Emergências Psiquiátricas

Abordagem do paciente em A.P.H.

 

Nos conseguimos mostrar, só pela postura corporal, os sentimentos que temos diante de fatos ou pessoas. Em todo atendimento que for prestado a essas vítimas, é de suma importância a observação contínua de sua linguagem extraverbal, pois esta nos transmite valiosas informações, e devemos controlar nossa comunicação extraverbal, para que ela não seja mal interpretada pela vítima.

O socorrista deve manter com essa vítima uma comunicação de cunho terapêutico:

1° Formação de vínculo com a vítima;

2° Manter canal de comunicação aberto;

3° Olhar a vítima;

4° Ouvir atentamente;

5° Respeitar pausas silenciosas;

6°  Não completar frases para a vítima;

7°  Repetir, resumir e relacionar idéias para a vítima;

8°  Controle da comunicação extraverbal;

9°  Ajudar a vítima a encontrar soluções;

10° Focalizar e centrar o assunto da vítima;

11° Tentar entender o conteúdo enfático ou conteúdo “vazio” ;

12° Dar espaço para a vítima perguntar;

13° Tentar controlar a comunicação extraverbal;

14° Verificar o conteúdo de fantasia que a vítima expressa;

15° Ajudar a vítima a vir para a realidade;

16° Perceber e atuar à tentativa da vítima de nos manipular;

Procedimentos inadequados

 

1° Mentir

2° Prometer;

3° Seduzir;

4° Chamar por nomes jocosos ( irmão, tia, mano, avó, etc..);

5° Ser agressivo ou ríspido com a vítima;

6° Ameaçar a vítima;

7° Desafiar a vítima;

8° Manipular ou testar a vítima;

9° Julgar, dar opinião e aconselhar;

10° Contar a verdade de maneira brusca.

Definições de distúrbios da sensopercepção

 

Ilusão:

Existe um objeto/situação real, mas a vítima deturpa a imagem/leitura da mesma. Exemplo: a vítima vê uma tira de tecido balançando numa janela pela ação do vento e diz ser uma cobra que vai mordê-la.

Alucinação:

A vítima passa a referir uma percepção sensorial (através dos órgãos dos sentidos) onde não existe nenhum objeto real. Podem ser: auditivas, visuais, gustativas e táteis.

Delírios:

A vítima tem uma crença firme que mesmo colocada a provas, evidências e argumentos suficientemente fortes para derrubá-la, ela continua a acreditar na mesma. Por exemplo: a vítima alega ser uma estrela de cinema famosa e muito rica, embora todas as evidências mostrem que isso é irreal. Este delírio pode ser de grandeza ( ser Deus), de riqueza (muito rico), de perseguição ( a vítima persegue ou é perseguida) e de auto-acusação ( é culpada, canalha, etc..).

 

Definições de quadros psicopatológicos

Neuroses:

O termo neurose foi substituído por “transtornos neuróticos”, de acordo com o C.I.D. 1992.

A doença neurótica atinge uma parte da personalidade, não mexendo com o intelecto (conhecimento), nem provocando deelírios e nem alucinações ou ilusões. Os traumas e conflitos que ocorrem alteram seu comportamento, a pessoa sabe o que está fazendo, porém não sabe por que está fazendo. Os chamados vulgarmente de “D.N.V”.

Depressão:

Três características básicas qualificam essa vítima: depressão do humor, lentidão no pensamento e retardo psicomotor. E pode ser acompanhada dos seguintes sinais clínicos: queda acentuada da atividade motora e intelectual, desânimo, perda dos objetivos para viver, sensação de fraqueza e cansaço, abatimento, tristeza excessiva, chora demasiado sem motivo aparente e perda do interesse; a vítima se acha ruim, que não tem um mínimo de valor; que é inútil e incapaz, que não presta e que com ela tudo está errado; fica indecisa, insegura e dependente.

No atendimento a essa vítima, temos que respeitá-la, orientar e tentar tranqüilizá-la e seus familiares/acompanhantes, ouvi-los, remover perigos existentes no local e avaliar o risco existente. Avaliar meticulosamente se a vítima oferece riscos a si mesma e aos demais presentes e se a mesma é abordável ou não; transporte obrigatório junto com um familiar/acompanhante.

No caso da tentativa de suicídio ainda não consumada, ao chegarmos para o atendimento, temos que fazer rigorosa observação do local, afastar curiosos e familiares, manter a calma, verificar: a) as condições em que se encontra a vítima, b) se oferece riscos aos demais e c) se é abordável ou não.

Psicoses:

Este tipo de vítima é agressivo, não fala coisas conexas e pratica atos absurdos ou fica imóvel como se fosse estátua. Tem alterações do comportamento, delírios, alucinações e ilusões, confusão mental, desorientação e crítica alterada. Este conjunto pode ser fechado com auto agressão ou heteroagressão, que é mais comum.

Alcoolismo:

Resume um transtorno causado pelo uso crônico e excessivo de álcool, dando origem ao aparecimento de problemas de ordem psicológica e interpessoais.

O etanol ou álcool etílico causa uma depressão do SNV, podendo levar a vítima ao estupor, coma e á morte.

O alcoolismo é um fator significativo nos acidentes de trânsito, afogamentos, incêndios, traumas e overdose. Com o tempo de 5 a 10 minutos após a ingestão, o álcool chega ao sangue, e com 30 a 120 minutos ele é totalmente absorvido no estômago e intestino. Sua absorção é acelerada pela água e retardada por ingestão de gorduras ou leite. A ingestão excessiva pode levar ao aparecimento dos seguintes sinais e sintomas:

Depressão dos sistema nervoso;

Alteração da fala;

Confusão mental;

Alteração da capacidade de julgamento;

Duirese aumentada;

Marcha trôpega;

Esturpor;

Coma.

Intoxicação aguda:

São três fases:

Primeira fase: A vítima geralmente apresenta aumento da freqüência cardíaca, do fluxo sangüíneo nos vasos superficiais, causando vermelhidão, comportamento de excitação, felicidade, despreocupação ou inquietude, espírito brincalhão e perda do estado crítico, qdo começa a não perceber o quanto está sendo desagradável; é o famoso bêbado chato. Pode praticar atos inadequados, como uso de palavrões, tirar a roupa e praticar atos libidinosos.

Segunda fase: Nesta fase irá haver depressão de áreas do cérebro que determinam alterações motoras, como incoordenação motora, reações motoras lentas, marcha titubeante e não linear. Tem diminuição da concentração e atenção, dilatação pupilar, dificuldade de articular palavras, tem associados sensação de vertigem, visão dupla (diplopia), impotência sexual, desorientação, confusão mental, vômitos e perda da memória para fatos desagradáveis que cometeu, tendo ainda humor deprimido e sono.

Terceira fase: Se a vítima chegar na Segunda fase e continuar a ingestão do álcool, pode evoluir para esta terceira fase, que é grave e chega ao coma. A vítima cai em sono profundo e fica sem reação às excitações ambientais. Há uma diminuição acentuada dos reflexos neurológicos, há anestesia corporal, queda acentuada de temperatura e morte. Na época do frio, a ocorrência de coma e morte aumenta bastante entre os alcoólatras q moram nas ruas.

 

Síndrome de abstinência ao álcool

Quando o alcoolista diminui ou pára de beber bruscamente, isto gera o aparecimento de sintomas físicos e psíquicos importantes.

Nas primeiras 48 horas após a diminuição ou parada, aparecem tremores leves de membros, insônia, taquicardia, sudorese, náuseas, vômitos, convulsão, ilusão e alucinação.

 

Delirium tremens

Ocorre entre 48 e 96 horas após a parada ou diminuída da quantidade de álccol ingerida. É a evolução da síndrome, caracterizada pela alteração da consciência, manifestada por confusão mental, desorientação no tempo e espaço, sobre si mesmo e diminuição da crítica. Tem tremores intensos, alucinações visuais, delírios, alucinações ocupacionais, sudorese profusa, taquicardia, hipotensão, hipertermia, aumento da sugestionalidade e agitação motora.

No atendiemtno do alcoólatra, é necessário proceder em conjunto à avaliação clínica, pois podem estar associados a; pneumonias, traumas por quedas, insuficiência respirat;oria, coma, hipotensão, insuficiência renal e hepática, entre outros, o que justifica a prioridade do atendimento pré hospitalar.

Síndrome de Wernicke Korsakoff

Tem como a causa a deficiência de vitamina B1, que acontece em alcoólatras de longa data com déficit alimentar.

Na fase inicial, da S . Wernicke , a vítima apresenta desorientação, descontrole motor (ataxia) e alteração da motilidade extrínseca ocular.

A maioria das vítimas tratadas se recupera do estado confusional, no entanto muitas terão distúrbios da memória que é a síndrome de Karsakoff.

Esta se deve ao aparecimento de lesões cerebrais na área da memória, sendo que há perda inicial da memória de evolução ( para fatos antigos), podendo chegar à amnésia total. Caso haja risco p/ o socorista, devemos usar a contenção física para transportá-la.

 

Sinais clínicos do abuso das principais drogas

Cocaína / crack (por aspiração , injeção ou fumo)

Euforia

Hiperatividade

Dilatação pupilar

Tiques nervosos contrações musculares

Ansiedade

Hipertensão

Taquicardia arritmias

Convulsões.

 

Narcóticos ( heroína, codeína, morfina)

Alteração da consciência

Depressão respiratória

Contração pupilar

Hipotensão

Bradicardia

Coma

Edema pulamonar

Morte.

 

Maconha

Euforia

Dilatação pupilar

Boca seca

Alteração dos sentidos

 

Anfetaminas

Hiperatividade

Pupila dilatada

Hipertensão

Alucinações

Tremores

Convulsões

Abordagem do paciente em Pronto Socorro

Avaliação rápida:

ler o encaminhamento;

- ouvir quem trás o pcte, policiais, familiares, Cobom, etc..;

- abordar o paciente à distancia e nunca em lugar fechado;

- exame psíquico sumário ( confie em seu taco!!);

- risco a membros da equipe;

- seguranças (agir em conjunto);

- evitar a sedação – preferir a contenção física

 

Avaliação completa do paciente

Entrevistas separadas ( pacientes e familiares)

Com o paciente:

Queixa principal;

H.P.M.A.( histórico paciente moléstias anteriores);

Antecedentes médicos;

Antecedentes psíquico;

Exame físico.

Com quem a trouxe:

Confirmação dos dados obtidos;

Nível dos diferentes itens do exame psíquico ( o q vc acha sobre o nível de agressividade, risco de suicídio, etc.)

Com familiares:

Analisar o bom senso do informante;

Confirmação dos dados;

Inquirir o familiar escolhido à respeito do problema do pcte.

Semiologia da atividade Psíquico

Alteração da:

Orientação; Consciência (níveis); Atenção; Memória; Pensamento; Juízo; Senso percepção; Afetividade; Atividade voluntária; Linguage

 

 

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