MINAZUKI

O que mais incomoda em Minazuki � sua vontade expl�cita em realizar um tipo de cinema que seja aceito internacionalmente. Assim, o filme � uma combina��o de A Enguia com o cinema de Kitano. No entanto, a combina��o � esquiz�ide, porque o diretor se utiliza do que h� de pior nos dois estilos. De A Enguia, h� o rapaz tra�do pela esposa que tenta recome�ar e vai para um local distante. A ingenuidade do personagem principal e sua proximidade com o mundo violento da m�fia, embora j� tenha sido utilizado em A Enguia, � a caracter�stica do cinema de Kitano. Minazuki tem cenas bastante violentas, quase expl�ctias, quando o irm�o do pateta abandonado � um violento mafioso, embora no final apare�a como indefeso.

Dessa forma, Minazuki tenta se utilizar de alguns recursos do cinema americano, mas nunca de forma criativa, e sempre como um clich� h� muito tempo repetido � exaust�o: a c�mera na m�o, a viol�ncia gratuita, pessoas esquisitas, falta de rumo. Mas no fundo o filme, especialmente no final, esbarra num romantismo frouxo e tolo: no fundo todos somos pessoas carentes que, por culpa do destino, acabamos cruzando com as pessoas erradas. A cena da delegacia que tenta fechar o sentido do filme � quase pat�tica ao fazer refer�ncia a met�foras e a paralelismos completamente desgastados: a mordida, a tatuagem, o menino arrependido que se entrega.

Como no pior cinema americano, as met�foras devem ser explicadas ipsis literis para o espectador, para que n�o exista nenhuma d�vida. Todos s�o luas, menos a prostituta, que � sol, porque reflete um brilho natural. E como no pseudo cinema independente americano, h� muitas cenas de sexo, quase sempre gratuitas ou na imagem-clich�. O sexo � elevado � categoria de valor absoluto: o pateta � rid�culo, mas no fundo � uma grande pessoa. O roteiro o caracteriza dessa forma, mostrando que ele � bom de cama.

� imposs�vel construir um cinema centrado em personagens se eles s�o tratados como caricaturas. Minazuki tem falhas de corer�ncia num roteiro que muitas vezes t�m descontinuidades dram�ticas que descaracterizam os personagens. O resultado � que sempre falta uma motiva��o para as a��es, e as pin�as nunca se encaixam perfeitamente.

Como bom exemplar desse cinema pseudo-independente, h� duas cenas que fogem do convencional. Na primeira, o marido tra�do v� sua esposa na banheira com um amante, como se o flashback fosse no tempo presente; na segunda, o pateta tenta rebater uma bola de beisebol e h� um belo corte para uma cena na cama. Mas no fundo s�o recursos que querem mais chamar aten��o para si.

� lament�vel ver um exemplar como Minazuki no cinema oriental contempor�neo. A �nsia em seguir um modelo de cinema americano a qualquer custo, tentando imitar o que esse cinema possui de pior nos mostra que o cinema oriental na verdade n�o � t�o original quanto a princ�pio pensamos.

Marcelo Ikeda

05/10/2000.

 

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