CHUNHYANG

Im Kwon Taek � o diretor mais respeitado da Cor�ia de hoje, um veterano com mais de noventa filmes no curr�culo. No entanto, seus filmes s�o praticamente desconhecidos no Ocidente. Esta � a primeira vez que um filme seu � exibido no Rio, e isso por causa da exibi��o do filme no Festival de Cannes, no ano passado.

Chunhyang � um grandioso filme de �poca, mas que evita a vis�o burocr�tica e desgastada do processo hist�rico como em um Leste/Oeste, por exemplo. Ao contr�rio, o filme � contado em tom de f�bula numa mundo que, apesar das inevit�veis semelhan�as com o nosso pr�prio mundo parece governado por regras pr�prias. � da magia dessa vis�o de mundo que Taek constr�i com um rigor bastante particular um universo que resgata o passado para trazer li��es para o presente.

Contando com um formid�vel trabalho de figurinos, movimentos de c�mera e tratando com muita delicadeza a intera��o entre os personagens, o filme nessa evoca��o do passado parece algumas vezes resgatar um certo tipo de cinema que nos lembra mesmo que vagamente de um Mizoguchi. No entanto, n�o � uma trag�dia nem mesmo um melodrama, mas um filme que funciona como uma f�bula.

O recurso narrativo mais admir�vel de Chunhyang � sem d�vida o trabalho de narra��o. J� no in�cio vemos que o filme na verdade � uma hist�ria declamada por um artista em um palco. Apenas com sua voz, sem qualquer recurso visual ou de interpreta��o, o artista passa sua emo��o para um p�blico que o acompanha ora se emocionando ora batendo palmas com o ritmo da narra��o. Brilhantemente filmadas, as cenas com o narrador mostram o p�blico e inserem na ess�ncia do filme todo um trabalho da forma de se contar uma narrativa. � no ato de se concretizar na forma de imagens pensamentos, hist�rias e can��es que Chunhyang relaciona sutilmente o tang�vel e o intang�vel como o trabalho pr�prio do artista.

Marcelo Ikeda

16/10/2000.

 

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