O Hoje de Deus
em nosso chão
Catequese Rumo ao Novo Milênio
Instrumento de Trabalho
em preparação ao
VII Encontro Nacional de Catequese
APRESENTAÇÃO
Entregamos às equipes diocesanas de catequese o presente subsídio. É um instrumento de trabalho em vista do 7º Encontro Nacional de Catequese, no próximo mês de setembro. Quem sabe, poderá servir de estímulo para as equipes paróquias também participarem da preparação desse Encontro. Quanto maior a participação, tanto mais chance teremos para descobrir e viver "O hoje de Deus em nosso chão".
A catequese tem um lugar específico dentro do processo de evangelização. Sendo assim. O Projeto "Rumo ao Novo Milênio" convida os catequistas a aprofundarem o seu ministério neste final de século a fim de dar razão de sua esperança num mundo que nas suas próprias conquistas não consegue sentir-se à vontade.
O presente instrumento de trabalho quer ser uma ajuda nesta nossa reflexão catequética que, feita mutirão, não deixará de dar seus frutos com a graça do Senhor através do próximo Encontro Nacional de Catequese.
Dom Vital J.G. Wilderink
Bispo da linha 3 na CNBB
Introdução
Estamos nos preparando para o 7o Encontro Nacional de Catequese. Ele faz parte de um processo no qual a reflexão dos catequistas vai sendo alimentada para acompanhar o que acontece no Brasil e na Igreja.
Memória
Vamos rever esse caminho, lembrando os Encontros anteriores? Veja aí como foi! |
1983- 1o Encontro Nacional de Catequese
Temas: Estudo das Diretrizes da Ação Pastoral da Igreja no Brasil e do documento Catequese Renovada
1985- 2o Encontro Nacional de Catequese
Tema: Avaliação da caminhada feita a partir de Catequese Renovada.
1986- Semana Brasileira de Catequese (que foi um grande instrumento de divulgação e incentivo para a Catequese Renovada)
1987- 3o Encontro Nacional de Catequese
Temas: As novas Diretrizes; as orientações da Semana de catequese; busca de caminhos para a formação de catequistas
1989- 4o Encontro Nacional de Catequese
Tema: Formação de catequistas; pedido de uma Mobilização Nacional.
| 1991-
5o Encontro Nacional de Catequese Tema: Inculturação, com destaque para a religiosidade popular e a cultura regional. Aqui começou a ser usado o símbolo da construção da "casa da catequese", que se apoiava sobre 4 colunas: - Catequese inculturada - Catequese de adultos - Nova leitura da realidade - Formação de catequistas |
| 1994-
6o Encontro Nacional de Catequese Tema: Catequese para um mundo em mudança, com destaque para a modernidade e o mundo urbano. Continua a construção da casa da catequese. Na avaliação, os catequistas destacaram como grandes necessidades: formação bíblica e espiritualidade adequadas aos novos tempos. |
E agora, para onde vamos? |
O ano de 97 é o primeiro do período de preparação para a virada do milênio, de acordo com o que foi pedido pelo papa na encíclica "O advento do terceiro milênio". No Brasil, foi elaborado o Projeto Rumo ao Novo Milênio. A catequese, é claro, não fica de fora. Assim, nosso 7o Encontro junta a reflexão já encaminhada no encontro anterior com as orientações desse projeto de pastoral de conjunto desencadeado em toda a Igreja.
Por isso teremos:
1997- 7o Encontro Nacional de Catequese
Tema: Catequese Rumo ao Novo Milênio
Lema: O hoje de Deus no nosso chão
O desenho que simboliza o 7o Encontro
Observe na capa deste livreto o nosso desenho-símbolo. Ele repete as marcas do 50 e do 6o Encontros e acrescenta novos elementos:
- a favela, periferia das cidades, lar dos pobres
- os passos no chão concreto da vida do povo
- o sol da esperança de um novo horizonte porque Deus está presente hoje, no nosso chão
A Bíblia continua como grande iluminação. Mantemos os
desenhos anteriores porque não partimos do zero: estamos continuando um processo. Acrescentamos novos elementos porque queremos avançar.
O ano 2ooo está chegando, e isso não depende de nós. Mas estamos falando em "rumo", direção. Que rumo é esse que queremos assumir? |
A Igreja do Brasil se prepara com um espírito bem definido para chegar lá. Observe alguns aspectos que marcam a direção do nosso caminho:
| Os rumos que não queremos: | Os rumos que estão sendo propostos: |
| - medo de fim
de mundo - Igreja centrada na busca de poder - guerra com os que não concordam conosco - disputas internas, cada um se sentindo mais "dono de Deus" que o outro - fuga do mundo, visto como lugar de perdição - espiritualidade desligada das necessidades dos irmãos - Igreja voltada para dentro, cuidando só dos praticantes - desigualdade social: uns tendo tudo e a maioria nem o necessário para viver - discriminação de raça, de cor, de classe social |
- Uma
espiritualidade esperançosa, sem medo - Uma Igreja humilde, servidora na gratuidade - Diálogo com os diferentes, busca de ecumenismo - Comunhão interna, um complementando o outro - Valorização do que há positivo no mundo moderno - Espitualidade que é boa nova para os pobres - Igreja capaz de acolher e ir ao encontro de quem precisa dela. -igualdade: onde todos tenham, ao menos, o necessário para viver - Valorização de todos respeitando suas diferenças |
O Projeto Rumo ao Novo Milênio resume isso dizendo que não se deseja evangelização reduzida a um só aspecto. A evangelização precisa dar conta de 4 exigências: serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão- tudo isso feito de forma inculturada.
PARA REFLETIR
INDIVIDUALMENTE OU EM GRUPO: Como estamos percebendo esse projeto global de evangelização da Igreja do Brasil? Que orientações importantes desse projeto trariam novos rumos à nossa catequese?
Capítulo 1
O dia do chamado é sempre hoje
Na Bíblia, muitos apelos urgentes são reforçados com ênfase na palavra hoje. O Deuteronômio, após apresentar a lei de Deus, convida a uma escolha: "hoje ponho diante de ti a vida com o bem e a morte com o mal" (Dt 30,15). E Paulo diz: "Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação" (2 Cor 6,2).
É que "hoje" é o único tempo no qual podemos tomar decisões. Por isso, é muito trágico perder oportunidades: o momento perdido não volta. Quem já viveu essa experiência sabe como é doloroso lamentar o que não fizemos na hora certa. Pode ser o abraço que não demos, o emprego pelo qual não tivemos garra de lutar, o protesto que calamos, a ajuda que não soubemos oferecer- tudo isso fala do momento que não aproveitamos e se perdeu.
Diante disso, é fácil perceber a importância de identificar os chamados "sinais dos tempos", que são os apelos que Deus nos faz exatamente através das características do momento, daquilo que nos cerca "hoje".
Há, porém, momentos especiais, mais carregados de significado, cheios de apelos da graça. O jubileu da virada do milênio é um desses momentos. Começar um novo século (mais ainda: um novo milênio!) tem gosto de caderno novo. Dá vontade de passar tudo a limpo, fazer direito o que estava torto. Na Bíblia, tempo de jubileu era tempo de refazer as relações humanas de acordo com o projeto de Deus: libertar cativos, perdoar dívidas, redistribuir igualmente os bens. Era um chamado a recomeçar, buscando não repetir erros do passado.
E o passado não conta? Não é lá que estão nossas tradições e os fundamentos da história da fé? |
O "ontem" é muito importante como iluminação para o que fazemos hoje. É lá que estão o patrimônio da fé, o exemplo dos que nos precederam, a nossa origem como Igreja. Lá buscamos a experiência do povo de Deus ao longo da história. Tudo isso é recado de Deus e inspiração para a nossa busca de novos caminhos.
Porém, o passado pode igualmente funcionar como obstáculo. Isso acontece quando ficamos repetindo rotinas pastorais inadequadas, apegados a procedimentos que não funcionam mais, com medo do novo, sem capacidade de adaptação às necessidades que surgem. O passado é também muitas vezes idealizado. Por exemplo: ao falar dos problemas morais de hoje, esquecemos muito facilmente que o passado tinha escravidão, dupla moral doméstica, pouca sensibilidade para direitos humanos etc.
Pensando, portanto, no "hoje de Deus em nosso chão", vamos ouvir e interpretar o apelo de Jesus, que nos chama a evangelizar.
O evangelho de Marcos nos diz que Jesus "chamou os que ele quis" (Mc 3,13). Depois, nos fala das instruções que estes, que foram chamados, receberam:
Então chamou os doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos. Ordenou-lhes não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bastão; nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto; como calçados, unicamente sandálias, e que não se revestissem de duas túnicas. E disse-lhes: Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela, até vos retirardes dali. Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra eles. Eles partiram e pregaram a penitência. Expeliam numerosos demônios, ungiam com óleo a muitos enfermos e os curavam. Mc 6,7-13
a) enviou-os, dois a dois: evangelização não é assunto particular de nenhum cristão ou grupo, é tarefa levada adiante em nome do Senhor e a serviço da comunidade. Onde há pelo menos dois, tem que haver espaço para a diversidade, o diálogo entre os que evangelizam.
b) sem levar sinais de segurança humana (dinheiro, duas túnicas, mochila...): para nem ter a tentação de nos impormos pela força, vamos despojados de tudo que possibilitaria um projeto dominador.
c) sem levar nem mesmo pão: isso significa que temos que receber do outro, aceitar que ele nos alimente, depender dele. Não vamos só para "dar", vamos para trocar, partilhar. Inculturação passa por aí: nos alimentamos da cultura, da forma de vida das pessoas que evangelizamos.
d) ficando na casa que nos recebe até o fim da missão: não se começa um projeto para largar tudo pelo meio; é preciso dar tempo para as coisas acontecerem, sem ficar feito barata tonta fazendo tudo superficialmente.
PARA REFLETIR
INDIVIDUALMENTE OU EM GRUPO:Que hábitos e atitudes teriam que ser superados na catequese para atender melhor aos apelos do hoje em nossa realidade?
Capítulo 2
O mundo de hoje busca novas luzes
No sexto Encontro Nacional a reflexão contemplou as necessidades da catequese num mundo que está em acelerada mudança. Não é assunto que se esgote. Muitos temas terão que ser retomados, aprofundados. Outros aspectos terão de ser incluídos porque o processo de mudança não estacionou.
Este mundo em que vivemos é o chão e o momento onde temos que dar resposta ao chamado da graça. É um mundo angustiado em busca de luzes para o sentido da vida, para a busca da felicidade que está no fundo de cada ser humano. Através das necessidades desse mundo Deus nos faz apelos profundos que a catequese precisa ouvir e nos envia em missão.
A) Enviados ainda hoje para pregar e expulsar os demônios (Cf Mc 3, 14-15)
E quais seriam os demônios de hoje? |
Muita gente se pergunta se não teríamos que realizar hoje aquele tipo de milagres que acompanhava a pregação dos primeiros discípulos. Os tempos são outros e as necessidades exigem uma presença da Igreja com características diferentes. Mas seria muito estranho estar com Jesus e não produzir obras capazes de despertar algum tipo de admiração. Afinal, Jesus veio para vencer o mal e nós continuamos a sua missão. Onde Jesus chegava, os demônios eram expulsos, o mal recuava. Não seria esse um dos sinais que o mundo espera de nós para poder crer no evangelho?
Muitos males afligem o mundo de hoje e desafiam os catequistas, discípulos de Jesus. Poderíamos refletir um pouco mais sobre alguns:
- A situação de tantos excluídos num sistema individualista
De vez em quando alguém (desde o papa até o catequista de base) lembra que, no meio de tantos estudos sobre a modernidade, não podemos perder a opção preferencial pelos pobres. É bom que lembrem. Mas fica no ar uma inquietação: Se é preciso lembrar tanto deve ser porque há quem esteja esquecendo...
O sistema e a economia neo-liberal de fato esqueceram deles. Muitas vezes até os setores mais organizados da luta popular não levam em conta os que não fazem parte do mercado de trabalho, nem mesmo na condição de explorados.
Na busca de paz num mundo caótico certos movimentos religiosos se distanciam da massa sofrida dos empobrecidos. O "salve-se quem puder" não é só econômico. Freqüentemente é até religioso: muita gente anda de fato buscando resolver seu problema particular com Deus sem se dar conta das exigências do Reino em relação à solidariedade com os mais abandonados.
Primeiro dá vontade de perguntar: O que será deles se não puderem contar nem com os discípulos de Jesus? Mas depois vem logo outra pergunta muito séria: O que será de nós, como Igreja, se não ouvirmos esse clamor?
Mas não basta ouvir o clamor. Teremos que buscar meios de desenvolver uma solidariedade que não seja simples esmola ocasional, mas que produza algum tipo de assistência aos que não estão em condições de se organizar e conquistar direitos. O excluído não está na mesma situação do assalariado explorado: ele é considerado dispensável em termos econômicos e humanos: não faz falta, "atrapalha". Nessa categoria entrariam os excluídos do mercado de consumo, mas também os excluídos do afeto, do respeito de seus semelhantes, por vários motivos.
É verdade! Mas até na organização da catequese às vezes há muita gente excluída, que não cabe nos nossos regulamentos... |
- A falta de esperança que vem da perda de sentido
O grupo Mamonas Assassinas, que há algum tempo desapareceu, vítima de desastre de avião, antes de fazer sucesso com o chamado "besteirol", tentou cantar música séria e não fez sucesso. A expressão dos jovens mudou: a geração de 68 cantava músicas de protesto que convidavam à militância. A juventude dos anos 90 canta um deboche de mundo em que é obrigada a viver. Reclama, agride como pode, mas não está mobilizada para a transformação.
O que foi que aconteceu? Faliram as grandes utopias, sumiu do horizonte a meta que gerava projetos de vida empolgantes. E aí o pessoal vive o "hoje", como se não houvesse futuro. Fala-se em busca desenfreada de prazer, em individualismo extremo e consumismo, em desconsideração de limitações éticas... Esse clima de "cada um faz o que quer", porém, não está produzindo realização pessoal e alegria de viver. Quem fizer uma pesquisa daquilo que os jovens andam cantando vai encontrar muito grito de desespero, disfarçado por trás das letras que acompanham o ritmo frenético das canções da moda.
A falta de esperança atinge até os relacionamentos que antes eram "românticos": afinal, quando jovens decidem "ficar", em vez de se comprometerem um com o outro, estão implicitamente dizendo que não acreditam no amor, que não é daquela vez que encontraram uma parceria que responda à fome de afeto do seu coração.
Numa situação desse tipo é prioritário recompor horizontes, tornar possível a redescoberta de um projeto de vida que faça sentido. Não basta, na catequese, ensinar doutrinas, refletir sobre este ou aquele tema. É necessário re-propor em linguagem nova as grandes linhas do sentido cristão da vida a luz do Evangelho. Essa proposta terá que ser apresentada em diálogo com as maneiras de viver do nosso tempo, sem gosto de sermão de antigamente. Temos que ajudar a fazer as perguntas vitais de hoje, sem antecipar respostas estereotipadas. O outro tem que fazer seu caminho de redescoberta a partir da oferta do projeto de Jesus e da esperança testemunhada na comunidade. Não se trata apenas de "conhecer a doutrina da Igreja", trata-se de saber para que estamos vivos. E talvez o próprio catequista tenha que redescobrir dentro de si mesmo a resposta para essa pergunta.
Isso supõe uma catequese de estilo mais sapiencial (a chamada sabedoria de viver), com muita sensibilidade para as inquietações do catequizando e do ambiente em que vivemos.
Talvez, em vez de dar respostas, nós catequistas teríamos que aprender a ouvir as perguntas que a vida nos faz... |
- O consumismo que gera ansiedade, frustração e desvaloriza as pessoas
Assim como o povo de Deus no deserto, sentindo-se longe de Deus, inventou um substituto (o bezerro de ouro) para preencher esse vazio, parece que as pessoas tentam acalmar suas verdadeiras necessidades com a aquisição de todas as novidades que aparecem no mercado. Para quem pode, "fazer compras" é muitas vezes um "relax" em situações de tensão, ou de redução da auto-estima.
O mercado estimula a troca pelo mais moderno, necessário ou não. A mercadoria passa ser um sinal da identidade do dono: serve para marcar posição social de quem pode ostentar mais. Mas o consumismo é um poço sem fundo, sempre insatisfeito, querendo mais.
Se não satisfaz aos que podem comprar, o consumismo deixa frustrados e desvalorizados os que não podem. Crianças, por exemplo, querem o que vêem anunciado. Pais que não podem atender a esses pedidos, como se sentem?
Junto com o consumismo vem a mentalidade do descartável, o desperdício, a falta de consideração com o planeta, que não tem como sustentar esse estilo de consumo sem freio. Dentro e fora da Igreja há vozes que alertam para a necessidade de colocar a ética e a solidariedade acima das exigências do mercado. Há quem compare o mercado com os ídolos pagãos, sempre exigindo sacrifícios de vidas humanas.
A catequese teria que ajudar a redescobrir que a pessoa vale mais que as coisas... |
- A solidão num ritmo vertiginoso de vida
Onde todo mundo corre, o sistema incentiva a competição e tantos têm medo de se comprometer, os relacionamentos humanos podem ficar superficiais. Mas continuamos necessitando ser aceitos, encontrar nossa turma, conhecer e ser conhecidos (como apontou Jesus parábola do bom pastor). Fazemos parte de grandes grupos de gente anônima: no trânsito das grandes cidade, nos locais de lazer, nos fichários dos computadores dos bancos, no supermercado. No entanto, as cidades também são lugares de encontro, se soubermos cultivar a genuina alegria de descobrir e valorizar o outro.
E como é que fica se formos anônimos e solitários também na Igreja? |
Enviados para pregar numa situação nova
Durante muito tempo tivemos uma grande massa de fiéis que vinham do chamado catolicismo herdado. É aquele pessoal que é católico porque o pai, o avô, o bisavô eram. Isso garantia que os números das nossas estatísticas fossem altos, mas colocava sob o rótulo de católicos um grupo enorme de gente que, de fato, nunca parou para pensar e não optou verdadeiramente por Jesus.
Quando o catequista de crianças diz, às vezes em tom meio saudosista, que hoje as famílias não cooperam, talvez fosse bom perceber que isso significa que a catequese do passado (não a de hoje) é que não produziu o fruto esperado.
Hoje as pessoas estão, cada vez mais, contestando as instituições tradicionais. A pressão de "ser como nossos pais" é menor. A cidade oferece mais liberdade. Muitos lamentam isso, mas está aí uma oportunidade preciosa de começar a fazer uma catequese mais autêntica.
Evangelizar é convidar a uma decisão própria, pessoal, pelo projeto de Jesus. Não é cumprir tradições familiares ou sociais. Seja criança, jovem, adulto, ou idoso, o catequizando é o único que pode dizer a palavra adesão à fé da Igreja. Ninguém responde por ele e seria perigosa ilusão contentar-se com respostas superficiais ou obtidas sob pressão. Não se trata de "embelezar" as estatísticas de recepção de sacramentos. Trata-se de tomar posição numa luta pelo bem da humanidade. Não é lugar para "faz de conta".
B) Enviados para produzir fruto unidos
Marcos mostra Jesus enviando os seus dois a dois, em comunidade e unidos a ele. No evangelho de João essa união fica mais bem explicada na imagem da videira e dos ramos. Leia em João 15,1-11. Jesus é a videira, seus seguidores são os ramos, unidos a ele e partilhando entre si o que dele recebem.
Essa imagem nos mostra a comunidade como uma comunhão de relações recíprocas. Todos permanecem unidos ao tronco-Jesus mas cada um é um ramo no meio dos outros, ninguém é dono da árvore. E só assim podemos dar fruto. Esse tipo de relacionamento está em contraste com muita luta interna por poder, com muita forma individualista de evangelizar. Somos chamados a permanecer junto com os outros no amor de Jesus, que deve ser maior do que as nossas diferenças. Somos chamados também a ver com alegria os bons frutos de outros ramos.
Aí está a força de uma comunidade unida em Jesus. Aí está também um problema que os catequistas conhecem de perto: como fazer catequese para inserir os catequizandos numa comunidade, quando de fato a comunidade que existe não corresponde a essa imagem dos ramos unidos na mesma videira?
Catequese não é só ensinar. É também ajudar a construir clima de comunidade. Para isso há algumas atitudes bem concretas que poderiam ajudar... |
Construir comunidade é coisa que se faz com paciência, caridade, despojamento. Só Deus julga os ramos e os poda. Deus é quem sabe quem é ramo seco. O futuro da videira-Igreja é confiado ao vinhateiro-Deus, não a este ou aquele ramo. Permanecer com Deus é permanecer uns com os outros (em diálogo e testemunho de comunhão) e não há outra maneira de dar os esperados frutos (serviço e anúncio).
C) Pensando nos rumos da catequese hoje em nosso chão
Se precisamos de uma catequese mais sapiencial (cheia de sabedoria de vida) temos que ter uma catequese que ajude a observar o que acontece, sem ingenuidades, mas também sem preconceitos. Teríamos que ser capazes de seguir o conselho de São Paulo: "Examinai tudo e ficai com o que é bom."
Principalmente teríamos que enxergar melhor as possibilidades e os apelos de algumas características do nosso tempo. Por exemplo:
- Catequese diante da maior liberdade de escolha das pessoas
Muita gente vive a lamentar que hoje as pessoas não se sentem mais obrigadas a seguir o que diz a Igreja: não "fica feio" atualmente deixar de seguir certos preceitos ou até nem ter religião. Deveríamos perceber os dois lados desta questão. Não há aí só uma perda, um aspecto negativo. Há a grande oportunidade de fazer uma real opção pela fé cristã, de aderir com consciência, num ato de verdadeira conversão. Isso, é claro, exige que se deixe a postura acomodada de "catequese de manutenção" e se passe a uma proclamação mais séria, inteligente e respeitosa das "razões da nossa esperança". Se até hoje não nos preparamos para isso, devemos dar graças a Deus pelo mundo moderno que vai nos obrigar a fazer o que já deveríamos ter feito por exigência de nossas próprias perguntas existenciais .
- Catequese e pluralismo religioso
A multiplicidade de ofertas religiosas, umas respeitáveis e outras nem tanto, coloca a urgência de definir para nós mesmos em que consiste essencialmente a proposta cristã. A necessidade de diálogo nos obriga a ter claro o que é fundamental e o que é acessório na nossa prática religiosa. É característico deste nosso tempo que muitos "montem" sua religião como uma espécie de mosaico religioso, construído com peças de diversas origens , nem sempre logicamente coerentes entre si. Esse mosaico é constantemente feito e refeito, na medida das experiências a que cada um tem acesso.
Como muitas vezes Deus escreve certo por linhas tortas, esse mesmo pluralismo vai ser mais um motivo para buscar com muito empenho o que precisamos reconstruir com carinho e a máxima urgência: a unidade dos cristãos. Se cristãos divididos perderiam força em qualquer situação, mais importante é ainda essa união para que possamos apresentar ao mundo um testemunho coerente. É como disse Jesus: que sejam um, para que o mundo creia.
Isso requer uma revisão profunda nos manuais e nas práticas da nossa catequese. Conteúdos novos, mais ecumênicos, terão que ser incluídos, maneiras discriminatórias de falar precisam ser esquecidas.
É claro que os catequistas só farão isso com um estudo melhor da doutrina da sua própria Igreja e daquilo que outros grupos professam. O Projeto Rumo ao Novo Milênio publicou um subsídio sobre a dimensão ecumênica (O que é ecumenismo?) que seria muito útil na formação de catequistas.
- Catequese e os múltiplos interesses da grande cidade
Temos discutido que a cidade grande é o lugar das múltiplas opções, diferente do campo ou dos povoados menores, onde a vida das pessoas segue mais ou menos o mesmo ritmo. Mas ainda estamos muito acostumados a enquadrar todo mundo no mesmo regulamento, na mesma linguagem, no mesmo estilo de evangelização. Isso é visível, por exemplo, na organização da catequese da maioria das paróquias. Quando alguém não cabe no nosso esquema costumamos dizer que a pessoa não colabora, tem má vontade. Mas será isso mesmo? Talvez essas pessoas precisassem de uma pastoral mais criativa, diversificada, mais de acordo com o jeito de ser de cada um. Essa diversidade, quase sempre vista como obstáculo, deveria começar a ser enxergada como convite a descobrir outras formas de presença de Deus na vida das pessoas e a experimentar estruturas diferentes de evangelização.
Nossa catequese é ainda quase só preparação para sacramentos. Se vamos atingir o público que está fora da nossa Igreja temos que abrir outros horizontes, que possam incluir aqueles que talvez nunca cheguem a participar de sacramentos, os que não podem seguir nossos horários, os que têm interesses particulares que vão exigir abordagens mais originais da mensagem cristã.
- Catequese capaz de usar os recursos do mundo secular
A Igreja está cheia de gente boa, mas existem também muitos valores fora das fronteiras eclesiais visíveis. Há muita gente querendo um mundo melhor, questionando injustiças, denunciando violações de direitos humanos, praticando e ensinando a solidariedade. São parcerias que precisaríamos valorizar. Além disso, o mundo secular produz muita coisa que pode estimular a reflexão catequética: filmes, aventuras de superheróis, quadrinhos com crítica à realidade social, canções que falam da vida que vivemos, notícias de jornal, peças de publicidade... Apesar de toda a nossa busca de interação fé e vida, ainda temos muita dificuldade para usar e interpretar o que não vem rotulado como especificamente religioso.
- Catequese que é boa notícia para os pobres
Não basta ter solidariedade com as lutas socio-políticas dos pobres, embora isso seja indispensável. É preciso também compreender a cultura, as aspirações pessoais, emocionais e religiosas do povo pobre. Muito já foi feito nas comunidades eclesiais de base, mas ainda os mais pobres nem sempre estão à vontade nas nossas paróquias. Alguns dos nossos regulamentos são, para eles, incompreensíveis ou demasiadamente pesados. Nem sempre levamos em conta o gênero de vida, a maneira de pensar das famílias que praticam o catolicismo chamado popular. Para ser Boa Nova para os pobres, a catequese tem que acontecer numa comunidade que saiba recebê-los, onde eles se sintam em casa.
Temos que considerar também que o mercado se comporta como uma religião que exige sempre o sacrifício de novas vítimas. Essa é a idolatria mais grave de nosso tempo. Enquanto muitos se preocupam com "desvios religiosos", denunciando outros grupos como idólatras, a religião do mercado vai sacrificando os pobres no altar do lucro. Diante dessa abominação que vitima os fracos, filhos de Deus, a catequese precisa de uma palavra profética.
Aqui entra um dado que não é exatamente novo, mas que até hoje não teve muita entrada na catequese. A Igreja tem-se manifestado a respeito dos graves problemas sociais do nosso tempo. O conjunto do que a Igreja ensina sobre esses assuntos é o que chamamos Doutrina Social da Igreja. Porém, isso está em documentos que a maioria dos nossos catequistas não conhece e talvez não conseguisse ler com facilidade. Não estaria mais do que na hora de dar o devido espaço a esse conteúdo da nossa fé?
- Catequese que não para no meio do caminho
Catequese que prepara sacramentos será sempre limitada a certos períodos. Se queremos catequese permanente temos que inventar novas modalidades e um novo espírito de trabalho. Adultos precisam ser tratados como adultos, não como meios para atingir crianças e, menos ainda, como pessoas chamadas à Igreja para ouvir "sermão" e reclamações. Abrir-se ao que cada um tem a dizer será proveitoso para ambas as partes; levar a sério qualquer adulto com quem falamos é um primeiro ato de respeito pela experiência de Deus e da vida que cada um já traz.
Mas não se fará catequese permanente sem projeto de pastoral de conjunto e sem muitas maneiras diferentes e criativas de ir ao encontro das diversas fases da vida e das situações peculiares de cada destinatário.
- Catequese num mundo que busca Deus por outros caminhos
O pessoal da Nova Era diz que cristianismo "já deu o que tinha que dar". Acusam-nos, entre outras coisas, de não ter conseguido construir a paz e a fraternidade que faz parte do próprio projeto de Jesus. Isso nos diz que há um importantíssimo testemunho que o mundo espera de quem se diz "de Deus": é o esforço na construção de relações de paz, de reconciliação, de diálogo ecumênico. Catequese que prepara para a "guerra santa" acaba sendo um contra-testemunho.
Por outro lado, verifica-se que o povo tem fome de Deus e busca manifestações do sagrado. Daí o entusiasmo por anjos, duendes, gnomos, esoterismos variados e, no campo católico, aparições. Isso indica que uma religião que só cuida de doutrinas racionalmente apresentadas deixa de atender a certas necessidades básicas. O homem e a mulher de hoje estão em busca de uma espiritualidade mais intuitiva, que atinja a pessoa por inteiro, não contemplando apenas o raciocínio. A grande questão é fazer isso com discernimento e equilíbrio, para não perder o rumo.
- Catequese na era da informática
Muitos pensam que basta usar meios modernos (TV, vídeo, computador...) para estarmos afinados com os novos tempos. É importante aproveitar as possibilidades dos novos recursos, acompanhar o que há de bom nesse progresso. Mas o uso de novos meios envolve outras técnicas de comunicação, nova linguagem. De outro jeito seria "por remendo novo em pano velho". Além disso, é bom lembrar que nada substitui o contato humano. A informática não é apenas uma nova tecnologia, ela interfere na maneira de viver. Há muitos problemas envolvidos na questão: desemprego em massa, marginalização de quem não domina o novo tipo de saber, redução de capacidades humanas não compatíveis com as exigências da nova tecnologia. Talvez tenhamos que começar a pensar até em dar remédio para a solidão do ser humano diante da toda-poderosa máquina. Como acontece com todos os outros problemas humanos também aí cabe refletir sobre o que é mais favorável à realização plena dos filhos de Deus.
Para deixar de por remendo novo em pano velho, o que precisa mudar na formação de catequistas (no processo, nos conteúdos, na espiritualidade, na metodologia..)? Não seria bom discutir isso em grupo e fazer propostas bem concretas para o 7º ENC? |
Capítulo 3
Novos céus e nova terra
Proclamando o ano da graça do Senhor
Toda a Igreja do Brasil está chamada a se preparar para o grande jubileu do ano 2000. Para que este seja de fato um tempo de graça, teremos que fazer a preparação dentro de um espírito de ternura e acolhimento fraterno dos filhos de Deus. Não estamos nos preparando para combater os que não concordam conosco. Estamos buscando nas raízes da nossa fé aquele amor transbordante do Pai que quer que todos os filhos se salvem. Vamos descobrir a presença do Espírito, que sopra onde quer e sempre chega antes do evangelizador.
A catequese terá que ser um reflexo do amor da Trindade, ao desenvolver seu trabalho dentro das 4 exigências lembradas nas Diretrizes da Ação Evangelizadora da nossa Igreja e no Projeto Rumo ao Novo Milênio:
- serviço: gratuito e desinteressado, oferecido a todos, especialmente aos mais pobres e infelizes. Isso significa que a catequese vai tratar das necessidades do povo de duas formas:
a) como conteúdo - transmitindo aos catequizandos as exigências do amor fraterno e da transformação social. Isso implica, entre outras coisas, incluir a Doutrina Social da Igreja nos nossos programas.
b) como clima e experiência: proporcionando oportunidades para vivenciar esse serviço fraterno, dentro do próprio grupo e junto aos necessitados de todo tipo.
- diálogo: capaz de ouvir as razões do outro, de apresentar correta e lealmente os valores de outras Igrejas cristãs, de se colocar no lugar do outro e respeitá-lo como queremos ser respeitados. Isso vai se refletir numa metodologia que gera escuta e partilha de saber. Vai também significar a inclusão de conteúdos e atividades novas, como, por exemplo: informações ecumênicas, parceria com grupos não religiosos que lutam por boas causas.
- anúncio: oferecido com entusiasmo, como presente valioso, mas não imposto. Para isso será preciso que os catequistas aprendam a distinguir o essencial e conheçam melhor as atuais orientações da Igreja. Muitos defendem com boa vontade suas devoções particulares como se fossem norma obrigatória para todos os católicos.
- testemunho de comunhão: fazendo da própria catequese uma experiência do "Vejam como eles se amam!" Não haverá testemunho sem construção de comunidade e não há comunidade sem participação, respeito mútuo e reconhecimento dos valores diversificados de cada pessoa ou grupo. Os catequizandos não "pertencem" à catequese, são membros da comunidade.
Vamos avaliar como a nossa catequese está dando conta dessas 4 exigências? Onde será que estamos precisando de mudança ou reforço? |
Acompanhados por Jesus até o fim dos tempos (Mt 28,20)
Ao se encarnar na Palestina há 2000 anos o Verbo de Deus se tornou solidário com a humanidade de uma forma surpreendente e muito concreta. Mas essa Encarnação, justamente por ser concreta, localizada num determinado tempo e lugar, tem suas limitações. Jesus teve que assumir um único jeito de ser: era homem, judeu, falava daquilo que sua cultura conhecia. Por isso não temos orientação direta de Jesus sobre um monte de coisas que nos desafiam hoje. Jesus nunca falou de INPS, de reforma agrária, de espírito crítico diante da televisão, de poluição, de tráfico de drogas, de aposentadoria, de viagem ao espaço, de ecologia... e de muitas outras coisas que você poderia acrescentar a essa lista.
Se só pudéssemos contar com aquela presença de Jesus realizada no passado, ficaríamos limitados a repetir o que ele disse e fez e muitas das nossas questões modernas ficariam sem resposta.
Mas o Cristo ressuscitado diz que ficará conosco até o fim dos tempos. Esse Cristo presente não está amarrado ao passado, está aberto para o futuro. Não estamos limitados a recordar a lembrança de um morto. Temos o Cristo como companheiro hoje. Ele nos ajuda a dar novas respostas para desafios igualmente novos. Faremos isso dentro dos critérios do Reino, com a audácia e a liberdade dos filhos de Deus. Faremos prosseguir a tradição da Igreja, sem saudosismo, vendo com alegria os desafios do nosso tempo: são provocações para descobertas emocionantes que podem enriquecer muito a nossa fé e a vida em comunidade.
As promessas que apontam o futuro
Quando Isaías sonha com os tempos do Messias, pinta um quadro daquilo que Deus quer para nós (Is 65,17-25); são as características dos "novos céus e nova terra", com o projeto de Deus realizado:
- a terra (Jerusalém) será só alegria
- não haverá mais choro
- ninguém morrerá prematuramente
- quem trabalha gozará do fruto do seu esforço
- lobo e cordeiro pastarão juntos
- não haverá mais nenhum mal ou desordem
O Apocalipse repetirá a idéia de novo céu e nova terra (Ap 21,1-7).
Isso ainda não aconteceu, mas é para este futuro que temos que encaminhar nossas ações de hoje. É um sonho, uma utopia. Mas é um sonho que o próprio Deus assina e, por isso, temos o direito de sonhar junto, sem que a nossa esperança seja uma loucura.
Na direção desse horizonte vamos planejar com coragem e confiança a nossa catequese. Trata-se de um horizonte que mantém aberta uma estrada para muita coisa que ainda vamos realizar e refletir na caminhada catequética.
Contribuir para esse sonho de Isaías acontecer é muito mais do que ensinar coisas sobre Jesus e a Igreja... |
Uma escolha diante do jubileu
O fim deste milênio não é tempo de prever catástrofes, nem de cair no indiferentismo, no sentido de deixar tudo como está para ver como é que fica. É um tempo especial de graça. Os antigos gregos tinham duas palavras para o tempo: chronos (que é o tempo comum, cronológico, que o relógio marca) e Kairós (para o tempo especial, carregado de significado, que faz certos dias, momentos, anos, serem carregados de oportunidades e emoções). A virada do milênio é para nós um Kairós, um tempo oportuno em que Deus nos chama para uma revisão da qualidade do nosso cristianismo, e da nossa catequese. É tempo de uma nova consciência religiosa, social, política, econômica, a serviço da vida.
Nessa revisão, avaliação de 2000 anos de história, temos duas opções: fazer tudo de novo (sem aprender as lições do passado e sem responder aos apelos de hoje) ou fazer tudo novo (atualizando a nossa história de fé, sem perder o essencial, respondendo à nossa época com criatividade e fidelidade ao projeto de Jesus).
Bem diz Jesus no Apocalipse: Eis que faço novas todas as coisas... Vamos aprender com ele. |
A espiritualidade que permite avançar
Não inventamos novidade para seguir modas passageiras. Ousamos o novo se estivermos atentos e dóceis ao Espírito. É confiando no Espírito que nos aventuramos por caminhos novos, numa Igreja que está viva e que não é simplesmente guardiã de museu.
Só com uma profunda espiritualidade vamos facilitar a experiência de Deus nos novos tempos, vamos trabalhar o emocional e o intuitivo sem cair na alienação, vamos privilegiar um relacionamento sapiencial. As formulações da fé que aprendemos têm grande valor, mas a fé ultrapassa definições e Deus é maior e mais criativo do que ousamos imaginar.
O Projeto Rumo ao Novo Milênio e a nossa catequese voltada para "O hoje de Deus em nosso chão" não são estratégias, receitas, normas. São, de fato, uma forma de espiritualidade: um olhar novo sobre a evangelização, a vida da Igreja e o mundo em que vivemos.
Hoje em nosso chão, a caminho de Nova Jerusalém
A chegada do novo milênio faz muita gente pensar no Apocalipse. Alguns pensam em anúncio de catástrofes mas o Apocalipse é de fato, com muita razão, chamado de "livro da esperança". Nele se encontra a visão simbólica de Nova Jerusalém, retrato do plano de Deus realizado.
A descrição de nova Jerusalém (Ap 21,10 até 22,5) nos anima e nos indica horizontes. É uma cidade de portas sempre abertas porque não haverá mais inimigos contra os quais tenhamos que nos proteger. Nela a árvore da vida dará frutos o ano inteiro ou, como diria Jesus, todos terão vida e vida em abundância. As folhas da árvore da vida curarão as feridas das nações. Dá para imaginar quantas feridas precisariam ser curadas neste nosso Brasil? Nada de detestável acontecerá na cidade, porque lá estará o trono de Deus. Em outras palavras: o Reino de Deus se estabelece por inteiro.
Não vamos ver acontecer agora tudo isso, mas certamente é nessa direção que Deus nos chama a caminhar. Somos chamados a construir justiça, paz, reconciliação, no chão concreto de nossos campos e cidades. É cuidando bem do hoje de Deus em nosso chão que nos tornamos parte desse projeto, que nos promete novo céu e nova terra. E, como é Deus que garante, confiantemente nos colocamos a caminho!
I M P O R T A N T E !
Este texto foi feito para ser confrontado com suas experiências e provocar outras reflexões. Enriqueça-o com novas colaborações, discutindo-o no seu grupo. Depois, seriamente, veja que passos concretos podem ser dados para ajudar a catequese da sua realidade a responder melhor aos desafios de hoje. Faça um relatório e envie para o coordenador regional de catequese até o final de julho de 97.
Mantenha comunicação com a coordenação de catequese do seu Regional. Esse é um bom modo de dar e receber informações sobre o progresso da ação e da reflexão catequética, fazendo uma grande rede nacional de partilha nesse trabalho tão importante.
ORAÇÃO
Em preparação ao 7º Encontro Nacional
Pai querido!
Nós, catequistas do Brasil, te louvamos
pela evangelização realizada
com carinho, criatividade e entusiasmo na catequese
respondendo ao Teu chamado e aos apelos da realidade.
Todos: Bendito seja o nome do Senhor, hoje e sempre.
Senhor, estás presente, no chão da nossa realidade,
no chão da vida do povo sofrido e marginalizado.
Todos: Bendito sejas, Senhor, presente em nosso chão.
Senhor, estás presente, no chão das inquietações e dos anseios de tanta gente,
no chão deste mundo moderno marcado pela técnica,
com seu consumismo, individualismo, desafios e interrogações.
Todos: Bendito sejas, Senhor, presente em nosso chão.
Senhor, estás presente, no chão do coração de muitos
que buscam o sagrado por tantos caminhos duvidosos.
Todos: Bendito sejas, Senhor, presente em nosso chão.
Senhor, olha com carinho nosso 7º Encontro Nacional de Catequese.
Ajuda-nos a refletir com sabedoria sobre os caminhos a percorrer
para evangelizar segundo a Tua vontade,
atualizando nossos métodos e expressões.
Todos: Senhor, nós te pedimos tua luz,
por teu Filho Jesus, que é o Caminho,
pelo Espírito Santo
que une a teu Filho
a todos nós num único Corpo. Amém.
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
Dimensão Bíblico-Catequética
Caixa Postal 2067
70259-970 - Brasília - DF