O Bal�o Vermelho

 

 

O Bal�o Vermelho

Le Ballon Rouge, Fran�a, 1956

De Albert Lamorisse

O Cinema Sem Palavras � CCBB, Quinta-Feira, 29 de abril de 2004, 19hs

 

Um dos primeiros planos de O Bal�o Vermelho evidencia todo o olhar de Lamorisse neste singelo filme: num plano-seq��ncia, um menino (Pascal Lamorisse) sobe em um poste ao longo de uma grande escadaria para pegar um bal�o de cor vermelha. O topo do poste est� fora de quadro: � s� � medida em que o menino sobe que a c�mera acompanha seu movimento e ent�o nos revela o seu objeto de admira��o. O menino desamarra o bal�o e desce do poste com uma das m�os com not�vel desenvoltura.

Esse formid�vel plano-seq��ncia passaria despercebido por grande parte do p�blico, e � a� que reside seu encanto: � atrav�s dos artif�cios programados e das perip�cias em torno de uma vis�o inequ�voca de realismo que o filme de Lamorisse concentra sua vis�o de cinema. A cidade de Paris, a rea��o dos meninos e dos demais transeuntes s�o filmados com tal naturalidade que muitas vezes se aproxima de um semidocument�rio: a cidade de Paris tamb�m � personagem do filme, especialmente em seu final, quando a ca�a pelo menino acontece nos esguios becos e ruelas de Paris, numa das mais l�dicas cenas de persegui��o j� vistas no cinema.

Mas toda essa vis�o pelo realismo, passando pelo plano-seq��ncia citado e pelos n�o-atores, alia-se a um desejo pelo fant�stico. � nessa fus�o entre a busca pelo extraordin�rio e a simplicidade l�rica do dia-a-dia que O Bal�o Vermelho, mesmo quase cinq�enta anos depois, continua impressionando e mantendo seu frescor como cinema.

Sem rosto e sem voz, o tal bal�o vermelho ganha inesperadamente vida, torna-se fiel e insepar�vel amigo de nosso protagonista. A partir de ent�o, perdura uma luta, impl�cita ou expl�cita, da sociedade ou das pessoas, em destruir (ou separar) este desejo de inoc�ncia e de amizade. Se o bal�o tem vida, ele n�o � humano, ele � um �outro�, a quem n�o � permitido o acesso (no �nibus, na escola, em casa). Torna-se, tamb�m, um olhar sobre a liberdade.

Ao final, quando o bal�o � �morto� pela pontaria de um estilingue (praticamente o �nico momento em que a m�sica se silencia, o filme se cala), Lamorisse conclui sua pequena f�bula de forma rom�ntica mas absolutamente m�gica. N�o deixa de ser pessimista: encurralado, resta ao menino ser como um dos bal�es de ar, e voando, quase como um anjo, chega ao c�u, conduzido por seus in�meros �amigos�. � dessa forma inst�vel que Lamorisse opta pelo mundo do fant�stico para coroar seu levemente amargo final feliz.

Marcelo Ikeda

30/04/2004

 

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