O LIVRO DA VIDA (2000 VISTO POR) - EUA

 

O cultuado cineasta independente Hal Hartley foi o respons�vel pela realiza��o do epis�dio norte-americano sobre a virada do ano 2000. Hartley optou por compor uma f�bula entre Deus e o Diabo em plena Nova Iorque, para decidir se o mundo realmente acabaria ou n�o. Para facilitar as in�meras tomadas de c�mera na m�o, Hartley filmou em v�deo, e depois transformou para pel�cula. A fotografia �, portanto, escura e granulada. Hartley, tamb�m, abusa dos movimentos de c�mera, e trabalha com a velocidade do filme, que em v�rios momentos parece em c�mera lenta. Em outras cenas, um microfone surge no meio da rua para que os personagens possam falar diretamente com o espectador.

O maneirismo est�tico de Hartley, entretanto, � in�cuo, e aborrece o espectador com todos os cacoetes do cinema independente. As piadas r�pidas e os trocadilhos continuam com a marca de Hartley, mas s�o amarradas por um roteiro fraco. Algumas das piadas s�o f�ceis: Deus abre os selos que destruir�o o mundo pelo computador; e o Diabo usa celular.

O interessante � que Hartley abandonou o estilo cheio de long takes e meditativo de Henry Fool, para voltar a um estilo mais r�pido e �gil, que o caracterizou em filmes como Confian�a. Mas ainda assim os maneirismos da c�mera n�o contribuem em nada para seu filme.

No final, temos a impress�o que Hartley n�o parece muito interessado no projeto, e quis fazer um filme r�pido, barato e descuidado. � uma exce��o na obra de um dos melhores diretores do atual cinema americano. O pior do filme, entratanto, est� reservado para seu final: Hartley faz um discurso moralista, retr�grado, e profundamente politicamente correto e chato, a ant�tese do que sua filmografia representa.

Marcelo Ikeda.

NOTA: 4

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