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Pura
Adrenalina Battle
Rocket, EUA, 1996 De
Wes Anderson Lan�ado diretamente em v�deo, baseado num curta-metragem em preto-e-branco realizado alguns anos antes pelo pr�prio diretor, o primeiro longa-metragem de Wes Anderson (mais conhecido por Os Exc�ntricos Tenembaums) j� aponta para um diretor promissor na forma como a dire��o e o roteiro trabalham de forma inventiva o lado humano de seus personagens e os limites amb�guos do cinema de g�nero. Pura Adrenalina, infeliz tradu��o para Battle Rocket, conta a hist�ria de tr�s jovens que se re�nem para praticar assaltos. Essa simples sinopse poderia passar a impress�o de que se trata de um filme de a��o, mas aqui � que vai entrar o olhar cl�nico de Wes Anderson. Ao contr�rio, Pura Adrenalina, se pode ser rotulado a algum g�nero, � uma com�dia. Cada um dos tr�s jovens ter� uma motiva��o
diferente: Anthony Adams, o protagonista (Luke Wilson), rec�m-sa�do de
um hospital psiqui�trico, ir� encontrar o amor de uma camareira
paraguaia em um hotel de beira de estrada; Dignan (Owen C. Wilson,
co-autor do roteiro com Wes Anderson, e freq�ente colaborador desde ent�o)
quer ter respeito e poder como l�der do grupo; e Bob (Robert Musgrave)
entra para o grupo sem grandes ambi��es a n�o ser provar para seu
arrogante irm�o que � capaz de ser bem-sucedido e ter seu pr�prio c�rculo
de amigos. Entre o amor, o poder e a fam�lia, esse trio de �ing�nuas
crian�as grandes� � constantemente ridicularizado pelas demais pessoas
(o desprezo da irm� de Anthony e do irm�o de Bob, a falsa amizade do
chefe de Dignan, as piadas sobre o macac�o de Dignan, etc.), e busca
simplesmente sua pr�pria auto-estima. O primeiro plano de Pura Adrenalina � de uma
janela que se abre, mostrando Anthony a poucos momentos de ter alta do
hospital psiqui�trico em que estava internado. Do lado de fora, espera-o
seu parceiro Dignan, escondido atr�s de um arbusto, fazendo-lhe sinais
indecifr�veis. O ex-interno Anthony prefere fugir pela janela a sair pela
porta da frente, apenas para n�o frustrar a expectativa do amigo, que
esperava que ele estivesse fugindo. O princ�pio �tico de Pura Adrenalina est�
no que aparentemente � condenado, mas que essencialmente n�o pode s�-lo.
A �tica do personagem n�o est� em sair pela porta da frente, como se
sup�e, mas justamente em fingir que se est� fugindo, mesmo que de fato n�o
o fa�a. Desse modo, os dados se invertem: Anthony parece o mais �s�o�
dos personagens de Battle Rocket. Esse simples in�cio mostra com
precis�o o clima do filme, sobre o valor da amizade e o tom de
�travessura� em que toda a hist�ria se desenvolve. A dire��o de Anderson escolhe os caminhos mais simples para a decupagem e o trabalho com os elementos de linguagem, o que torna o filme sem grandes surpresas. No entanto, a dire��o consegue um tom exato entre a com�dia e o drama, marca dos trabalhos posteriores de Anderson, e ainda que n�o chegue a empolgar, especialmente em rela��o a Rushmore (Tr�s � Demais), seu filme posterior, bem mais maduro, Pura Adrenalina funciona como bela prepara��o do diretor para seus trabalhos posteriores, e, sobretudo, comprova que, desde o in�cio, Anderson j� sabia qual era a sua proposta de cinema. . Marcelo Ikeda |