I - CONSIDERAÇÕES INICIAIS |
No início do mês de junho, foi realizada a quinta versão do Festival de Cinema Universitário. 46 curta-metragens, em 16 ou 35 mm foram exibidos em competição. Sessões lotadas, curtas de boa qualidade, debate com os realizadores. O Festival Universitário é sem dúvidas extremamente interessante para tentar traçar um perfil da próxima geração de cineastas do cinema brasileiro. Suas preocupações, angústias e perspectivas. Claro que essas obras devem ser avaliadas dado o seu precário modo de produção. Muitos são simples exercícios realizados em disciplinas do curso. Ainda assim o mais importante é avaliar a criatividade e as escolhas pessoais de cada curta. É interessante também pensarmos o caminho traçado por cada escola de cinema. Embora a diversidade seja a grande marca dos curtas apresentados, a qualidade dos filmes de fato impressiona, bem superior a do ano anterior. O trabalho de organização do festival deve ser ressaltado. Feito pelos próprios alunos da UFF, liderado pela sempre presente dupla Eduardo Valente/Guilherme Tristão, foi um trabalho digno de todos os elogios. Um festival grande, com muitos títulos, que além dos curtas em competição, ainda mostrou diversos trabalhos em vídeo, curtas de escolas de cinema do exterior (belo trabalho de Eduardo Cerveira), filmes em longa metragem nacionais recentes, e uma mostra de filmes de Maurice Capovilla. Desde o trabalho gráfico, passando pelo belo cartaz e pela formidável vinheta de abertura, até o site do Festival, que surpreende pela quantidade de informações e pela qualidade do acabamento, a produção do Festival foi 100% profissional. Por outro lado, outros pontos devem ser ressaltados. Conforme o caráter de distribuição farta de prêmios que existe como uma síndrome em todo festival de cinema brasileiro, lamenta-se que a organização tenha optado por uma premiação tão inssossa. Não existe premiação do melhor curta, apenas prêmios sem nenhum significado, como "retrato da realidade nacional", "contribuição poética" e por aí vai. No total, foram oito prêmios, havendo, é claro, ampla repartição de prêmios entre as escolas, e com destaque para a UFF. No meu entender, a organização também poderia incentivar um pouco mais a mostra de vídeos. Os vídeos das escolas do Rio de Janeiro certamente teriam seu público presente, provavelmente os diretores e as equipes, e os horários escolhidos pela organização foram os piores. Incrivelmente, os vídeos da própria UFF ficaram nos piores horários. Essa é uma oportunidade rara em reunir os curtas realizados recentemente pela escola. Por que não haver um rápido debate sobre esses vídeos? Por que não haver uma premiação? O tratamento privilegiado a sessão em película reflete de certo modo um preconceito da organização. Filme em película é caro, e os vídeos são um espaço extremamente válido onde o aluno pode experimentar mais, e fazer trabalhos mais ousados. Há, também uma necessidade em se separar os vídeos de ficção e os documentários, problema que se fez sentir inclusive na sessão em película. Mas se o Festival apresentou curtas de qualidade, um ponto complementar é a análise crítica desses filmes. Decerto que houve debates com os realizadores e comentários entre as sessões, mas ainda assim acho importante haver um texto com um caráter um pouco mais formal examinando as semelhanças e as diferenças entre esses filmes. O objetivo deste texto é portanto contribuir no sentido de complementar uma parte fundamental na realização dos objetivos do Festival. Dado o meu restrito contato com as escolas e com o formato do curta-metragem, esse trabalho esbarra em inevitáveis limitações. Dos 46 curtas exibidos, vale destacar que não pude assistir a 5 deles: As Alegres Comadres de São José do Mato Dentro, Fim de Caso, O Teatro e a Música de Valdemar de Oliveira, Queridinha do Papai, e O Negócio. Ainda Macarrão com Cachaça, embora programado, não foi exibido. Além desses, só assisiti à metade da projeção de 25 de Dezembro. Por isso, preferi não inserir os comentários desse filme no corpo do texto. Ao que me parece, belo documentário inspirado nos curtas de Fernando Birri, abordando sem didatismos o drama da população que vive à beira da estrada, tem alguns cacoetes desnecessários como a eterna referência da presença do narrador no estilo de Ilha das Flores. Enfim, o panorama que faço em relação a cada escola deve ser visto dadas essas ausências. Feita essa introdução, vamos aos filmes. A escolha foi separá-los por escolas.
|
![]()