BANHOS |
| Banhos
� um exemplar esquiz�ide desse novo cinema oriental. Por um lado, � tipicamente
americano; por outro, � um cinema que ainda trabalha alguns dos conceitos do tradicional
cinema oriental.
Esse paradoxo j� aparece claramente na primeira sequ�ncia do filme. Ao som de um horroroso techno americano, um homem toma banho numa m�quina esquiz�ide. A mecaniza��o � completa, nos moldes de um Tempos Modernos: o homem coloca uma ficha na m�quina, cai a �gua, joga-se o sabonete, surgem escovas para limpar seu corpo. Tudo de forma autom�tica. Mas h� um corte, e em seguida vemos pessoas idosas numa casa de banhos tradicional�ssima, com pessoas satisfeitas e felizes por passar seu tempo sem pressa. De fato, o filme se baseia em um conflito, entre o filho que chega da cidade grande e o pai que vive no interior cuidando da casa de banhos. A princ�pio, o filho recha�a aquele lugar "atrasado", mas aos poucos vai entendendo a import�ncia da tradi��o e o humanismo do lugar. Por outro lado, Banhos tem uma certa cara de cinema oriental porque se baseia num conflito que mexe com o cinema oriental desde o tempo de Ozu e Mizoguchi, leia-se o conflito entre a tradi��o e a modernidade. De forma politicamente correta, o diretor opta pela trdi��o, mostrando como o filho se transforma com seu contato com o pai e o irm�o deficiente, com a alegria sincera e inocente do lugar. Mas no final ele mostra que n�o quer remar contra o irrevers�vel: a casa de banhos � demolida, e o pai, que simboliza a tradi��o, morre. Qual ser� o futuro daquela tradi��o? O filme deixa em aberto. Mas na est�tica, � curioso vermos que Banhos utiliza todos os recursos da narrrativa cl�ssica mainstream americana, a ponto de irritar o espectador mais exigente em muitas oportunidades. Todos os paralelismos s�o utilizados (a corrida do pai com o filho doente; as placas que abrem o local; a massagem nas costas ...), e especialmente incomoda como o diretor constr�i a narrativa de modo a querer comover o espectador nos momentos certos. ( A esposa do filho mais velho no telefone � intransigente; os grilos morreram; o velho morre; o filho doente n�o quer sair da casa, ...). Em termos de narrativa, o filme � extremamente conservador, e totalmente americano. Por fim, quero destacar um momento bobo, mas que ao meu ver possuiu uma magia incr�vel. Vemos um garoto que canta uma �ria, mas que n�o consegue soltar uma palavra em p�blico. Na apresenta��o decisiva, ele fica engasgado. Num instante de puro realismo m�gico, o garoto doente (seu melhor amigo) joga uma mangueira em sua cabe�a e ele finalmente consegue cantar. � uma piada ing�nua, porque na casa de banhos, ele s� conseguia cantar dessa forma, mas ao mesmo tempo � de uma do�ura incr�vel, porque fala de forma simples sobre o que � sentir-se � vontade e sobre a supera��o de limites. Marcelo Ikeda 05/10/2000. |