
| Tarefa dolorosa esta minha de substituir o amigo Marcelo Ikeda em seu
impedimento de prosseguir com sua atividade cr�tica. � curioso que
justamente um site que sempre perseguiu a cr�tica como exerc�cio da
liberdade individual seja envolvido por quest�es pol�ticas dessa
natureza... Mas enfim, faz parte da vida, e como diria o Mestre Paulinho da
Viola "e viver n�o � brincadeira n�o...". Ikeda, tenho
a ingrata miss�o n�o de te substituir, mas de prosseguir sua
peregrina��o solit�ria.
E como iniciar? Como prosseguir? Bom, creio que seria um bom in�cio come�ar com uma pequena declara��o de princ�pios. Relembro, pois, os dois �ltimos textos que o Ikeda escreveu para a capa do site, comentando quais seriam suas rec�nditas inten��es. Ei-los.
* * * Neste
ano de 2002, Claquete resolve realizar uma breve mudan�a, ainda que
apenas para refor�ar os mesmos caminhos de sempre. Cada vez mais
preocupando-se menos em ser abrangente, menos em ser "um site de cr�tica",
no sentido estrito da palavra, para se revelar mais como um simples exerc�cio
de di�logo e reflex�o sobre o cinema. A id�ia parece ser a de escrever
menos e divagar mais, de surpreender-se mais do que apontar. � tamb�m assumir-se como um exerc�cio individual,
quase como um "di�rio de viagem", no sentido de percorrer um
caminho interior que persigo atrav�s dos filmes. Mas at� que ponto esse
caminho interessaria ao leitor? � uma pergunta, fundamental at�. Creio
que sim, dado que o caminho envolva uma generosidade e uma necessidade de
di�logo, ainda que solit�rio. Claquete, assim, n�o se pretende a nada a n�o ser
isso, exercitar sua paix�o pelo cinema, e se busca o isolamento, se foge
das auto-promo��es, o faz exatamente como proposta de coer�ncia e nunca
como timidez. Ao contr�rio de outros ve�culos, n�o pretende ser
exaustivo, cobrir grandes temas, ter uma periodicidade, ter um expl�cito
feedback com o leitor. O feedback � impl�cito, na possibilidade de este
vir a se interessar em assistir a um filme ao ler um coment�rio favor�vel,
ou � quem sabe � ter um novo olhar sobre um filme que n�o tenha
apreciado tanto.�, acima de tudo, exercer a liberdade de preencher um
espa�o alternativo, disposto a discorrer sobre cinema fora dos ran�os
academicistas, das intrigas � la SET, ou das resenhas jornal�sticas.
Recebo com algum desapontamento a opini�o de pessoas que julgam este site
um exerc�cio egoc�ntrico, autista e anti-democr�tico por apresentar a
opini�o de apenas uma pessoa. Ora, este � apenas mais um espa�o livre
que se cria, inclusive sem nenhum retorno financeiro, para discutir sobre
cinema. Que se criem outros, e outros e mais outros, que ofere�am novas
vis�es e possibilidades. Meu �nico desejo � que este espa�o possa ent�o
servir como uma semente. Marcelo
Ikeda 28/12/2001. Crise Claquete ruma para 2003 num momento de crise. No
momento em que come�o, ainda que timidamente, a avan�ar rumo � realiza��o,
deparo-me ante a uma crise, uma lacuna que nem mesmo os filmes conseguem
preencher. Crise da antiga obsess�o em ver o maior conjunto poss�vel de
filmes; crise da obsess�o em escrever sobre o maior n�mero poss�vel de
filmes. Crise da relev�ncia deste of�cio solit�rio e ranzinza; crise da
necessidade em satisfazer-me com o produto escrito. E neste momento de crise, o que me resta a n�o
ser eu mesmo? Pois o que me mant�m escrevendo � a necessidade de
radicalizar minha proposta: � utilizar os filmes como meio para escrever
sobre mim mesmo, para externalizar os problemas de sempre. Com isso, �
afirmar a impossibilidade da cr�tica n�o ser algo essencialmente
pessoal, � ratificar o modelo do di�rio de viagem. Com isso, antes de
cair num obscurantismo autocentrado e egoc�ntrico, creio que, ao contr�rio,
refor�o a generosidade e a intimidade do texto. E creio que, ainda assim,
isto � poss�vel sem que se abra m�o de um texto que prima pelo rigor e
pela coer�ncia. Que assim o seja. Marcelo Ikeda 26/04/2003.
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| (Todo o resto foi destru�do) | |