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Um
Homem Tem Tr�s Metros de Altura Edge
of The City, EUA, 1957 De
Martin Ritt Futura,
1� de maio de 2004 O primeiro longa-metragem de Martin Ritt segue
rigorosamente os passos de quem o levou para o cinema: Elia Kazan. E isso
n�o se refere apenas �s inevit�veis semelhan�as com Sindicato de Ladr�es,
e as quest�es tem�ticas do porto, da corrup��o e da trai��o. A influ�ncia
de Kazan est� justamente nas grandes chaves em torno das quais o filme se
ancora. Em primeiro lugar, o despojado trabalho de atores, que Ritt j�
ent�o dominava. Em segundo, e o mais importante, est� a participa��o
do espa�o f�sico no envolvimento do espectador na dramaturgia. �
moda de Kazan, Edge of the City � um drama realista, ou melhor, um filme
de den�ncia que aborda o submundo da sociedade americana (no caso, o
trabalho de estivador, a corrup��o e o corporativismo), aos moldes de v�rios
filmes de Kazan desde os anos quarenta. O filme conta a hist�ria de Axel
North (John Cassavetes) que passa a trabalhar num porto como ref�gio de
sua deser��o do ex�rcito. Enfrenta a autoridade e a corrup��o de
Charlie (Jack Warden) com a prote��o e os conselhos de seu amigo negro
Tom (Sidney Poitier). Quando Tom morre numa briga com Charlie, e, por uma
chantagem, Axel n�o pode delatar o assassino, ele entra em conflito. Novato, Ritt n�o prefere
se arriscar muito em termos da dramaturgia ou da decupagem. Por isso, o
filme quase nunca tem algum frescor em seu trabalho de c�mera ou
enquadramento. Prefere quase sempre os planos m�dios, com poucos
movimentos de c�mera. A pouca habilidade do diretor no trato com os
elementos de linguagem fica clara quando o filme precisa de maior
dinamismo, como na crucial cena da briga entre Sidney Poitier e Jack
Warden. Mesmo na cena do sal�o, em que h� um plano com movimento, quando
o casal finalmente se levanta para dan�ar, nota-se que os outros casais
se afastam estrategicamente da dire��o da c�mera, deixando o espa�o
livre para os protagonistas, num recurso prim�rio de pouca eleg�ncia
formal, que contrasta fortemente com as formid�veis cenas de sal�o em
Paris Blues, em que a c�mera ziguezagueia com habilidade no ex�guo espa�o
do cen�rio. Nota-se tamb�m uma dificuldade no sentido de imprimir um
ritmo ao filme, especialmente nos tempos de transi��o entre as cenas.
Essa inseguran�a � resolvida por Ritt adotando outro recurso prim�rio,
desta vez com efeito at� discut�vel: preencher os sil�ncios com m�sica,
de forma a pontuar as inten��es dram�ticas das cenas. Outro recurso de
roteiro que merece destaque � a oscila��o dos tons �masculino� e
�feminino� do filme: a opress�o do trabalho no porto � contrastada
com um �entrecho amoroso�, que abrange mais de um ter�o do filme, e
que mostra a timidez de Axel para convidar Ellen (Kathleen Maguire) para
sair. Provavelmente o grande
aprendizado para Ritt em Edge of The City, que o diretor ir� trazer
consigo para seus trabalhos posteriores, � a incorpora��o da geografia
do espa�o f�sico como elemento de dramaturgia. Se nesse primeiro filme
ele �aprende a li��o� com Kazan, � moda de seus filmes anteriores,
Ritt ir� rapidamente trazer essa quest�o para seu pr�prio universo
pessoal, como se evidencia em seus trabalhos posteriores. Por fim, o desfecho de Edge of The City mostra a marca pessoal de Martin Ritt. Ao contr�rio dos finais moralistas de Kazan, Ritt optou por um final macamb�zio, de inten��es at� duvidosas: Axel, sentindo-se culpado, vinga seu amigo na mesma moeda, matando Charlie. Optando pela vingan�a, o plano final mostra Axel carregando Charlie como se fosse uma das cargas de sua profiss�o. Esse final de tom sinistro, em meio a toda sua instabilidade, evitando a circularidade (a volta para a casa dos pais), a afirma��o do entrecho amoroso (o romance com Ellen), ou mesmo a condena��o moralista (a pris�o), n�o � t�o diferente do fatalismo de v�rios de seus filmes posteriores, como Paris Blues ou mesmo Hud. Marcelo Ikeda 03/05/2004 |