Anunciação: Antes de mais nada é preciso reconhecer que Maria fez de fato a experiência do silêncio. Durante toda a sua vida esteve atenta às manifestações da voz de Deus nas coisas mais simples. Lucas nos testemunha que ela conservava no coração tudo o que atravessava sua história (cf. Lc 2,19; 2,51).
Serviço: É bom saber que dentro de nós está nascendo uma canção...Para Maria era mil vezes melhor, pois a canção era o Filho de Deus. Ela poderia ter ficado na sua. Para que subir as montanhas às pressas? Por que a primeira preocupação de Maria não foi nem consigo mesma, nem sequer com o filho que já habitava em seu ventre? A lógica de Maria era diferente. Era a lógica do serviço, do ser-para-o-outro. Maria não cantava apenas para os seus próprios ouvidos. Sua canção era para os outros. E, o que seria o cantor, se não houvesse ninguém para ouvi-lo? Cantar é servir.
Gestação: Toda canção tem um período de gestação. Após a inspiração é preciso parar e iniciar um trabalho de elaboração. É um tempo árduo para todo artista. As gestantes o experimentam nos nove meses que antecedem o nascimento do filho. Maria gestou Jesus. Ele era sua canção em forma de filho. Aquela que fora criada à "imagem e semelhança" de Deus, agora emprestava a este mesmo Deus suas feições. Era a divina melodia ao ritmo humano. Era Jesus em Maria e Maria em Jesus.
Canção: Aquela que, silenciosa, ouvia a voz do Espírito agora, corajosa, proclama a verdade. A canção de Maria (Lc 1, 46-55) deveria se tornar a preferida de todo cantos cristão. Maria inteira se torna canção viva. Toda a inspiração, assumida e gestada, tem seu apogeu neste momento de desabafo espiritual.