Conto de Ver�o

 

 

Conto de Ver�o

Conte d��t�, Fdran�a, 1996

De Eric Rohmer

 

O Grupo Esta��o adquiriu os direitos de exibi��o dos filmes de Eric Rohmer. O primeiro a ser lan�ado no circuito comercial � o in�dito Conto de Ver�o, apesar de ter sido produzido em 1996. O filme faz parte da s�rie de �Contos das Quatro Esta��es�, sendo que o primeiro, Conto da Primavera, j� havia sido exibido no Brasil no in�cio dos anos 90, e � o �nico filme do diretor dispon�vel em v�deo. Dessa forma, junto com o lan�amento de A Inglesa e o Duque, preferiu-se come�ar pelos filmes mais recentes de Rohmer, antes de serem lan�ados seus cl�ssicos. Cada um dos Contos possui uma cor e um ritmo peculiares, segundo a caracter�stica de cada esta��o, e a integra��o em torno de um projeto comum, torna sua leitura mais f�cil para o espectador que ainda n�o conhece a obra do veterano realizador franc�s. De qualquer forma, Conto de Ver�o pode ser uma admir�vel prepara��o para os demais filmes do diretor.

  O franc�s Eric Rohmer come�ou como cr�tico da Cahiers de Cinema, e participou da nouvelle vague ao lado de cineastas como Jean-Luc Godard e Fran�ois Truffaut. Mas Rohmer desenvolveu ao longo de sua filmografia um estilo rigoroso e intimista que o afastaria dos dois principais expoentes do movimento.

  Conto de Ver�o, como t�pico filme de Rohmer, � fortemente influenciado pela literatura, e altamente verbal. Mas se engana quem o acha menos cinematogr�fico por isso: o fasc�nio do cinema de Rohmer reside exatamente em como seus indecisos personagens discutem e pensam tanto suas rela��es que o tempo ideal para a a��o se esvai, e eles acabam frustrados. Nesse eterno conflito entre raz�o e instinto, os �ultra-racionais� personagens de Rohmer perdem-se na teia do jogo das rela��es sociais, e seu espa�o para o amor acaba de certa forma partido.

  Este Conto de Ver�o � exatamente isso, mas o setuagen�rio Rohmer mostra uma vitalidade, contaminado com o calor dos balne�rios franceses, pouco presente em seus filmes anteriores. Assim, possui um tom mais jovial e desenvolto. O filme narra a hist�ria do adolescente Gaspard (Melvil Poupaud) que, durante suas f�rias num vilarejo franc�s � beira da praia, fica indeciso entre tr�s mulheres que o fascinam por vias diferentes: a primeira (Margot) representa o amor amigo, ou companheiro; a segunda, o amor idealizado, ou obsessivo (Lena); e a terceira, o corporal, ou sexual (Solene). Se em geral os filmes de Rohmer mostram jovens em contato com adultos, e a paix�o se desenvolve nesse �nterim entre a admira��o pela espont�nea jovialidade e a sabedoria da experi�ncia, aqui praticamente n�o h� adultos, e os jovens passeiam por suas f�rias de ver�o com uma n�tida despreocupa��o.

Atrav�s da doce indecis�o do ing�nuo rapaz, Rohmer promove uma par�bola sobre o eterno desejo masculino entre a raz�o, a emo��o e o desejo, ganhando propor��es bem mais amplas do que a princ�pio sua hist�ria rom�ntica poderia parecer. Gaspard prepara em seu viol�o uma can��o para sua amada durante suas t�o esperadas f�rias. A m�sica do viol�o pode ser vista como um espelho para a condi��o do artista, express�o de seu sentimento de vida. At� porque essa can��o ser� tudo de que Gaspard ter� para se lembrar de suas f�rias.

 

Marcelo Ikeda

 

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