SEXO, PUDOR E LÁGRIMAS

Antonio Serrano é conhecido no México por dirigir novelas para a televisão. A influência desse meio fica clara em seu longa-metragem de estréia, Sexo, Pudor e Lágrimas. De fato, o filme possui um leve toque de melodrama, mas no fundo é uma comédia romântica sobre os encontros e desencontros da vida, especialmente sexual, de pessoas de cerca dos trinta anos.

Extremamente convencional na forma, é um filme comercial que dialoga muito bem com o público, que se divertiu para valer na sessão de domingo à noite no Espaço Unibanco 1. É um filme escapista, que trata os relacionamentos humanos com toda a superficialidade das comédias do gênero, mas que oferece um certo painel da solidão, da necessidade de se ter alguém nos dias de hoje. O filme conta a história de dois casais amigos que vivem num equilíbrio parcial, que nos dois casos se rompe com a chegada de um visitante, formando um triângulo.

Um diálogo resume a visão de mundo e de cinema de Serrano. Numa hora, uma das mulheres diz que "o sexo é a chave do mundo". No instante do orgasmo, tem-se uma explosão de prazer imponderável, que seria a única coisa de verdadeiro que teria a vida. Como uma fotografia.

Essa visão desiludida é o retrato do mundo de hoje, em que qualquer conflito de idéias não faz mais sentido. Que essa visão incomoda, não há dúvida. Os personagens são movidos exclusivamente pelo sexo, e nada mais importa para o filme. Dada essa visão, o cineasta conduz seu filme sem sustos e sem nenhuma ousadia. O filme raramente surpreende, a não ser em um ou outro diálogo ou uma esparsa situação com alguma graça.

O cineasta mostra alguma habilidade na fórmula narrativa ao combinar drama com comédia em boas proporções. É uma boa aposta para dirigir filmes comerciais em Hollywood. Tem bom domínio técnico e suas cenas são razoavelmente bem decupadas. Apenas no final é que o tom de melodrama, com a morte do playboyzinho, destoa do roteiro coeso do filme.

Marcelo Ikeda

08/10/2000.

 

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