nfimo. Al�m disso, foi necess�ria uma sincroniza��o impressionante. Lembrando que o filme � um �nico plano-seque�ncia registrado por quatro c�meras diferentes para a mesma a��o, as dificuldades s�o enormes. No meio do filme, precisam existir rea��es dirigidas de personagens que est�o em meios f�sicos distantes. Por exemplo, um terremoto. Ou, mais complicado que isso, um personagem cruza o caminho de outro num momento cr�tico. O filme � extremamente p�s-moderno e antenado com a multiplicidade da realidade virtual. O espectador por vezes se confunde, incapacitado de acompanhar simultaneamente as quatro possibilidades que se multiplicam. � a obsess�o pelo tempo real, pelo zapping da tv a cabo, pela liberdade de escolha, pela impossibilidade da plenitude, pelas imbrica��es e combina��es esquiz�ides, pelo preciosismo t�cnico (que obviamente nada tem a ver com acabamento) e pela �nsia pelo pseudo-inovador. Claro, porque com muita raz�o pode-se argumentar que Time Code nada possui de inovador e acaba caindo no vazio. De certa forma sim, mas por outro � um retrato perfeito de seu tempo, utilizando as possibilidades da nova tecnologia digital, das transforma��es da imagem na internet para promover um filme din�mico, diferente e que impressiona. Alucinado entre a multiplicidade de imagens, Time Code, embora cheio de tempos mortos (ora, � em tempo real!) n�o cansa, mas � um filme de adrenalina. Sua trama � meio boba, mas enfim existe sim uma trama, uma estrutura dram�tica que liga as quatro hist�rias e que de fato vai se intensificando com o tempo. No entanto, o diretor n�o conseguiu solucionar alguns problemas. Se os quatro quadrantes fascinam porque d�o maior liberdade ao espectador para selecionar o que deve ser visto, o som n�o � trabalhado com essa liberdade. O diretor cotrola o som segundo seu interesse. Nos di�logos mais importantes, o som surge apenas de um dos quadrantes para justificar a hist�ria. Da mesma forma, o recurso do som n�o-dieg�tico me parece despropositado. Outro problema (inevit�vel) � que dentro de cada um desses quadrantes, o operador de c�mera ainda manipula o que quer que o espectador veja (o enquadramento continua caprtando apenas uma parte do real). Mas ainda assim vemos uma mesma cena captada de v�rias c�meras, o que implica uma mudan�a de ponto de vista. Um recurso p�s-moderno � utilizado de fato quando o filme fala sobre o pr�prio filme. Vemos uma diretora apresentar um projeto de um filme a ser realizado com quatro c�meras digitais em tempo real. Por que n�o dizer que Time Code � o filme que Zavattini quis fazer, s� que elevado a quarta pot�ncia ? Marcelo Ikeda 05/10/2000. |