As tentações do Músico
JUDAS - A tentação de agir sem amor
A tradição da igreja afirma que Judas Iscariostes era um zelota. Os zelotas eram guerrilheiros israelitas que lutavam contra o domínio romano. Eram nacionalistas ferrenhos e desejavam uma Israel forte e livre dos seus opressores.
Judas Iscariostes foi um dos escolhidos para andar com Jesus (Mt, 10,4). Ele, como outros apóstolos, foi enviado em missão de ir à frente de Jesus pelas aldeias e povoados anunciando a presença do Reino de Deus (Mt 10,5). Portanto Judas conhecia Jesus e o Seu poder.
Apesar de conhecer o Senhor, Judas não agia com amor. Embora andasse com Jesus não possuia os mesmos interesses e agia com desonestidade. Verificamos no Jantar em Betânia (Jo 12,1-8), na ocasião em que Maria derrama um frasco de um perfume muito caro nos pés de Jesus, que aquilo que passava pelo coração de Judas era bem diferente de amor:
"Mas Judas Iscariostes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de trair, disse: Porque não se vendeu este bálsamo por trezentos denários e não se deu aos pobres? Dizia isto, não porque se interessasse pelos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, furtavam o que nela lançavam" (vers. 4 a 8).
Jesus conhecia Judas, sabia que ele o havia de trair e, mesmo assim, agiu com amor para com Judas. Lavou-lhe os pés (Jo 13), deu-lhe uma chance de regenerar-se (Jo 13, 28-30), até se deixou ser beijado por Judas (Mt 26, 49-50). Porém Judas vendeu Jesus, vendeu também sua fé, pelo preço de trinta moedas, o preço de um escravo.
Logo que Jesus é preso, Judas arrepende-se, é tomado de remorsos (Mt 27, 1-10), tenta devolver a quantia, tenta voltar atrás no seu gesto traidor, mas tudo está consumado, Jesus já vai ser condenado. Judas esperava que Jesus fosse o libertador de Israel das mãos opressoras dos romanos. Judas esperava que seu Mestre fosse governar Israel, mas quando o Senhor falou de sua morte e ressurreição, Judas decepcionou-se, deixou-se levar pelo dinheiro e renegou sua fé. Judas não confiou no perdão divino. O perdão que Jesus deu a Pedro foi o de uma falta semelhante à traição de Judas, só que Pedro buscou a misericórdia de Deus e Judas achou que o seu pecado era maior que o amor de Jesus. Judas já havia agido tanto sem amor e movido pela cobiça de tal maneira que não mais confiava no amor, não agia no amor. Esse foi o grande erro de Judas: não agir e nem confiar no amor.
O que deve mover o músico a prestar o serviço de Deus deve ser o amor. É necessário todos os dias se questionar: o que está me movendo é realmente o amor? Tenho agido com honestidade para com Deus?
A tentação em que Judas caiu foi a de não andar no amor. É uma tentação muito grande também para quem ministra a música. Devemos entregar a Deus todas as nossas decepções com as pessoas. Devemos até confessar se estamos decepcionados com as demoras de Deus. Não podemos disfarçar o que há dentro de nós, temos que ser sinceros para com Deus.
GIEZI - A impureza de intenção
Nos deteremos no cap. 5 de II Reis,onde verificamos como o discípulo de Eliseu, Giezi, se deixou levar pela tentanção.
O chefe do Exército da Síria era leproso e ficou sabendo dos grandes sinais feitos pelo profeta Eliseu. Sendo assim, dirigiu-se ao homem de Deus para buscar sua cura. Eliseu manda ao chefe do exército, Naamã, que se lave sete vezez no Rio Jordão para se curar. Mesmo contrariado com aquela ordem absurda e nem tampouco acreditando muito, Naamã, lavou-se e foi curado. A alegria foi tanta, que ele voltou ao profeta, oferecendo-lhe vários presentes. Apesar da insistência de Naamã, Eliseu não aceitou as riquezas oferecidas.
O vers. 20 do capítulo 5 de Reis traz um resumo do que se passava dentro de Giezi:
"Eis que meu amo poupou esse sírio, Naamã, recusando aceitar de sua mão o que ele tinha trazido. Pela vida de Deus! Vou correr atrás dele, e obterei alguma coisa".
Giezi não possuia o mesmo desapego e as mesmas intenções de seu mestre, Eliseu. A verdadeira intenção de Giezi era auferir lucros pessoais pelos serviços divinos prestados.
Naamã acreditou na mentira dita por Giezi e lhe deu dois talentos de prata e duas vestes de festa, e ele guarda tudo em sua casa apresentando-se em seguida ao profeta. Deus revela a má conduta de Giezi a Eliseu e o castigo do discípulo é que a mesma lepra de Naamã apega-se a ele.
Corremos o mesmo risco de Giezi quando queremos servir a Deus buscando outros interesses. Nossa intenção em servir a Deus não pode ser a de querer lucros com nosso serviço, com o nosso dom.
Quando Jesus despede os apóstolos para a missão de levar o Reino de Deus a outras cidades ele os adverte primeiro:
Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai"(Mt 10,8)
A condição para servir ao Reino de Deus é dar de graça aquilo que recebemos de graça. Não pode ser nossa motivação principal nas coisas de Deus cantar ou tocar esperando recompensas, pelo dom que Deus nos deu gratuitamente.
É diferente, quando o grupo ou banda musical possui membros consagrados e que vivem exclusivamente do canto evangeilizador, pois:
"o operário é digno do seu salário(Mt 10, 10b)
Mas mesmo assim, recebendo o necessário para o seu sustento, o que deve motivar o grupo não pode ser os lucros materiais da apresentação, ou seja, a venda de discos, CD's e fitas musicais, mas o desejo de levar Jesus vinte e quatro horas por dia.
Para o grupo musical que não fez consagração total para viver da música divina é melhor que não exija nada, a não ser o que lhe derem espontaneamente pelas suas apresentações, pois corre o risco de cair na tentação de Giezi, a de colocar outros valores à frente de coisas de Deus, a tentação de servir esperando as recompensas materiais, a tentação de servir com a busca do proveito próprio e não do crescimento do Reino de Deus.
Nossa verdadeira motivação para servir a Deus deve ser o AMOR - POR AMOR A JESUS, POR AMOR À IGREJA!
Texto extraído da Secretaria Davi de Pelotas.