Sociedade São Vicente de Paulo Pirassununga
Escola de Formação Permanente
Encontro de Espiritualidade
Caminhada do Povo de Deus
18-nov-1999
DIRIGENTE 1 -
Nesta noite estaremos realizando uma experiência celebrativa, na caminhada do povo de Deus, até os dias de hoje.
O Objetivo é experimentar a espiritualidade e os questionamentos que levaram a certeza da existência de um Deus que primeiro nos amou, para depois permitir que pudéssemos amá-lo.
O Completo conhecimento de nossa fé passa pela caminhada dos nossos antepassados no Antigo Testamento culminando com as realizações das profecias em Jesus Cristo.
Hoje estaremos celebrando está caminhada que começa no deserto, na saída das terras da escravidão e termina na santa ceia. Para assim iniciarmos em nossa escola de formação o estudo da Espiritualidade Vicentina, que é inseparável da espiritualidade cristã.
Vamos, pois, iniciar a nossa celebração com um símbolo de grande importância para nós "O Fogo", que ocupa lugar de primeira importância dentro da simbologia bíblica.
O FOGO - neste instante e acesso o fogo
Leitor 1 - O Fogo produz claridade, que permite ao homem guiar-se durante a noite, um calor benéfico para lutar contra o frio, para cozinhar o alimento, para transformar elementos. Sem o fogo não há cerâmica que retenha a água, para produzir bens a favor da coletividade.
Sobre o monte Horeb, Deus se revela a Moisés numa relação de proximidade até então nunca conhecida, tomando o aspecto de um fogo:
Leitor 2 -
"Apareceu-lhe o anjo do Senhor numa chama de fogo no meio de uma sarça. Moisés notou que a sarça ardia mas não se consumia". ( Ex. 3,2)
Leitor 1 - A natureza de Deus é assim: um fogo que não se consome, um fogo que transfigura a humilde sarça sem destruí-la.
Um pouco mais tarde, durante a travessia do deserto, após a saída do Egito, Deus se manifesta aos olhos de todos sob a aparência de fogo:
Leitor 2 -
"O Senhor os precedia de dia, numa coluna de nuvens, para lhes mostrar o caminho; de noite numa coluna de fogo pata iluminar, a fim de que pudessem andar de dia e de noite". ( Ex 13,21)
Leitor 1 - Mais adiante, João Batista utiliza esta simbologia, para anunciar a vinda do Messias:
Leitor 2 - "Eu vos batizo com água É ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo (Mt 3,11).
Leitor 1 - Jesus mesmo declara:
Leitor 2 - "Eu vim pôr fogo na terra "(Lc 12,49)
Leitor 1 - Este fogo não é senão a chama do amor de Deus. O livro do apocalipse lembra que os homens são chamados a permanecer no fogo, para a sua grande felicidade.
O Fogo lembra luz, como vimos, é hoje temos a presença deste fogo em todas as nossas liturgias, no fogo da vela, que simboliza Jesus Cristo a Luz do Mundo.
Para todos nos que cremos esta luz que jamais se apaga nos guia no dia a dia de cada vicentino, na busca de sua santidade através dos irmãos mais necessitados, sendo o portador desta luz que é Jesus Cristo junto aos mais desvalidos e explorados.
Este fogo do amor pode elevar o homem até a felicidade da comunhão com Deus.
Este fogo irá nos acompanhar durante toda a celebração
( - acender nesse momento uma vela grande que acompanhará a celebração - )
Dirigente 1 - Iniciaremos agora simbolicamente a caminhada do povo de Deus, rumo a Jerusalém, realizaremos algumas paradas para celebrar algumas das festas judaicas, na caminhada.
Dirigente 2 - Celebraremos agora o Kippour é uma das mais importantes festas do judaísmo.
Nesta ocasião os filhos de Israel são convidados a considerar seus pecados, suas fraquezas, suas faltas contra a Lei de Deus e a suplicar o perdão do Senhor.
Leitor 3 - "O Senhor falou a Moisés, dizendo: 'O dia dez deste sétimo mês é o dia da expiação. Neles tereis assembléia litúrgica. Jejuareis e oferecereis um sacrifício pelo fogo ao Senhor" ( Lv 23,26-27)
Leitor 4 - Nestes dias de arrependimento Israel proclama que a misericórdia de Deus é absolutamente vital.
Para entendermos melhor esta idéia. Lembremo-nos de Moisés. Este menino, condenado à morte pelo Faraó antes mesmo de vir a luz do dia, é de fato símbolo da humanidade que por causa do pecado, deveria ser fatalmente engolido pelas forças das trevas. Lembremos também da famosa arca de Noé.
Em ambos os casos, para que não afunda-se nas águas o fundo do cesto e da arca foi impermeabilizado com piche ou betume.
Dirigente 2 - O relato da arca e de Moisés, salvo das águas, indicam o perdão de Deus. Assim como Deus protegeu Noé e Moisés, protege também todos os seus filhos, e esta celebração do Kippour, é a celebração da salvação realizada pela misericórdia de Deus.
Na época da festa do Kippour, o sumo sacerdote coberto com um grande manto, entrava no templo, este manto feito com muitos pedaços de pano, representava os pecados do povo. O povo tentava tocar o manto, acreditando que seus pecados seriam assim perdoados.
Leitor 4 - Aparentemente, os Evangelhos não falam diretamente do Kippour e de sua liturgia.
Na realidade, fazem dele alusão continua.
A carta aos Hebreus exprime de modo claro que toda a missão de Jesus, seu ensinamento, seus milagres devem ser compreendidos, dentro do contexto do Kippour.
Pelo sacrifício de Jesus na cruz, rasgando o véu do templo, penetrou no lugar da presença do santo dos santos, e obteve para todos nos o perdão dos pecados. Ele é o sumo sacerdote por excelência, e deu nos a misericórdia e a Redenção.
Leitor 3 - "Tendo, pois, um grande sumo-sacerdote, que penetrou no céu, Jesus, o Filho de Deus, continuemos firmes na profissão de fé. Aproximemo-nos, pois confiantemente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno. ( Hb 4,14-16)
Dirigente 2 - Todos nos lembramos claramente da parábola do filho pródigo, foi necessário que o filho mais novo experimentasse na própria carne a miséria para depois experimentar a misericórdia.
Leitor 4 - Nos três anos do ministério publico de Jesus devem ser lido no contexto desta festa judaica. Eles na verdade constituem uma longa celebração do Kippour.
O nome Cafarnaum, lugar onde temos relato de grande atividade de Jesus quer dizer "lugar de cura e de perdão".
Dirigente 2 - E hoje em nossas liturgia sempre somos convidados à penitência a reconhecer-mos humildes pecadores e depois colocarmos diante de Deus e celebrar seus mistérios.
O Ato Penitencial que tantas e tantas vezes já realizamos em nossas celebrações liturgicas.
Num momento de silêncio diante deste fogo que simbolicamente representa a presença de Jesus Cristo, façamos nosso ato penitencial, peçamos perdão de nossos pecados, coloquemo-nos humildemente diante do Senhor.
( - Momento de Silêncio e interiorização - )
Com a certeza de que estamos em paz com o Senhor, continuemos nossa caminhada, experimentando, um pouco outro elemento comum ao povo eleito.
DIRIGENTE 1 - Caminhemos um pouco mais a exemplo do povo nômade nossos ancestrais.
Conheceremos agora um elemento muito comum na região, a Oliveira.
É bem conhecida de todas a imagem da pomba que Noé envio como mensageira e que retornou com um galho de Oliveira em seu bico. A Oliveira é encontrada sob o clima mediterânico, tornou-se um símbolo da paz é harmonia. Ocupa na bíblia um lugar de destaque.
A oliveira é, em primeiro lugar, um elemento essencial do cenário natural no qual se evoluiu o povo hebreu.
Durante séculos seu fruto foi um dos alimentos básicos do homem da bíblia que se satisfazia muitas vezes, à guisa de refeição, com uma fatia de pão e um punhado de olivas.
Sua madeira dura, perfumada, com veios tão estéticos, era altamente apreciada tanto no aspecto utilitário quanto no decorativo.
Leitor 5 - Mas a Oliveira era apreciada, ou seja, quase venerada, sobretudo pelo seu óleo. Uma árvore adulto produz cerca de 50 quilos de óleo por ano. As oliveiras existentes hoje no Getsêmani, tem aproximadamente 500 anos.
O óleo da oliveira é efetivamente precioso. Sua pureza, seu perfume, sua riqueza fizeram dele um dos elementos mais importantes da liturgia judaica.
Assim, as lamparinas que constantemente ardem no santuário de Israel, nas tendas do deserto ou no templo de Jerusalém, são alimentadas exclusivamente de óleo de oliva, de fato, Deus havia, recomendado a Moisés:
Leitor 2 - "Ordena aos israelitas que tragam azeite puro de olivas moídas para a iluminação, a fim de manter a lâmpada sempre acesa." ( Ex 27,20)
Dirigente 1 - A oliveira é também elemento indispensável na cerimônia de unção real e sacerdotal.
Leitor 5 - Assim, o óleo de oliva é o símbolo do Espírito de Deus que se derrama, comunica seu perfume, sua santidade e sua força. A unção com o óleo, transmitida fielmente através dos séculos, é, ainda hoje, parte integrante da liturgia cristã do batismo, confirmação, unção dos enfermos e das ordenações.
Graças à sua folhagem sempre verde, a oliveira e também símbolo de prosperidade, fertilidade e fecundidade.
No Novo Testamento, o símbolo da Oliveira, adquire dimensão universal. Ela representa o povo de Deus santificado pela unção, através do qual o Espírito de Deus se derrama sobre o mundo.
A agonia de Jesus no Monte das Oliveiras, assume agora pleno sentido.
No Getsêmani, Cristo sofreu por uma multidão de crentes, todos os membros da igreja universal de todos os séculos, de todos os países, de todas as confissões, por nos aqui hoje reunidos e lembrando essa época.
Dirigente 1 - Faremos agora a experiência daquele povo, que e o nosso povo, vamos experimentar o alimento que era o dia a dia deles, vamos saborear algumas olivas verdes, com o pão, e depois iremos ungir uns aos outros com o óleo perfumado de oliva.
Mas faremos isso com o espírito celebrativo e seriedade liturgica.
( - mesa preparada com olivas - pão caseiro - e recipiente com óleo perfumado - )
Dirigente 1 - Caminhemos um pouco mais, devemos lembrar que o povo de Deus, era nômade e habituado a caminhar. Lembremos também que nesta celebração nossa caminha e oferecida a Deus como forma de penitência, e que o povo de Deus foi constituída na caminhada, construindo dia a dia a sua história.
Dirigente 2 - Celebraremos agora a "Socot" - As tendas -
A festa das tendas ou festa dos tabernáculos, é uma das três grandes festas do judaísmo ao lado da Páscoa e Pentecostes, que davam lugar a uma peregrinação a Jerusalém. No calendário litúrgico bíblico ela segue a festa do Kippour - que já celebramos nesta noite - e se apresenta como momento de alegria que segue ao tempo de arrependimento. Eis porque a literatura sagrada a designa como "a festa " por excelência.
Leitor 6 - Como todas as festas bíblicas, Socot também era originariamente uma festa agrícola. Era celebrada entre o fim de setembro e a metade de outubro, numa época em que os trabalhos do campo estavam terminados e as colheitas já nos celeiros. Provido de todos esses bens, o homem agradecia o criador de todas as coisas que, na sua bondade, mais uma vez havia lhe concedido os frutos da terra. Na mesma oração pedia a Deus a bênção para o ano vindouro e reclamava a volta da chuva que haveria de fecundar a terra.
Leitor 7 - Tomar a bíblia e ler - Dt 26,1-11
Dirigente 2 - Repassando os episódios célebres dessa época, o povo hebreu recordou que no coração da insegurança aprendera a esperar tudo de Deus e renovou, ano após ano, essa caminhada de abandono à Providência. Por essa evocação do Êxodo, Socot tornou-se também a celebração da coabitação de Deus e dos homens.
No deserto o Senhor veio de fato morar sob uma tenda, participando das condições de precariedades de seu povo. Assim acompanhou Israel em seu nomadismo até a entrada na terra prometida.
A vinda de Deus no meio do povo no Sinai abolia a imensa distância instaurada pela queda e anunciava uma proximidade por vir. São João, no prologo de seu Evangelho, sublinha a ligação entre Socot e o mistério da encarnação:
Leitor 2 - "E o Verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós" (Jo 1,14)
A vinda de Jesus entre os homens é a realização plena da esperança de Socot. A mesma afirmação encontra-se na boca de Pedro. Diante de Jesus Transfigurado que se entretém com Moisés e Elias:
Leitor 2 - "Mestre, é bom estarmos aqui; façamos três tendas (Socot); uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias". (Mc 9,5)
Leitor 8 - Na realidade a reação de Pedro adquire, dentro do contexto da festas das Tendas ( Socot), um acento impressionante. O Apóstolo compreendeu que em Cristo a presença de Deus no meio dos homens atingia a sua plenitude; que Jesus o Messias, permitia aos homens entrar na floria divina.
O Evangelho de São João mostra por várias vezes Jesus subindo fielmente em peregrinação até Jerusalém para a festa de Socot. Precisamente no último dia da festa, enquanto se dá a cerimônia da água, quando o sumo sacerdote asperge o templo e o povo como sinal de bênção, Jesus grita:
Leitor 2 - "No último dia, o mais importante da festa, Jesus veio a público e exclamou, dizendo: 'se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: do seu interior brotarão rios de água viva". ( Jo 7,37-38)
Leitor 8 - Esta palavra, extremamente importante, revela a identidade de Jesus que adquire todo o seu sentido no coração da celebração de Socot. Porque o coração do homem é, segundo o salmo 63,
Leitor 2 - "uma terra árida, sedenta e sem água"
Leitor 8 - E mais que da chuva, ele precisa de uma fonte inesgitavel.
Leitor 2 - "Se conhecesses o Dom de Deus, tu é que me pediras para te dar a água viva"
Leitor 8 - Assim diz Jesus a Samaritana. Com isso apresenta-se como aquele que realiza plenamente as promessas da Socot.
Dirigente 2 - A Celebração desta festa, muito importante no cristianismo primitivo, desapareceu com o estabelecimento do calendário romano. Somente alguns traços desta bela celebração permanecem , a exemplo da aspersão da água benta.
E agora faremos a aspersão da água benta uns aos outros, tocaremos no recipiente de água e ungirmos nosso parceiro desejando-lhes as bênçãos do Deus Criador que caminha conosco.
( - mesa com jarro de água perfumada para a aspersão )
Dirigente 1 - Terminada a festa das tendas, vamos caminhar um pouco mais e para então celebrarmos o Pentecostes, uma festa judaica, que motivava a peregrinação até Jerusalém.
Trata-se também de uma festa agrícola, o termo pentecostes quer dizer "o quiquagésimo dia", porque se dá 50 dias após a Páscoa, celebra o final da colheita que começou na Páscoa.
No templo bíblico ela caracterizava-se pela oferta de dois pãezinhos trazidos ao templo. Ela inaugurava a caminhada que consistia em levar para Jerusalém as primícias devidas pelo trigo, pela cevada, pela vinha, pelas flores, pelas romãs, pelas oliveiras e pelas tâmaras. Essas oferendas podiam ser feitas a partir de Pentecostes.
Leitor 9 - Depois da destruição do Templo, os ritos agrícolas desapareceram. Esta festa, sem dúvida, será ligada ao Dom da Torá. A grande revelação feita a Israel no monte Sinai. Torá Designa aquilo que chamamos hoje de os dez mandamentos. O hebreu utiliza o termo palavras e não mandamentos.
No entendimento hebreu a Torá visa libertar o povo, fazendo a dimensão espiritual penetrar em todos os elementos da vida. Não estabelece uma religião que consiste em consagrar alguns fragmentos de vida à oração e às boas obras, mas instaura uma relação pessoal entre Deus e cada um de seus filhos, uma proximidade de amor que deve refletir em todos os dominios da existência. O Celebre "Shema Israel"
Leitor 10 - Ler Dt 6,4-13
Dirigente 1 - A Torá concretiza a irrupção do sagrado em nosso profano, da eternidade em nosso tempo, seja qual for a nossa condição de miséria. Israel tornou-se de fato "povo de Deus" através desta aliança no Sinai.
O povo preparou-se no deserto para este acontecimento excepcional
Leitor 2 - "Vai Ter com o povo e o santifica, hoje e amanhã. Eles devem lavar as vestes e estar prontos para o terceiro dia..." (Ex 19,10)
Dirigente 1 - Esa purificação era absolutamente necessária para que Isarel pudesse manter-se, mesmo longe, na presença de Deus. O povo deveria purificar-se de todo traço de revolta e de desobediência. Pouco tempo antes, aconteceu uma revolta contra Moisés e contra Deus.
Leitor 2 - "por que nos fizeste sair do Egito? Para matar-nos de sede junto com nossos filhos e gado? (Ex 17,3)
Leitor 11 - O Povo acusa Deus de levá-lo para morrer no deserto, depois de Ter operado grandes coisas para faze-lo sair do Egito. Qual o seu projeto? Ele quer exterminar os filhos de Abraão? Qual a verdadeira identidade de Deus?
Essas questões permanecem incrustadas no coração do homem. Elas traduzem sua ignorância espiritual e sua incompreensão sobre a economia da salvação. O Dom da Torá aparece como resposta de Deus a todas essas questões que perseguem o coração do homem.
Dirigente 1 - O paralelo com o texto dos Atos dos Apóstolos que descreve o Pentecostes da Igreja Primitiva é impressionante.
Encontramos os apóstolos no Templo de Jerusalém, cumprindo a caminhada de purificação e arrependimento. Cada um deles não deixou despontar em seu coração essas mesmas perguntas fundamentais no dia da paixão de Jesus
Leitor 12 - LER - At 2,1-6
Dirigente 1 - Esse acontecimento de Pentecostes em Jerusalém tornou-se aos olhos da Igreja seu verdadeiro ato de nascimento. Dois elementos básicos aí estão: a efusão do Espírito Santo que de agora em diante vai tornar os apóstolos aptos à missão que lhes foi confiada; e a presença da multidão atraída pelas manifestações exteriores e tocadas pela pregação. Jesus havia dito:
Leitor 2 - "Mas recebereis uma força, o Espírito Santo que virá sobre vós; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, até os confins da terra". ( At 1,8)
Leitor 11 - Nascida no dia das primícias, esta primeira Igreja de Jerusalém não contém ainda senão germes da Igreja Universal.
Celebrada com fervor pelos cristãos que consideram com uma das maiores festas do ano. Pentecostes permanece inacabado. Ele permanece como festa das primícias, anunciando aquele dia em que, como anunciava o profeta Joel, Deus derramará seu Espírito sobre toda a carne. Esse Dom universal do Espírito marcará então a realização definitiva das promessas de Deus.
Dirigente 1 - O Mel na literatura bíblica e destinado somente ao povo, não podendo ser ofertado como sacrifício a Deus. Assim o mel destina-se exclusivamente ao alimento humano, ofertado por Deus a seu povo.
Para nós, hoje, a terra é nossa vida, onde plantamos nossa história. Deus quer que compareçamos diante dele com nossas mãos cheias e não vazias. O que temos para oferecer, o que na nossa vida já colhemos e podemos oferecer a Deus? Que cada um faça, memória dos fatos passados e apresente a Deus - ( pausa - )
Leitor 11 - O que oferecemos a Deus, Ele nos devolve enriquecido com sua graça. O trigo de nossas vidas, Deus no-lo devolve com a doçura de sua graça.
Dirigente 1 - Para recordar o povo hebreu, nosso ancestral, no deserto, tomemos a refeição comum deles quando da caminhada. Ocasião em que comiam trigo e mel.
Experimentemos pois este alimento, após caminhemos para final de nossa celebração, quando realizaremos o Páscoa.
( - mesa preparada com trigo cozido e mel - )
Dirigente 2 - Para o homem da bíblia, a Páscoa é a mais importante de todas as festas. Isso transparece muito bem tanto no Antigo como no Novo Testamento.
Israel comemora a passagem da escravidão para a liberdade ou uma festa chamada "Pessah", no 14 de nisan - o primeiro mês do ano bíblico - durante a qual uma refeição concretizará os diferentes aspectos dessa libertação. Ao celebrar essa refeição, denominada "seder", Israel reatualiza a cada ano essa libertação da escravidão, pois a verdadeira escravidão não é aquela do Faraó, mas a do pecado, que conduz o homem à destruição e à morte. A liturgia da "Pessah" não é, pois, a comemoração de um acontecimento passado. Mas ela evoca e celebra o ressurgimento da graça que presidiu a saída do Egito. São três os momentos importantes a serem observados nessa refeição liturgica.
LEITOR 12
Dirigente 2 - Essa libertação, porém permanece inacabada. A libertação do Egito não é senão o sinal precursor da Redenção final. Eis por que em cada noite de Páscoa, enche-se um copo a mais em honra do profeta Elias que cristaliza a esperança messiânica de Israel. Certas tradições afirmam ainda que só o Messias, quando vier, poderá tomar deste cálice e a partilhá-lo, realizando assim de modo total a libertação da humanidade.
Leitor 12 - Vamos preparar agora a ceia pascal judaica
Nos lares das famílias judias, cabia a mulher acender as luzes dos candeeiros e, assim, dar vida e alegria ao ambiente que se realizavam as solenidade. Podemos até supor que na última ceia foi Maria quem o fez.
A Igreja Católica, conservando esta tradição, inicia a cerimonia da vigília pascal com a bênção da luz, símbolo da vinda de Cristo, o Messias a Luz do Mundo, também o uso de velas nos altares tem sua origem nesse antigo costume.
( coloca-se na mesa a vela que nos acompanhou deste a primeira celebração - e a partir dela acende-se outras velas na mesa )
( Na mesa - recipientes com ervas amargas verdes - recipiente com salmora - pães sem fermento - carne assada - 1 taça de vinho - )
Dirigente 2 - Todo alimento servido na Páscoa judaica era abençoado antes de ser consumido, isto é, o chefe da casa agradecia a Deus, bendizendo-o por cada um de seus dons.
Do mesmo modo hoje, o pão e o vinho a serem consagrados, são "abençoados" pele celebrante, durante o chamado "ofertório" da missa
Leitor 13 -
Oração: - Bendito sejas tu, Adonai, nosso Deus, rei do Universo, que nos escolhestes entre todos os povos, nos exaltaste acima de todas as línguas e nos santificastes com os teus mandamentos. Com amor eterno nos deste, ó Senhor nosso Deus, dias santificados, para que celebrássemos esta festa do pão ázimo. Por isso reunimo-nos comemorando a nossa libertação, lembrando nosso êxodo do Egito. Bendito sejas Tu, porque nos escolhestes e nos santificaste acima de outros povos, e nos deste por herança este tempo sagrado. Bendito sejas tu. Ó nosso Deus, que santificaste Israel e suas festas.
Dirigente 2 - Experimentemos os alimentos da Seder, ao estilo da época tomemos as ervas e molhamos na salmoura para comer, depois pequenos o pão sem fermento e a carne.
( mesa preparada com ervas, carne e pão - Cada participante come da mesa - )
Dirigente 2 - Realizamos de maneira bastante simplificada a Seder, apenas para ilustrar a Páscoa e atualiza-la, continuemos.
Leitor 12 - O desejo ardente de Jesus celebrar a Páscoa com os seus discípulos explica-se facilmente. Ele mostrava desta forma que iria realizar plenamente a libertação total da humanidade pelo Dom de seu corpo e de seu sangue.
A Eucaristia instituída na noite de Quinta-feira santa, é então apresentada como o prolongamento e ao mesmo tempo como o pleno cumprimento da Páscoa inaugurada com a saída do Egito.
O Evangelho segundo Lucas é muito preciso em sua descrição da refeição Eucarística
Leitor 2 - " Depois de Ter ceado, tomou o cálice, dizendo: 'Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que será derramado por vós'" ( Lc 22,20)
Dirigente 2 - No desenrolar da Liturgia pascal, no final da refeição, só o cálice destinado a Elias não era consumido. São Lucas parece pois indicar que Jesus tomou este cálice para reparti-lo com seus discípulos e manifestar assim a obra de libertação que ele viera realizar.
Temos neste detalhe uma das mais fortes afirmações pelas quais Jesus Ter-se-ia apresentado, ele mesmo, como o Libertador, o Messias. No dia seguinte, Sexta-feira santa, o sangue de Jesus será derramado na porta de Jerusalém, como o sangue do cordeiro nas portas dos filhos de Israel no Egito.
Leitor 12 - A Páscoa, na qual se acham reunidas a saída do Egito, a travessia das águas da morte e a ressurreição de Cristo, é portanto para a própria Bíblia o acontecimento central da história da humanidade e da economia da salvação.
O amor é mais forte que a morte e o será para sempre.
Dirigente 2 - Entremos na capela para concluirmos nossa celebração.
A cada missa que participamos, realizamos a Páscoa.
A cada missa que participamos recordamos solenemente os acontecimentos da paixão morte e ressurreição de Jesus.
Todas as vezes que o sacerdote toma o pão e o vinho, estamos na verdade participando com Jesus da sagrada ceia, a ceia derradeira que aconteceu na Quinta feira santa. Na verdade nos comemos do mesmo pão que Jesus comeu, e bebemos do mesmo cálice de Elias que Jesus tomou e o repartiu com o seus.
Ouçamos uma vez mais, esta leitura de São Lucas, na verdade já a ouvimos tantas e tantas vezes, atentamente mais uma vez.
Leitor 13 - LER LUCAS 22,14-20
Dirigente 2 - Para nos vicentinos, depois desta caminhada lembrando toda a história da salvação, a história do povo escolhido por Deus para ser seu povo, onde nos situamos? Qual a nossa espiritualidade? Nosso trabalho situa-se junto a quem?
São alguns questionamentos que poderíamos fazer nesta noite.
Façamos a nossa última refeição nesta celebração, vamos beber do vinho de Elias, lembrando a nossa libertação e comer o pão.
( - É distribuído com copinho de café com vinho e um pedaço de pão para os participantes - )
Dirigente 1 - Podemos agora proclamar a Boa Nova até às extremidades da terra.
Podemos agora dizer somos livres da escravidão do pecado.
Mas enquanto existir um só filho de Deus sofrendo, passando necessidade, eu não serei livre.
Não serei totalmente livre porque no repartir do cálice eu me comprometo com a causa da salvação, iniciado na terra da escravidão, no Egito, e atualizada em Jesus Cristo.
Toda vez que sou omisso, nas causas de injustiça, toda fez que participo ainda que indiretamente de situações que levem a opressão, a vantagens mesquinhas, sou parceiro do pecado e da escravidão.
Nós vicentinos temos que ver com clareza onde e como atuar dentro da economia da salvação.
Num momento de silêncio reflitamos sobre nossas ações. ( pausa ) Com o abraço da paz, vamos em paz.
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo