TOMÁS E JULI (2000 VISTO POR) - HUNGRIA |
| Tomás e Juli é um típico filme húngaro, ou melhor, um típico filme do Leste Europeu. Tomás e Juli são duas pessoas que nasceram para ficar juntas, seu amor é recíproco e não existe nenhum obstáculo entre eles. A não ser eles próprios. A diretora optou por comentar a virada do século em cima da falência e da dificuldade das relações amorosas. A solidão e a incomunicabilidade se reflete a partir da troca de olhares e por sons monossilábicos. Mesmo quando estão juntos, o casal parece profundamente angustiado. A lenta aproximação do casal é retratado de forma poética pela diretora, como quase um prenúncio de que seu amor é inevitável. Mas as aparências enganam. A sensibilidade da diretora é mostrada a partir de sacrifícios feitos por um dos membros do casal para mostrar ao outro o seu arrependimento por um fato bobo feito anteriormente. Com ciúmes de Tomás numa boite, Juli não quer sua companhia quando volta para casa. Tomás liga para o trabalho de Juli no dia seguinte, mas esta não pode lhe atender. Para reparar o engano, Juli espera horas e horas no ponto de ônibus em frente à mina onde Tomás trabalha. No primeiro encontro, Tomás foi grosseiro com Juli. No dia seguinte, ele vai à escola onde ela trabalha, e depois tenta lhe dar flores. Esses sacrifícios são mostrados por ações, menos que uma verborragia irritante e desnecessária. Poranto, numa linguagem essencialmente cinemática. O constrangimento da aproximação do casal é belamente retratado pela diretora, especialmente no embaraço na pista de dança da boite. Outro belo momento é quando ambos deitados na relva, assistem à copulação de um casal de cachorros. Mais tarde no filme, a diretora faz um claro paralelo quando Tomás quer transar com Juli imediatamente como se fosse os cachorros de antes. Numa outra cena poética, uma funcionária da mina beija Tomás, cujo rosto está comlpetamente sujo devido ao trabalho no subterrâneo. O estilo do Leste Europeu apresenta uma realidade crua, com pessoas de classe baixa. A fotografia é escura, quase rudimentar, e o enquadramento é inusitado, especialmente nos close ups. A montagem é seca, econômica. E o filme é claramente pessimista, mostrando a visão de desencantamento do Leste Europeu. No instante de ano novo, ironicamente, as chances de aproximação do casal são definitivamente destruídas. O final é claramente artificial, sendo um ponto baixo no filme. Mas ainda é uma boa chance para se ver um filme típico da região, pouco exibido por aqui. Marcelo Ikeda. NOTA: 7 |