AFINAL, LEÃO INFARTA? – O texto é besteirol, tudo bem. Mas surgiu motivado pela pergunta feita pelo jurista Edson Madeira, tratado pelos íntimos por Jabá, num de seus momentos de ócio criativo.
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Afinal,
leão infarta?
Caríssimo Jabá,
Satisfeito ficou esse amigo
que vos redige essas mal digitadas linhas. Afinal, você levantou a discussão sobre
um tema dos mais profundos e intrigantes, verdadeiro paradigma das ciências
biológicas. Acho pertinente e oportuno tal debate, especificamente nesse
momento histórico que o mundo atravessa, na iminência de mais um conflito
global.
Os menos letrados podem
achar ridícula tal discussão, mas se o fazem é por ignorar que ela em nada
deixa de ter sua importância face aos meandros dos conflitos bélicos, que temos
acompanhados quase que em tempo real, pelos meios de comunicação de massa.
Mas, vamos à análise dos
fatos propriamente ditos, tão sabiamente relatados em seu e-mail. Inicio minhas
considerações com uma afirmativa imediata. Leão enfarta sim senhor.
Apesar de todo o rigor
científico de seus argumentos, permita-me discordar de suas hilações sobre a
ociosidade de tais felinos. Todas essas afirmações de que os Leões deixam o
trabalho pesado para as leoas e se dedicam a uma vida de come-dorme são
rigorosamente falsas e criminosamente divulgada em programas carregados de
preconceitos em suas linhas editoriais, como por exemplo o extinto “Mundo
Animal” que ia ao ar todas as quartas feira pela TV Globo, depois do Globo Cor
Especial, no lugar do programa que hoje é conhecido como Vídeo Show. O “Mundo
Animal”, bem como outros documentários similares, hoje bastante difundidos no
Discovery Chanel e no canal Mundo, ambos veiculados em TVs por assinatura,
sempre macularam a imagem de nobres animais, não somente os leões, mas também
outras espécies como hienas, urubus e jacarés.
Tal ataque deliberado à
imagem leonina deve-se ao fato de ser esse animal originário do continente
africano, berço da raça negra, e de muitas civilizações mulçumanas, também
constantes alvos de visões esteriotipadas e preconceituosas. Os americanos e
outras sociedades desenvolvidas industrialmente objetivam com isso denegrir a
imagem e o conceito das minorias e dos povos mais fracos economicamente, para
justificarem suas ações imperialistas em escala mundial. Se aprofundarmos tal
questão, chegaremos até os atentados ocorridos em Nova York no último dia 11.
Mas tentemos nos ater aos leões.
Se não fosse por trabalhos
sérios baseados em estudos aprofundados sobre a vida desses animais, jamais
saberíamos a verdade sobre eles. Refíro-me por exemplo a filmes como “Daktari”,
que depois originou a série “O leão vesgo” e ao clássico da Disney, “O Rei
Leão”. Uma análise pormenorizada de tais trabalhos cinematográficos nos mostra
quão atribulada é a vida do Rei dos Animais. No caso do “Rei Leão”, podemos ver todo o complexo quadro político
e social que o Leão tem que administrar, e que no final do filme é herdado por
Simba, o pequeno leãozinho que cresce inocente, sem saber quantos problemas o
esperam na sua gestão da selva. Nesse
filme, podemos perceber também que as leoas exercem importante papel sim, mas
que o ônus de todas decisões acabam sobrando para os machos, que têm que se
desvencilhar de traições, tramas e problemas administrativos como por exemplo o
catastrófico incêndio da floresta. É claro que leão infarta. O que poderíamos
esperar? Ele é o rei dos animais e tem que agradar todo mundo. Despacha todos
os dias com macacos, araras, girafas, rinocerontes e zebras, cada um falando
uma língua diferente. Não é mole não, meu amigo. E outra. Quem disse que leão
só come carne? Você acha que é por acaso que um dos chás mais populares do
Brasil tem o nome de Mate Leão? Ele são apreciadores dessa bebida
carregadíssima de cafeína, o que só contribui para o aumento de seus problemas
vasculares. E, para encerrar, como se não bastasse, os pobres leões têm que ficar
pelo menos duas vezes por ano, fiscalizando os fraudadores da Receita Federal.
Portanto, leão sofre muito. E infarta sim senhor!