ANNALUISE E ANTON |
| Um elogio, um bom filme, uma premia��o �s vezes pode fazer mal. Especialmente quando n�o se tem maturidade para se reconhecer que h� muito a ser melhorado. Parece este ser o caso da alem� Caroline Link. Em sua estr�ia no longa-metragem, ela recebeu elogios da cr�tica e uma indica��o ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por Al�m do Sil�ncio. A indica��o fez mal � diretora. Em Annaluise e Anton, ela tentou repetir a f�rmula de seu filme anterior, contando novamente uma hist�ria que gira em torno da inoc�ncia do universo infantil, visando o p�blico que a consagrou: a Academia. Mas desta vez, Link abusou da bajula��o tola e superficial. A situa��o chega a ser humilhante. Link parece estar passando um pires, implorando de joelhos uma vaguinha pela porta dos fundos de Hollywood, oferecendo sua alma em troca de um simples "contratinho". Annaluise e Anton � cheio de todos os clich�s e estere�tipos moralistas do cinem�o norte-americano. A perspectiva das crian�as � vista de um prisma parcial, hipocritamente artificial e estupidamente rom�ntico. A garota rica (Annaluise) tem dinheiro, mas seus pais n�o lhe d�o aten��o, preocupados com seus neg�cios. O garoto pobre (Anton) n�o tem dinheiro, ajuda a m�e doente trabalhando em uma sorveteria, mas sua m�e lhe d� todo o afeto do mundo. O latino no filme � visto com a vis�o tradicionalmente preconceituosa, sendo um bandido. Quando Anton furta um isqueiro de ouro para poder ajudar sua m�e, ela vai pessoalmente devolv�-lo � m�e de Annaluise, que a humilha. Mas de forma moralista e est�pida, a m�e de Annaluise percebe seu ego�smo, passa a dar aten��o � filha, desistindo de suas constantes viagens, e at� pede desculpas � m�e de Anton, na sorveteria. Quando Annaluise vai cantar num metr� sujo e cheio de mandigos como todos os metr�s dos filmes americanos, ela se parece com uma prostituta, mas ningu�m a incomoda, e o lugar que estava vazio momentaneamente se multiplica de gente, dando dinheiro para a sua apresenta��o. S� dois garotos pestinhas n�o gostam da perfeita Annaluise, e tiram dinheiro dos pais da menina para lhes dar a informa��o que a menina estava no metr�. Mas o moralismo hip�crita do filme faz com que a dupla brigue no final exatamente em cima de uma ponte e a nota lhes escape, voando para a �gua. Mas a parte mais rid�cula do filme � quando o ladr�o latino invade a casa de Annaluise. A velha empregada da casa d� uma de Macaulay Culkin, e tal qual em Esqueceram de Mim, derruba baldes na cabe�a do impostor e joga bolinhas de gude no ch�o para que ele tropece. Essa cena � o s�mbolo do filme de Link: covarde, rid�culo, humilhante... Marcelo Ikeda. NOTA: 2 |