PEPPERMINT |
| O cinema grego esteve presente no festival com Pepermint. No entanto, esteve de forma lament�vel. � um filme que tenta imitar o mainstream americano no que h� de pior. � um filme ultrapassado, que utiliza quase todos os clich�s poss�veis para tratar com uma nostalgia politicamente correta o mundo da crian�a visto atrav�s de um flashback. A maior influ�ncia contudo parece ser a do cinema italiano da cr�nica de costumes, especialmente um Amarcord. Em Peppermint, h� a professora peituda que seduz o aluno, n�o tem pav�o mas tem um corvo, tem as constantes brigas familiares, o garoto travesso que se esconde atr�s da av� surda, os almo�os que resultam em confus�es (como em Quando Papai saiu em viagem de neg�cios). A nostalgia saudosista do mundo infantil � vista de forma pouqu�ssimo inspirada pelo cineasta, que guia o filme de forma apenas burocr�tica, querendo comover o espectador nas horas certas, com uma trilha sonora melosa. Em termos de produ��o, no entanto, o filme se destaca com um visual caprichad�ssimo, bom trabalho de arte e o uso constante de grandes gruas. Mas apenas para registrar sentimentos falsos ou v�os. Nos �ltimos vinte minutos, no entanto, quando se retrata a fase adolescente, o filme passa a ter um ou dois momentos com alguma sensibilidade. O plano-sequ�ncia em que o garoto abre porta por porta at� encontrar sua prima, e o paralelismo da situa��o no futuro merece destaque. Assim como o plano geral em que da janela aberta v�-se o casal se encontrando ao longe (talvez um Kiarostami?). Mas s�o momentos esparsos apenas razo�veis que s�o claramente insuficientes para salvar um filme que nada acrescenta � s�rie de filmes que tratam o mundo da crian�a de forma nost�lgica, colorida, sem nenhum tipo de percal�os e com todas as hipocrisias que essa vis�o cor-de-rosa representa. Marcelo Ikeda 02/10/2000. |