J� me acostumei com a tua voz
Com teu rosto e teu olhar
Me partiram em dois
E procuro agora o que � minha metade
Quando n�o est�s aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo junto ao teu
Meu cora��o � t�o tosco e t�o pobre
N�o sabe ainda os caminhos do mundo
Quando n�o est�s aqui
Tenho medo de mim mesmo
E sinto falta do teu corpo junto ao meu
Vem depressa pra mim
Que eu n�o sei esperar
J� fizemos promessas demais
E j� me acostumei com a tua voz:
Quando estou contigo estou em paz
Quando n�o est�s aqui,
Meu esp�rito se perde, voa longe
Se fiquei esperando meu amor passar
Se fiquei esperando meu amor passar
J� me basta que ent�o eu n�o sabia
Amar e me via perdido e vivendo em erro
Sem querer me machucar de novo
Por culpa do amor
Mas voc� e eu podemos namorar
E era simples: ficamos fortes
Quando se aprende a amar
O mundo passa a ser seu
Sei rimar rom� com travesseiro
Quero minha na��o soberana
Com espa�o, nobreza e descanso
Se fiquei esperando meu amor passar
J� me basta que estava ent�o longe de sereno
E fiquei tanto tempo duvidando de mim
Por fazer amor fazer sentido
Come�o a ficar livre
- Espero
Acho que sim
De olhos fechados n�o me vejo
E voc� sorriu pra mim
"Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo
Tende piedade de n�s
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo
Tende piedade de n�s
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo
Dai-nos a paz"
Ela me disse que trabalha no correio
E que namora um menino eletricista
Estou pensando em casamento,
Mas n�o quero me casar.
Quem modelou teu rosto?
Quem viu tua alma entrando?
Quem viu tua alma entrar?
Quem s�o teus inimigos?
Quem � de tua cria? A professa Ad�lia, A tia Edilamar E a tia Esperan�a.
Ser� que voc� vai saber
O quanto penso em voc� com o meu cora��o?
Quem est� agora a teu lado? Quem para sempre est�?
Quem para sempre estar�? Ela me disse que trabalha no correio
E que namora um menino eletricista As fam�lias se conhecem bem
E s�o amigas nesta vida. A gente quer � um lugar pra gente
A gente quer � de papel passado Com festa, bolo e brigadeiro A gente quer um canto sossegado
A gente quer um canto de sossego.
Estou pensando em casamento Ma'inda n�o posso me casar.
Eu sou rapaz direito
E fui escolhido pela menina mais bonita.
N�o tinha medo, o tal Jo�o de Santo Cristo,
Era o que todos diziam quando se perdeu.
Deixou pra tr�s todo o marasmo da fazenda
S� para sentir no seu sangue o �dio que Jesus lhe deu.
Quando crian�a s� pensava em ser bandido,
Ainda mais quando com tiro de um soldado o pai morreu
Era o terror da cercania onde morava
E na escola at� o professor com ele aprendeu.
Ia pra igreja s� pra roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar.
Sentia mesmo que era diferente
E sentia que aquilo ali n�o era o seu lugar.
Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televis�o
Juntou dinheiro para poder viajar
E de escolha pr�pria, escolheu a solid�o
Comia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de m�dico, aos doze era professor.
Aos quinze, foi mandado para o reformat�rio
Onde aumentou seu �dio diante de tanto terror.
N�o entendia como a vida funcionava -
Discrimina��o por causa da sua classe ou sua cor
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem, foi direto a Salvador.
E l� chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem e eia perder a viagem
Mas Jo�o foi lhe salvar
Dizia ele: - Estou indo pra Bras�lia,
Neste pa�s lugar melhor n�o h�.
Estou precisando visitar a minha filha
Ent�o fico aqui e voc� vai no meu lugar.
E Jo�o aceitou sua proposta e num �nibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodovi�ria, viu as luzes de natal
- Meu Deus, mas que cidade linda,
No ano-novo eu come�o a trabalhar.
Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro
Ganhava tr�s mil por m�s em Taguatinga
Na sexta-feira ia pra zona da cidade
Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia muita gente interessante
At� um neto bastardo de seu bisav�:
Um peruano que vivia na Bol�via
E muitas coisas trazia de l�
Seu nome era Pablo e ele dizia
Que um neg�cio ia come�ar
E o Santo Cristo at� a morte trabalhava
Mas o dinheiro n�o dava pra ele se alimentar
E ouvia �s sete horas o notici�rio
Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar
Mas ele n�o queria mais conversa e decidiu que,
Como Pablo, ele ia se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E, sem ser crucificado, a planta��o foi come�ar
Logo logo os malucos da cidade souberam da novidade:
- Tem bagulho bom a� !
E Jo�o de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali.
Fez amigos, frequentava a Asa Norte
E ia pra festa de rock, pra se libertar
Mas de repente
Sob uma m� influ�ncia dos boyzinhos da cidade
Come�ou a roubar
J� no primeiro roubo ele dan�ou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
Viol�ncia e estupro do seu corpo
- Voc�s v�o ver, eu vou pegar voc�s.
Agora o Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal.
N�o tinha nenhum medo de pol�cia
Capit�o ou traficante, playboy ou general.
Foi quando conehceu uma menina
E de todos seus pecados ele se arrependeu.
Maria L�cia era uma menina linda
E o cora��o dele
pra ela o Santo Cristo prometeu
Ele dizia que queria se casar
E carpinteiro ele voltou a ser
- Maria L�cia pra sempre vou te amar
E um filho seu eu quero ter.
O tempo passa e um dia vem � porta um senhor de alta classe
com dinheiro na m�o
E ele faz uma proposta indecorosa e diz que espera uma resposta.
Uma resposta de Jo�o:
- N�o boto bomba em banca de jornal nem em col�gio de crian�a
Isso eu n�o fa�o n�o
E n�o protejo general de dez estrelas, que fica atr�s da mesa
Com o cu na m�o
E � melhor o senhor sair da minha casa
Nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpi�o.
Mas antes de sair, com um �dio no olhar, o velho disse:
- Voc� perdeu sua vida, meu irm�o.
Voc� perdeu a sua vida meu irm�o. Voc� perdeu a sua vida meu irm�o.
Essas palavras v�o entrar no cora��o
E eu vou sofrer as consequ�ncias como um c�o.
N�o � que o Santo Cristo estava certo
E seu futuro era incerto e ele n�o foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira descobriu que tinha outro
Trabalhando em seu lugar
Falou com Pablo que queria um parceiro
E tamb�m tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bol�via e Santo Cristo revendia em Planaltina.
Mas acontece que um tal de Jeremias, traficante de renome,
Apareceu por l�
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que, com Jo�o ele ia acabar.
Mas Pablo trouxe uma Winchester-22
E Santo Cristo j� sabia atirar
E decidiu usar a arma s� depois
Que o Jeremias come�asse a brigar.
(O Jeremias, maconheiro sem-vergonha,
organizou a Rockonha
E fez todo mundo dan�ar.)
Desvirginava mocinhas inocentes
E dizia que era crente mas n�o sabia rezar
E Santo Cristo h� muito n�o ia pra casa
E a saudade come�ou a apertar
- Eu vou embora, eu vou ver Maria L�cia
J� est� em tempo da gente se casar.
Chegando em casa ent�o ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria L�cia, Jeremias se casou
E um filho nela ele fez
Santo Cristo era s� �dio por dentro
e ent�o o Jeremias pra um duelo ele chamou
Amanh� �s duas horas na Ceil�ndia,
em frente ao lote 14, � pra l� que eu vou
E voc� pode escolher as suas armas que eu acabo mesmo com voc�,
seu porco traidor
E mato tamb�m Maria L�cia, aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor
Santo Cristo n�o sabia o que fazer
Quando viu o rep�rter na televis�o
Que deu not�cia do duelo na TV
Dizendo a hora e o local e a raz�o
No s�bado ent�o, �s duas horas, todo o povo
Sem demora foi l� s� pra assistir
Um homem que atirava pelas costas e acertou o Santo Cristo
E come�ou a sorrir.
Sentindo o sangue na garganta,
Jo�o olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro e pras c�meras e
A gente da TV que filmava tudo ali.
E se lembrou de quando era uma crian�a e de tudo que vivera at� ali
E decidiu entrar de vez naquela dan�a
- Se a via-crucis virou circo, estou aqui
E nisso o sol cegou seus olhos e ent�o Maria L�cia ele reconheceu.
Ela trazia a Winchester-22
A arma que Pablo lhe deu.
- Jeremias, eu sou homem, coisa que voc� n�o �.
E n�o atiro pelas costas n�o
Olha pra c� filha-da-puta sem-vergonha,
d� uma olhada no meu sangue
E vem sentir o seu perd�o
E Santo Cristo com a Winchester-22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria L�cia se arrependeu depois
E morreu junto com Jo�o, seu protetor.
E o povo declarava que Jo�o de Santo Cristo era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia da cidade n�o acreditou na hist�ria que eles viram na TV
E Jo�o n�o conseguiu o que queria quando veio pra Bras�lia, com o diabo ter
Ele queria era falar pro presidente,
pra ajudar toda essa gente
Que s� faz sofrer.
Parece coca�na mas � s� tristeza
Talvez tua cidade
Muitos temores nascem do cansa�o e da solid�o
E o descompasso e o desperd�cio herdeiros s�o
Agora da virtude que perdemos
H� tempos tive um sonho
N�o me lembro n�o me lembro
Tua tristeza � t�o exata
E hoje o dia � t�o bonito
J� estamos acostumados
A n�o termos mais nem isso
Os sonhos v�m
E os sonhos v�o
O resto � imperfeito
Disseste que se tua voz tivesse for�a igual
� imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
N�o s� a tua casa
Mas a vizinhan�a inteira
E h� tempos nem os santos t�m ao certo a medida da maldade
H� tempos s�o os jovens que adoecem
H� tempos o encanto est� ausente
E h� ferrugem nos sorrisos
E s� acaso estende os bra�os
A quem procura abrigo e prote��o
Meu amor, disciplina � liberdade
Compaix�o � fortaleza
Ter bondade � ter coragem
E ela disse: - L� em casa tem um po�o mas a �gua � muito limpa
Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se algu�m levasse embora at� o que eu n�o tinha.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-ch�o
De linho nobre e pura seda.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ningu�m consegue entender:
Que o que aconteceu ainda est� por vir
E o futuro n�o � mais como era antigamente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que n�o tem o bastante
E fala demais por n�o ter nada a dizer
Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um s� Deus ao mesmo tempo � tr�s
E esse mesmo Deus foi morto por voc�s -
� s� maldade ent�o, deixar um Deus t�o triste.
Eu quis o perigo e at� sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer voc� de volta pra mim,
Quando descobri que � sempre s� voc�
Que me entende do come�o ao fim
E � s� voc� que tem a cura para o meu v�cio
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda n�o vi.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo � perfeito
E que todas as pessoas s�o felizes.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Est� em tudo e mesmo assim
Ningu�m lhe diz ao menos obrigado.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos �ndios,
N�o ser atacado por ser inocente.
Eu quis o perigo e at� sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer voc� de volta pra mim,
Quando descobri que � sempre s� voc�
Que me entende do come�o ao fim
E � s� voc� que tem a cura para o meu v�cio
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda n�o vi.
Nos deram espelhos e vimos um mundo doente -
Tentei chorar e n�o consegui.
Todos os dias quando acordo,
N�o tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo:
Temos todo o tempo do mundo.
Todos os dias antes de dormir,
Lembro e esque�o como foi o dia:
"Sempre em frente,
N�o temos tempo a perder".
Nosso suor sagrado
� bem mais belo que esse sangue amargo
E t�o s�rio
E selvagem.
Veja o sol dessa manh� t�o cinza:
A tempestade que chega � da cor dos teus olhos castanhos.
Ent�o me abra�a forte e me diz mais uma vez
Que j� estamos distantes de tudo:
Temos nosso pr�prio tempo.
N�o tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora.
O que foi escondido � o que se escondeu
E o que foi prometido, ningu�m prometeu.
Nem foi tempo perdido;
Somos t�o jovens.
Quando tudo est� perdido Sempre existe um caminho Quando tudo est� perdido Sempre existe uma luz Mas n�o me diga isso Hoje a tristeza n�o � passageira Hoje fiquei com febre a tarde inteira E quando chegar a noite Cada estrela parecer� uma l�grima Queria ser como os outros E rir das desgra�as da vida Ou fingir estar sempre bem Ver a leveza das coisas com humor Mas n�o me diga isso � s� hoje e isso passa S� me deixe aqui quieto Isso passa Amanh� � um outro dia N�o � ? Eu nem sei porque me sinto assim Vem de repente um anjo triste perto de mim E essa febre que n�o passa E meu sorriso sem gra�a N�o me d� aten��o Mas obrigado por pensar em mim Quando tudo est� perdido Sempre existe uma luz Quando tudo est� perdido Sempre existe um caminho Quando tudo est� perdido Eu me sinto t�o sozinho Quando tudo est� perdido N�o quero mais ser quem eu sou Mas n�o me diga isso N�o me d� aten��o E obrigado por pensar em mim N�o me diga isso N�o me d� aten��o E obrigado por pensar em mim.