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Kippur
� O Dia do Perd�o Kippur,
Fran�a/Israel, 2000 De
Amor Gitai O israelense Amos Gitai vem conquistando seu espa�o
no circuito de arte europeu com seus filmes que examinam de forma
inventiva a condi��o de ser judeu. Este impressionante Kippur se passa
em 1973 durante a Guerra de Yom Kippur, sendo a hist�ria contada segundo
o ponto de vista de dois soldados israelenses que se perdem de seus
respectivos batalh�es e ingressam numa equipe de resgate que tenta salvar
os feridos no combate. Mas o que torna Kippur um filme de grande inventividade e impacto � o modo que Gitai escolhe para retratar o conflito. O filme se prop�e, nesse sentido, a ser um mergulho profundo, nas entranhas do dia-a-dia da guerra. N�o h� sentido aparente, ou l�gica das estrat�gias de combate, ou mesmo espa�o para as excentricidades dos generais ou dos soldados em combate. H� apenas a guerra como espelho de uma destrui��o coletiva, e todo o absurdo da guerra � expresso atrav�s de uma repeti��o cont�nua e monoc�rdica da brutaliza��o do Homem ante o massacre. Assim, Gitai evita a heroiciza��o do ato, simplesmente porque n�o se sabe ao certo contra o que se luta. Quer tamb�m evitar a qualquer custo qualquer hip�tese psicologizante. Faz ent�o um dos filmes mais brutais, quase ao limite do insuport�vel, porque acaba exatamente por refletir o absurdo da espetaculariza��o da guerra. Gitai adota um estilo absolutamente descritivo: nada h� para chocar ou para comover o espectador, apenas a guerra, em sua mais completa objetividade, em seu dilaceramento. Calcado num grupo de resgate a feridos no combate, Kippur acaba se tornando um olhar sobre o absurdo da condi��o humana, na luta desesperada do ser humano em tentar salvar outros humanos diante de um cen�rio de iminente destrui��o. Com isso, Gitai apresenta um novo olhar sobre o tradicional tema da guerra num dos mais contundentes e radicais trabalhos do atual cinema contempor�neo. . Marcelo Ikeda |