O Silencio resume Maria O Silêncio resume Maria

A Virgem do Silêncio e da Canção

O silêncio resume Maria. Sua vida foi quietude e paz. Não só uma paz acomodada, mas uma autêntica paz inquieta. Estava preparada para ouvir a Voz do Criador. Por isso seu eco foi tão perfeito. A canção de Maria ultrapassou as palavras e tornou-se pessoa: "E o verbo se fez carne..."(Jo 1,14).
Vejamos em quatro momentos a caminhada de Maria:
...do Espírito para a verdade...
...do silêncio para a canção!

Anunciação: Antes de mais nada é preciso reconhecer que Maria fez de fato a experiência do silêncio. Durante toda a sua vida esteve atenta às manifestações da voz de Deus nas coisas mais simples. Lucas nos testemunha que ela conservava no coração tudo o que atravessava sua história (cf. Lc 2,19; 2,51).

Naquele dia, Maria estava em silêncio à escuta de Deus. Podemos dizer que estava em contemplação. Seu coração estava sintonizado na freqüencia do coração de Deus: a freqüencia do amor. No momento em que Deus finalmente falou, aconteceu algo inesperado: ela perturbou-se. Aquela voz que lhe falava ao coração provocou uma surpreendente inquietação. Se o evangelista, ao invés de médico, fosse músico, diria que Maria sentiu-se "inspirada".

A inspiração é um "ar" que invade nosso íntimo deixando-nos inquietos. A inspiração exige uma "expiração". O "ar" inspirado sai de nós sob a forma das mais diversas expressões artísticas: música, poesia, dança, pintura, escultura, teatro...

Diante da inspiração, Maria não se conservou passiva. Sua primeira reação foi refletir sobre o que poderia significar tudo aquilo que acontecia no seu interior. Aos poucos a resposta foi se tornando mais clara e elaborada: era preciso ecoar a Voz de Deus. Mas este eco humano e divino: seria o Filho de Deus.

Então Maria questionou a proposta de Deus. Era preciso eliminar possíveis dúvidas de compreensão. Seu eco não poderia ser fruto de uma opção apressada ou ingênua. A canção de Maria passou antes pela sua consciência crítica: Mas como isso é possível?

A resposta foi maravilhosa: O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra (Lc 1,35). Este é o "ar" que nos pode inspirar: o Espírito Santo. Portanto Maria fez uma experiência carismática. O Espírito fecundou sua disponibilidade, seu silêncio, sua atenção. Por isso sua canção foi divina. Por isso sua canção foi o Filho de Deus.

E Maria disse: Eis aqui o instrumento de Deus,
Faça-se em mim segundo a sua canção...

Serviço: É bom saber que dentro de nós está nascendo uma canção...Para Maria era mil vezes melhor, pois a canção era o Filho de Deus. Ela poderia ter ficado na sua. Para que subir as montanhas às pressas? Por que a primeira preocupação de Maria não foi nem consigo mesma, nem sequer com o filho que já habitava em seu ventre? A lógica de Maria era diferente. Era a lógica do serviço, do ser-para-o-outro. Maria não cantava apenas para os seus próprios ouvidos. Sua canção era para os outros. E, o que seria o cantor, se não houvesse ninguém para ouvi-lo? Cantar é servir.

A paz inquieta daquela menina inspirada suscitava a presença do Espírito Santo em todos que ouviam a sua voz. A canção nascida do silêncio e da atenção à Voz do Espírito inspira todos que a ouvem. Isabel ouviu a canção de Maria, e ficou repleta do Espírito Santo (cf. Lc 1,41)

Aconteceu então uma reação em cadeia: Maria ouve o Espírito, diz sim e torna-se canção... Isabel escuta Maria, alegra-se e canta também. Desta forma a canção do Espírito vai atingindo o chão e transformando a realidade.

Na Igreja primitiva vemos uma legião de cantores: Paulo, Estevão, Barnabé...Não seriam todos ecos do eco daquela virgem que um dia teve a coragem de calar, ouvir e servir com sua canção?

Gestação: Toda canção tem um período de gestação. Após a inspiração é preciso parar e iniciar um trabalho de elaboração. É um tempo árduo para todo artista. As gestantes o experimentam nos nove meses que antecedem o nascimento do filho. Maria gestou Jesus. Ele era sua canção em forma de filho. Aquela que fora criada à "imagem e semelhança" de Deus, agora emprestava a este mesmo Deus suas feições. Era a divina melodia ao ritmo humano. Era Jesus em Maria e Maria em Jesus.

Também nós temos um destino materno. Quem ecoa a voz do Espírito sob a forma de canção exerce uma espécie de "maternidade espiritual". Esta é a nossa gestação. Não faltará por certo a tentação de abortar o outro que nasce em nós. Ele é incômodo. Provoca medo e apreensão. Recebemos críticas de todos os lados. Os dons do poder muitas vezes nos obrigam a fugir. Mas vale a pena. Depois da gestação e da dor do parto tudo se enche de sentido no sorriso da criança-canção. Ali estão nossas feições unidas às feições de Deus.

Canção: Aquela que, silenciosa, ouvia a voz do Espírito agora, corajosa, proclama a verdade. A canção de Maria (Lc 1, 46-55) deveria se tornar a preferida de todo cantos cristão. Maria inteira se torna canção viva. Toda a inspiração, assumida e gestada, tem seu apogeu neste momento de desabafo espiritual.

Leia com atenção e deixe a canção de Maria cantar em você também:

"Minha alma engrandece o Senhor,
e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador,
porque olhou para a humilhação de sua serva.
Sim! Doravante as gerações todas me chamarão
de bem-aventurada, pois o Todo Poderoso fez grandes coisas em
meu favor.Seu nome é santo e sua misericórdia perdura
de geração em geração, para aqueles que o temem.
Agiu com a força de seu braço,
dispersou os homens de coração orgulhoso.
Depôs poderosos de seus tronos, e a humildes exaltou.
Cumulou de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias.
Socorreu Israel, seu servo,lembrado de sua misericórdia
conforme prometera a nossos pais -
em favor de Abraão e de sua descendência para sempre!"

Mais uma vez a canção do Espírito é também a canção da Verdade.
Mais uma vez o silêncio se torna canção carismática.
Mais uma vez o Espírito se torna profético na canção.
MARIA CANTOU EM ESPÍRITO E VERDADE...

Texto extraído da Secretaria Davi de Pelotas.



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