O VICENTINO DIANTE DA MISÉRIA

 

Miserável, rnau estado. É um estado habitual de provação de bens supérfluos, de bens necessários à vida.

Ocorreria perguntar, como podem os miseráveis sobreviver, se carecem de bens necessários à vida

E urna pergunta sem cabimento. Porque de fato não sobrevivem. Hoje sabemos que muitos milhões de seres humanos desafiam a morte, "vivendo" neste estado de miséria

Tal fato não é exclusivo de nassa época. Sempre houve no mundo miseráveis. O que é próprio dos dias de hoje, e o aumento expressivo do número de miseráveis, nas grandes cidades toma-se impossível, não vê-los a cada esquina.

Caracteriza-se ainda nossa época, e que a humanidade tem plena consciência da existência desta classe de seres humanos, sabe ainda que dispõe de meios técnicos e recursos para combatê-los.

A miséria é o resultado da concorrência trágica de muitos fatores: Escassez de recursos, iniqüidade gritante na sua distribuição, rebaixamento da condição humana; Atingindo tais níveis que, esvaziam a pessoa de qualquer possibilidade de auto-recuperação.

A participação de qualquer iniciativa visando a vitória sobre a miséria è um dos deveres mais urgentes da solidariedade humana.

Para o Papa Paulo VI, a Igreja, preocupada com o desenvolvimento dos povos, insiste na necessidade de eliminar as condições menos humanas e incrementar as condições mais humanas de crescimento:

"Menos humanas: as carências materiais dos que são privados do mínimo vital. E as carências morais das que são mutilados pelo egoísmo "

Ai reside o trabalho vicentino

Não é o bastante a visita domiciliar, proposta pelos nossos fundadores,( acertadamente ) faz-se também necessário buscar soluções mais duradouras para resgatar nestas pessoas a dignidade e o valor da vida.

A grande força vicentina está na possibilidade da unidade entre todas as conferências, e assim buscar soluções comuns, que possibilitem reformas de um sistema que a cada dia propicia o aumento de seres humanos, irmãos nossos, deixado à própria sorte.

Cabe viabilizar projetos de Educação alternativa, trabalhos comunitários, à famílias carentes, visivelmente em estado de miséria, que busquem a sua subsistência através de um trabalho comunitário, exercendo a fraternidade mútua entre os próprios assistidos.

É possível criar clubes de serviços que possibilitem a troca de produtos produzidos por eles próprios: como, peças de roupas, artesanatos, horta comunitária, etc.

Situação também gravíssima é o preparo da própria alimentação, com técnicas que levam ao desperdício de alimentos, aí caberia a ação vicentina para orientar ou mesmo educar para um melhor aproveitamento de alimentos

O estado de miséria atinge contravalores tão radicais, que a pessoa perde "o que" de humano, agindo mais por instinto que pela razão, aí mais do que nunca a ação vicentina, em buscar devolver o amor próprio, a dignidade de ser humano, filho de Deus, amado da Pai. Neste estado o indivíduo julga-se abandonado por Deus, e já não espera mais por nada.

Aliada à miséria, há doenças, analfabetismo, alcoolismo, degeneração dos costumes, ausência total do sentido de pose, enfim a perda total dos valores morais éticos e estruturais.

Assim quando o ser humano atinge tais níveis, resta-lhes apenas a solidariedade de irmãos movidos pelo ideal do cristianismo, para resgatar-lhes a dignidade de verdadeiros irmãos em Cristo.

O vicentino consciente de ser dever primeiro de cristão, de Igreja Militante, busca não o puro assistêncialismo de doar o necessário para a sobrevivência, mas sim em resgatar valores que possibilitem ao ser humano voltar a vida.

O país está hoje em um estado de política neo-liberal, que acentua a pobreza e a miséria de maneira generalizada, tornando difícil o trabalho abnegado de cada vicentino em buscar soluções duradouras, mas há saída, e ela está na ação conjunta, ordenada, estruturada de uma ação caritativa.

Como dizia São Vicente de Paulo, a caridade deve ser organizada para produzir os efeitos esperados.

O exercito de Cristãos católicos abnegados, que compõem a Sociedade São Vicente de Paulo, tem a difícil tarefa de buscar tais soluções, através de ações que compõem, o exercício do testemunho de vida cristã coerente com a doutrina social da Igreja, com os ditames do Evangelho, com uma solida consciência da situação social e compromisso com a vida dos irmãos, para assim buscar soluções que realmente sejam sacio-transformadora como propõe a exigência contida no Projeto Rumo ao Novo Milênio.

A missão torna-se a cada dia mais difícil, com os obstáculos que se sucedem; mas está é a hora de rever nossos feitos ( que são muitos ). e traçar uma meta de unidade e conjunto dentro da modernidade e realizarmos a tarefa de transformar o mundo atual num reino de justiça e paz, onde haja vi e vi em abundância

No momentos mais difíceis da historia, aí estava a presença vicentina, anônima e solidária, assim nasceu a Sociedade, num dos momentos mais graves da história social da França, assim crescemos e assim vivemos em contato com as situações mais adversas. Aos pobres por amor a Deus!

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