SETE CIDADES audio_icon_small.gif (1117 bytes)

J� me acostumei com a tua voz

Com teu rosto e teu olhar

Me partiram em dois

E procuro agora o que � minha metade

Quando n�o est�s aqui

Sinto falta de mim mesmo

E sinto falta do meu corpo junto ao teu

Meu cora��o � t�o tosco e t�o pobre

N�o sabe ainda os caminhos do mundo

Quando n�o est�s aqui

Tenho medo de mim mesmo

E sinto falta do teu corpo junto ao meu

Vem depressa pra mim

Que eu n�o sei esperar

J� fizemos promessas demais

E j� me acostumei com a tua voz:

Quando estou contigo estou em paz

Quando n�o est�s aqui,

Meu esp�rito se perde, voa longe

 

Se fiquei esperando meu amor passar

Se fiquei esperando meu amor passar

J� me basta que ent�o eu n�o sabia

Amar e me via perdido e vivendo em erro

Sem querer me machucar de novo

Por culpa do amor

Mas voc� e eu podemos namorar

E era simples: ficamos fortes

Quando se aprende a amar

O mundo passa a ser seu

Sei rimar rom� com travesseiro

Quero minha na��o soberana

Com espa�o, nobreza e descanso

Se fiquei esperando meu amor passar

J� me basta que estava ent�o longe de sereno

E fiquei tanto tempo duvidando de mim

Por fazer amor fazer sentido

Come�o a ficar livre

- Espero

Acho que sim

De olhos fechados n�o me vejo

E voc� sorriu pra mim

"Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo

Tende piedade de n�s

Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo

Tende piedade de n�s

Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo

Dai-nos a paz"

 

Descobrimento do Brasil audio_icon_small.gif (1117 bytes)

Ela me disse que trabalha no correio

E que namora um menino eletricista

Estou pensando em casamento,

Mas n�o quero me casar.

Quem modelou teu rosto?

Quem viu tua alma entrando?

Quem viu tua alma entrar?

Quem s�o teus inimigos?

Quem � de tua cria? A professa Ad�lia,   A tia Edilamar E a tia Esperan�a.

Ser� que voc� vai saber

O quanto penso em voc� com o meu cora��o?

Quem est� agora a teu lado? Quem para sempre est�?

Quem para sempre estar�? Ela me disse que trabalha no correio

E que namora um menino eletricista As fam�lias se conhecem bem

E s�o amigas nesta vida. A gente quer � um lugar pra gente

A gente quer � de papel passado Com festa, bolo e brigadeiro A gente quer um canto sossegado

A gente quer um canto de sossego.

Estou pensando em casamento Ma'inda n�o posso me casar.

Eu sou rapaz direito

E fui escolhido pela menina mais bonita.

 

Faroeste caboclo audio_icon_small.gif (1117 bytes)

 

N�o tinha medo, o tal Jo�o de Santo Cristo,

Era o que todos diziam quando se perdeu.

Deixou pra tr�s todo o marasmo da fazenda

S� para sentir no seu sangue o �dio que Jesus lhe deu.

Quando crian�a s� pensava em ser bandido,

Ainda mais quando com tiro de um soldado o pai morreu

Era o terror da cercania onde morava

E na escola at� o professor com ele aprendeu.

Ia pra igreja s� pra roubar o dinheiro

Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar.

Sentia mesmo que era diferente

E sentia que aquilo ali n�o era o seu lugar.

Ele queria sair para ver o mar

E as coisas que ele via na televis�o

Juntou dinheiro para poder viajar

E de escolha pr�pria, escolheu a solid�o

Comia todas as menininhas da cidade

De tanto brincar de m�dico, aos doze era professor.

Aos quinze, foi mandado para o reformat�rio

Onde aumentou seu �dio diante de tanto terror.

N�o entendia como a vida funcionava -

Discrimina��o por causa da sua classe ou sua cor

Ficou cansado de tentar achar resposta

E comprou uma passagem, foi direto a Salvador.

E l� chegando foi tomar um cafezinho

E encontrou um boiadeiro com quem foi falar

E o boiadeiro tinha uma passagem e eia perder a viagem

Mas Jo�o foi lhe salvar

Dizia ele: - Estou indo pra Bras�lia,

Neste pa�s lugar melhor n�o h�.

Estou precisando visitar a minha filha

Ent�o fico aqui e voc� vai no meu lugar.

E Jo�o aceitou sua proposta e num �nibus entrou no Planalto Central

Ele ficou bestificado com a cidade

Saindo da rodovi�ria, viu as luzes de natal

- Meu Deus, mas que cidade linda,

No ano-novo eu come�o a trabalhar.

Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro

Ganhava tr�s mil por m�s em Taguatinga

Na sexta-feira ia pra zona da cidade

Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador

E conhecia muita gente interessante

At� um neto bastardo de seu bisav�:

Um peruano que vivia na Bol�via

E muitas coisas trazia de l�

Seu nome era Pablo e ele dizia

Que um neg�cio ia come�ar

E o Santo Cristo at� a morte trabalhava

Mas o dinheiro n�o dava pra ele se alimentar

E ouvia �s sete horas o notici�rio

Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar

Mas ele n�o queria mais conversa e decidiu que,

Como Pablo, ele ia se virar

Elaborou mais uma vez seu plano santo

E, sem ser crucificado, a planta��o foi come�ar

Logo logo os malucos da cidade souberam da novidade:

- Tem bagulho bom a� !

E Jo�o de Santo Cristo ficou rico

E acabou com todos os traficantes dali.

Fez amigos, frequentava a Asa Norte

E ia pra festa de rock, pra se libertar

Mas de repente

Sob uma m� influ�ncia dos boyzinhos da cidade

Come�ou a roubar

J� no primeiro roubo ele dan�ou

E pro inferno ele foi pela primeira vez

Viol�ncia e estupro do seu corpo

- Voc�s v�o ver, eu vou pegar voc�s.

Agora o Santo Cristo era bandido

Destemido e temido no Distrito Federal.

N�o tinha nenhum medo de pol�cia

Capit�o ou traficante, playboy ou general.

Foi quando conehceu uma menina

E de todos seus pecados ele se arrependeu.

Maria L�cia era uma menina linda

E o cora��o dele

pra ela o Santo Cristo prometeu

Ele dizia que queria se casar

E carpinteiro ele voltou a ser

- Maria L�cia pra sempre vou te amar

E um filho seu eu quero ter.

O tempo passa e um dia vem � porta um senhor de alta classe

com dinheiro na m�o

E ele faz uma proposta indecorosa e diz que espera uma resposta.

Uma resposta de Jo�o:

- N�o boto bomba em banca de jornal nem em col�gio de crian�a

Isso eu n�o fa�o n�o

E n�o protejo general de dez estrelas, que fica atr�s da mesa

Com o cu na m�o

E � melhor o senhor sair da minha casa

Nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpi�o.

Mas antes de sair, com um �dio no olhar, o velho disse:

- Voc� perdeu sua vida, meu irm�o.

Voc� perdeu a sua vida meu irm�o. Voc� perdeu a sua vida meu irm�o.

Essas palavras v�o entrar no cora��o

E eu vou sofrer as consequ�ncias como um c�o.

N�o � que o Santo Cristo estava certo

E seu futuro era incerto e ele n�o foi trabalhar

Se embebedou e no meio da bebedeira descobriu que tinha outro

Trabalhando em seu lugar

Falou com Pablo que queria um parceiro

E tamb�m tinha dinheiro e queria se armar

Pablo trazia o contrabando da Bol�via e Santo Cristo revendia em Planaltina.

Mas acontece que um tal de Jeremias, traficante de renome,

Apareceu por l�

Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo

E decidiu que, com Jo�o ele ia acabar.

Mas Pablo trouxe uma Winchester-22

E Santo Cristo j� sabia atirar

E decidiu usar a arma s� depois

Que o Jeremias come�asse a brigar.

(O Jeremias, maconheiro sem-vergonha,

organizou a Rockonha

E fez todo mundo dan�ar.)

Desvirginava mocinhas inocentes

E dizia que era crente mas n�o sabia rezar

E Santo Cristo h� muito n�o ia pra casa

E a saudade come�ou a apertar

- Eu vou embora, eu vou ver Maria L�cia

J� est� em tempo da gente se casar.

Chegando em casa ent�o ele chorou

E pro inferno ele foi pela segunda vez

Com Maria L�cia, Jeremias se casou

E um filho nela ele fez

Santo Cristo era s� �dio por dentro

e ent�o o Jeremias pra um duelo ele chamou

Amanh� �s duas horas na Ceil�ndia,

em frente ao lote 14, � pra l� que eu vou

E voc� pode escolher as suas armas que eu acabo mesmo com voc�,

seu porco traidor

E mato tamb�m Maria L�cia, aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor

Santo Cristo n�o sabia o que fazer

Quando viu o rep�rter na televis�o

Que deu not�cia do duelo na TV

Dizendo a hora e o local e a raz�o

No s�bado ent�o, �s duas horas, todo o povo

Sem demora foi l� s� pra assistir

Um homem que atirava pelas costas e acertou o Santo Cristo

E come�ou a sorrir.

Sentindo o sangue na garganta,

Jo�o olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir

E olhou pro sorveteiro e pras c�meras e

A gente da TV que filmava tudo ali.

E se lembrou de quando era uma crian�a e de tudo que vivera at� ali

E decidiu entrar de vez naquela dan�a

- Se a via-crucis virou circo, estou aqui

E nisso o sol cegou seus olhos e ent�o Maria L�cia ele reconheceu.

Ela trazia a Winchester-22

A arma que Pablo lhe deu.

- Jeremias, eu sou homem, coisa que voc� n�o �.

E n�o atiro pelas costas n�o

Olha pra c� filha-da-puta sem-vergonha,

d� uma olhada no meu sangue

E vem sentir o seu perd�o

E Santo Cristo com a Winchester-22

Deu cinco tiros no bandido traidor

Maria L�cia se arrependeu depois

E morreu junto com Jo�o, seu protetor.

E o povo declarava que Jo�o de Santo Cristo era santo porque sabia morrer

E a alta burguesia da cidade n�o acreditou na hist�ria que eles viram na TV

E Jo�o n�o conseguiu o que queria quando veio pra Bras�lia, com o diabo ter

Ele queria era falar pro presidente,

pra ajudar toda essa gente

Que s� faz sofrer.

 

H� tempos audio_icon_small.gif (1117 bytes)

Parece coca�na mas � s� tristeza

Talvez tua cidade

Muitos temores nascem do cansa�o e da solid�o

E o descompasso e o desperd�cio herdeiros s�o

Agora da virtude que perdemos

H� tempos tive um sonho

N�o me lembro n�o me lembro

Tua tristeza � t�o exata

E hoje o dia � t�o bonito

J� estamos acostumados

A n�o termos mais nem isso

Os sonhos v�m

E os sonhos v�o

O resto � imperfeito

Disseste que se tua voz tivesse for�a igual

� imensa dor que sentes

Teu grito acordaria

N�o s� a tua casa

Mas a vizinhan�a inteira

E h� tempos nem os santos t�m ao certo a medida da maldade

H� tempos s�o os jovens que adoecem

H� tempos o encanto est� ausente

E h� ferrugem nos sorrisos

E s� acaso estende os bra�os

A quem procura abrigo e prote��o

Meu amor, disciplina � liberdade

Compaix�o � fortaleza

Ter bondade � ter coragem

E ela disse: - L� em casa tem um po�o mas a �gua � muito limpa

 

�ndios audio_icon_small.gif (1117 bytes)

Quem me dera, ao menos uma vez,

Ter de volta todo o ouro que entreguei

A quem conseguiu me convencer

Que era prova de amizade

Se algu�m levasse embora at� o que eu n�o tinha.

Quem me dera, ao menos uma vez,

Esquecer que acreditei que era por brincadeira

Que se cortava sempre um pano-de-ch�o

De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,

Explicar o que ningu�m consegue entender:

Que o que aconteceu ainda est� por vir

E o futuro n�o � mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,

Provar que quem tem mais do que precisa ter

Quase sempre se convence que n�o tem o bastante

E fala demais por n�o ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,

Que o mais simples fosse visto como o mais importante

Mas nos deram espelhos

E vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,

Entender como um s� Deus ao mesmo tempo � tr�s

E esse mesmo Deus foi morto por voc�s -

� s� maldade ent�o, deixar um Deus t�o triste.

Eu quis o perigo e at� sangrei sozinho.

Entenda - assim pude trazer voc� de volta pra mim,

Quando descobri que � sempre s� voc�

Que me entende do come�o ao fim

E � s� voc� que tem a cura para o meu v�cio

De insistir nessa saudade que eu sinto

De tudo que eu ainda n�o vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,

Acreditar por um instante em tudo que existe

E acreditar que o mundo � perfeito

E que todas as pessoas s�o felizes.

Quem me dera, ao menos uma vez,

Fazer com que o mundo saiba que seu nome

Est� em tudo e mesmo assim

Ningu�m lhe diz ao menos obrigado.

Quem me dera, ao menos uma vez,

Como a mais bela tribo, dos mais belos �ndios,

N�o ser atacado por ser inocente.

Eu quis o perigo e at� sangrei sozinho.

Entenda - assim pude trazer voc� de volta pra mim,

Quando descobri que � sempre s� voc�

Que me entende do come�o ao fim

E � s� voc� que tem a cura para o meu v�cio

De insistir nessa saudade que eu sinto

De tudo que eu ainda n�o vi.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente -

Tentei chorar e n�o consegui.

 

Tempo perdido audio_icon_small.gif (1117 bytes)

Todos os dias quando acordo,

N�o tenho mais o tempo que passou

Mas tenho muito tempo:

Temos todo o tempo do mundo.

Todos os dias antes de dormir,

Lembro e esque�o como foi o dia:

"Sempre em frente,

N�o temos tempo a perder".

Nosso suor sagrado

� bem mais belo que esse sangue amargo

E t�o s�rio

E selvagem.

Veja o sol dessa manh� t�o cinza:

A tempestade que chega � da cor dos teus olhos castanhos.

Ent�o me abra�a forte e me diz mais uma vez

Que j� estamos distantes de tudo:

Temos nosso pr�prio tempo.

N�o tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora.

O que foi escondido � o que se escondeu

E o que foi prometido, ningu�m prometeu.

Nem foi tempo perdido;

Somos t�o jovens.

 

Via L�ctea audio_icon_small.gif (1117 bytes)

Quando tudo est� perdido Sempre existe um caminho Quando tudo est� perdido Sempre existe uma luz Mas n�o me diga isso Hoje a tristeza n�o � passageira Hoje fiquei com febre a tarde inteira E quando chegar a noite Cada estrela parecer� uma l�grima Queria ser como os outros E rir das desgra�as da vida Ou fingir estar sempre bem Ver a leveza das coisas com humor Mas n�o me diga isso � s� hoje e isso passa S� me deixe aqui quieto Isso passa Amanh� � um outro dia N�o � ? Eu nem sei porque me sinto assim Vem de repente um anjo triste perto de mim E essa febre que n�o passa E meu sorriso sem gra�a N�o me d� aten��o Mas obrigado por pensar em mim Quando tudo est� perdido Sempre existe uma luz Quando tudo est� perdido Sempre existe um caminho Quando tudo est� perdido Eu me sinto t�o sozinho Quando tudo est� perdido N�o quero mais ser quem eu sou Mas n�o me diga isso N�o me d� aten��o E obrigado por pensar em mim N�o me diga isso N�o me d� aten��o E obrigado por pensar em mim.

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