GAROTAS DE FUTURO

 

Em Garotas de Futuro, Mike Leigh comp�e outro drama intimista centrado em relacionamentos humanos, assim como o brilhante Segredos e Mentiras. Embora n�o apresente um roteiro t�o revelador quanto o anterior, Garotas de Futuro convence pela sinceridade e sensibilidade do diretor brit�nico ao falar da natureza dos problemas humanos.

Na tem�tica, o filme � t�pico da Gera��o X: duas grandes amigas se reencontram, ap�s oito anos de separa��o, e relembram o tempo de estudantes em que moravam juntas. As duas relembram antigos casos atrav�s de flashbacks que se misturam em suas mem�rias. Embora de temperamentos opostos, as duas garotas se aproximam por ter problemas parecidos: a solid�o, o t�dio, a dificuldade em encontrar um parceiro. Hannah n�o chora, � por vezes agressiva; Annie � t�mida, desajeitada, acha-se pouco atraente por ter uma grande mancha no rosto. Ambas relembram cenas engra�adas, tristes, desagrad�veis. As lembran�as concentram-se na frustra��o de tr�s relacionamentos amorosos. Ricky, o gago e problem�tico estudante de psicologia; Adrian, com o qual quase formaram um tri�ngulo amoroso; e um operador da bolsa grosseiro.

Como Chaplin diz em A Woman of Paris, o tempo e a formalidade fazem que grandes amigos se tornem estranhos. Detalhes importantes se perdem na mem�ria; a intimidade se desfaz. Mas o filme n�o � dominado pela formalidade, e sim pela ternura. O filme � cheio de pessoas comuns, que apresentam problemas, e tentam lidar com suas limita��es de uma forma honesta. O desequil�brio de Ricky � o sinal da dificuldade de aproxima��o. De fato, no filme n�o h� casos bem-sucedidos, todos s�o passageiros.

Nem com remorso nem com vergonha, as garotas n�o se evitam, e buscam as lembran�as passadas como parte de suas pr�prias vidas. Elas olham, portanto, para si mesmas com dignidade. Leigh acompanha seus passos da mesma forma, com uma est�tica simples, sem quaisquer maneirsmos desnecess�rios, num filme de c�mara. A grande virtude do filme s�o os personagens, e a dire��o de atores. Na maior parte do filme, quando Leigh n�o quer ser did�tico ou melodram�tico, ele acerta. Quando as coincid�ncias parecem improv�veis, especialmente quando encontram Ricky em frente � porta de seu antigo apartamento, Leigh parece querer nos comover em demasia. Mas o saldo final � um filme sens�vel, sem maneirismos, que fala sobre as dificuldades de uma gera��o de forma tenra e sincera.

Marcelo Ikeda.

NOTA: 7

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