20 ENCONTROS |
| H� muito tempo o limite enrtre cinema mainstrteam e cinema independente se tornou extremamente dif�cil. Pulp Fiction e Fargo, os reis do cinema independente, foram indicados ao Oscar e se tornaram grandes sucessos de bilheteria. O cinem�o n�o conseguia atingir um tipo de p�blico que havia se cansado do cinem�o cl�ssico e procura por algo mais moderno, menos estilizado. Por isso, os pr�prios est�dios est�o procurando reestruturar as bases do cinem�o americano.Com�dias rom�nticas como O Casamento do Meu Melhor Amigo n�o possuem mais finais felizes; thrillerzinhos como Thomas Crown s�o tipicamente ir�nicos, e O suspeito da rua Arlington tem um final curiosamente pessimista. Mais ainda assim esses s�o filmes claramente do maistream. Uma s�rie de diretores em in�cio de suas carreiras querem chegar l�, mas o caminho lhes parece imposs�vel. A id�ia, ent�o, passa a ser investir num formato aparentemente ousado, mas que na verdade repete as mesmas f�rmulas do cinem�o, visando um p�blico que no fundo quer ver um cinem�o um pouco remodelado, mas ainda cinem�o t�pico. O resultado � um filme como 20 encontros. O filme tenta apresentar um formato aparentemente vers�til, uma mistura de document�rio com fic��o, de tom claramente caricatural, leve e despretensioso, com produ��o extremamente barata, centrado apenas em "grandes id�ias".O autor do filme � seu personagem principal, que quer arrumar um pretexto para fazer um filme, filmando 20 encontros seus, que acabam fracassados, pelo seu jeito fanfarr�o e atrapalhado. De fato, o estilo do autor, o autor-ator, e a �nfase nos relacionamentos homem-mulher lembram o estilo de Woody Allen. Falando diretamente com o espectador, mostrando a equipe de filmagens e as dificuldades na realiza��o de um filme barato, o autor se coloca em p� de igualdade com o espectador. Atrav�s do processo de identifica��o, vemos como lhe foi dif�cil acabar seu filme, e por isso acabamos sendo mais tolerantes com o resultado. Em alguns momentos, o filme consegue extrair um bem humorado e otimista retrato sobre a solid�o da clase m�dia americana em busca de afirma��o, mas em outros mal esconde a artificialidade de seu argumento quase oportunista. O resultado � um filme irregular, mas que se visto sem grandes pretens�es, pode provocar espont�neas gargalhadas. Marcelo Ikeda. NOTA: 6 |