Tatame - Carlson, como é que rolou esse "reentendimento" entre vocês? T - Vítor, o que mudou na sua vida após a briga com Carlson? T - Muitos acusam a sua ex-namorada, Marinara Costa, de ter te jogado
contra a equipe, o que você diz disto? T - Você não acha que o sucesso lhe subiu a cabeça? T - É verdade que você foi buscar ajuda religiosa para se encontrar? T - Soube que qunado você brigou com o Carlson tentou treinar em várias
outras academias. Como foi recebido? T - Depois de toda esta novela o que você aprendeu? T - Carlson, você não acha importante para o próprio esporte que haja uma
união maior? T - Você é famoso por sempre criar confusões em campeonatos, mas nesse
Mundial estava lá ajudando. Explica como foi isso. T - Você não acha que foi você que mudou sua concepção de ver as coisas? T - Vítor, você acha importante que atletas de diferentes modalidades
treinem entre si, como o Marco Ruas vem fazendo com o Kerr? T - Fale um pouco sobre isso. T - E por falar em Vale-Tudo, teve uma época que você demonstrou até certa
rivalidade com o Rickson. Como é que foi isso? Você teve algum contato com
ele ultimamente? T - E a preparação para o seu retorno ao Vale-Tudo? T - Carlson, o que você acha desse negócio do Vítor lutar até 90 kg? T - E no Jiu-Jitsu Carlson? A sua equipe não está mais tendo os mesmos
resultados de algum tempo atrás. Tem gente até dizendo que a Carlson faliu
.. T - Carlson, fale desse seu projeto de reeditar o antigo programa heróis do
ringue fazendo programas de Vale-Tudo periódicos na TV? T - Vítor, é verdade que seu antigo preparador, o fisiculturista Curtis
Lufler, faleceu mês passado por overdose de bombas (esteróides) ? T - Carlson, fui informado que o Edson Carvalho vai voltar a treinar na sua
equipe, é verdade? T - Mais alguma coisa a dizer Vítor?
Carlson - Olha Marcelo, a verdade é que a maioria das pessoas achava que a
gente tinha que fazer as pazes, ficava pedindo para eu perdoar o Vítor e
acabou que ele veio pedir desculpas, até porque ele estava errado e eu
acabei perdoando-o. Mas só porque foi ele, se fosse outro qualquer eu não
ia querer nem ver mais, foi uma atitude minha de coração.
Vítor - A realidade é que eu já cometi tantos erros que já até perdi a
noção exata de quantas besteiras fiz. A vida é assim mesmo, a gente comete
muitos erros, a minha sorte é que tinha muitas pessoas do meu lado com quem
eu podia conversar e que me ajudaram muito. O meu tio Carlos Alberto e
minha mãe foram dois que falavam muito comigo e neles eu podia confiar. O
fato é que sou muito cabeça-dura, sou teimoso mesmo, e com isso fui me
afundando cada vez mais, mas eu acho que aprendi a lição e as coisas vão
começar a se encaixar novamente.
V - Realmente ela me induziu a fazer certas coisas que não eram
necessárias. Mas não gostaria de acusá-la por erros que cometi. Agora só me
resta pedir desculpas às pessoas com quem agi errado.
V - O problema todo do sucesso é que na verdade ele traz muita falsidade.
Na realidade de cem amigos que você tem, apenas um é de verdade; de cem
meninas que você sai, só uma gosta realmente de você.
V - É, eu estava muito sem direção na vida, sem saber o que fazer e minha
mãe, que sempre foi muito cristã, nunca passou a mão na minha cabeça. Ela e
meu pai me deram muito força e, com a ajuda de Deus, acabei abrindo minha
cabeça. Na realidade, eu sei que ninguém mais vai confiar em mim 100%, mas
eu entendo, a vida é assim, por isso pretendo cultivar ainda mais o meu
relacionamento com o Carlson.
V - Olha, uma coisa que eu achei muito bonita foi a atitude do Renzo e do
Carlinhos, que falaram comigo e me aconselharam a voltar para o Carlson,
dizendo que o meu futuro é com ele. A nossa relação é como se fosse uma
relação de pai para filho, eu sei que ele ficou muito magoado mas tenho
certeza que daqui para frente nós vamos ficar ainda mais unidos. Voltando
ao assunto anterior, eu queria dizer que o Carlinhos sempre me deu muita
força, dizia que era para eu procurar o Carlson, que ele iria me perdoar e
que tudo terminaria bem para mim. Enfim ele mostrou que gosta muito do
irmão.
V - Eu acho que falta união dentro do Jiu-Jitsu. Existem atletas do
Jiu-Jitsu que torcem para que outro lutador da mesma modalidade perca. Falo
isso porque até eu já agi desta forma. O ideal seria que todo mundo fosse
amigo e se respeitasse. Seria ótimo que atletas de diferentes academias
pudessem, pelo menos uma vez por semana, treinar entre si, trocar
conhecimento, posições. O comportamento das pessoas tem que mudar para que
o esporte possa crescer.
C - A rivalidade pode e deve existir, mas tem que ser sadia. Nào vejo
nenhum problema em alguém de outra academia vir treinar aqui, um aluno do
Carlinhos por exemplo.
C - O problema é que na maioria dos campeonatos, sempre imperou uma
roubalheira danada por parte dos juízes, aí não dava para ficar calado.
Nesse não, eu vi que o evento tava bem organizado, então fui dar uma
"mãozinha", não custava nada.
C - Não, não é isso. Eu sou um cara maleável, se eu vejo que um negócio
está indo bem, sendo feito diretio, dou o meu apoio. Agora, se tá uma
bagunça, é óbvio que eu não vou dar apoio nenhum. No Mundial, o Carlinhos
me pediu uma ajuda, então eu fui lá e colaborei. Acho até que dei conta do
recado, dessa vez eu não vi bagunça, ninguém invadindo o ringue toda hora.
V - Eu acho válido, mas é claro que eu não vou procurar familiarizar meu
treino, eu não vou treinar com um cara que pode ser meu adversário amanhã.
Dentro do Jiu-Jisu tem muito treino, tem o cara grandão, o pequenininho, o
bom de queda ruim de derrubar, o bom de guarda, enfim no Jiu-Jisu eu posso
encontrar todo tipo de treino e situação para o Vale-Tudo. Agora, sem
dúvida, o Boxe também é uma modalidade muito importante para o Vale-Tudo e
graças a Deus eu tenho o meu treinador de Boxe, Al Stankie, um cara que
sempre me deu muita força e que agora tá do meu lado no projeto de tentar a
classificação para as Olimpíadas.
V - Bem, em dezembro vai ter o Brasileiro e se eu conseguir ficar entre os
dois primeiros, vou para o Panamericano de 1999 e, no ano 2000 vai ter a
disputa para as Olimpíadas no Sul Americano, aí so entra o campeão. Se Deus
quiser vou estar lá. Não posso esquecer de agradecer a força que o Ulisses
Pereira (treinador de Boxe da seleção brasileira) vem me dando. No ano que
vem, se tudo correr bem e eu conseguir treinar bastante de quimono, também
pretendo lutar o Mundial de Jiu-Jitsu.
V - Olha eu errei em falar mal dele, mas por outro lado, ele também já
errou bastante, andou falando algumas besteiras em entrevistas que deu, só
que um erro não justifica o outro. Eu acho que ele é um cara que tem que
ser respeitado, seja pela idade que tem, pelo caminho que escolheu para si.
E também porque ele e um excelente profissional, um cara que levanta o nome
do Jiu-Jitsu e que portanto deveria ser admirado e respeitado por todos.
V - Eu venho dando mais ênfase à parte física através da ginástica natural
do professor Álvaro Romano e acho que estou no caminho certo. Existem
pessoas que têm me ajudado e eu espero corresponder dentro do ringue.
C - Na realidade, o peso normal dele é esse, é o peso certo para ele lutar.
Ele tá em forma.
V (interrompendo) - Na verdade, eu aproveitei que tinha de descer até 91kg
para lutar Boxe e resolvi perder mais um pouco, baixar até 90kg e lutar
nesse peso no Vale-Tudo, inclusive eu quero ser campeão do Ultimate nessa
categoria. Isso tudo sem esquecer meu principal objetivo, que é lutar a
revanche contra o Randy Couture em janeiro do ano que vem, só que eu vou
lutar com ele pesando no máximo 93, 94 kg, que é o certo. Com esse peso eu
consigo manter minha força e ainda tenho vantagem de estar bem mais rápido
e com o gás em cima. Não tem porque ser diferente.
C - Não, o problema é que tá todo mundo muito voltado para o Vale-Tudo, só
que agora eu dei uma chamada na rapaziada e todos vão ter que entrar nos
campeonatos. E além do mais quem foi que disse que treinar de quimono não é
bom para o Vale-Tudo? O treino de quimono só ajuda, dá pegada, dá gás,
agilidade. Enfim, não tem desculpa, quero todo mundo competindo, inclusive
o Vítor.
C - É, eu e o Joinha queremos lançá-lo a paritr de janeiro na SporTV. Vai
ser um programa de Vale-Tudo com todas as categorias de peso, inclusive
peso galo, que vai até 57 kg. Vão ser onze categorias e eu tenho certeza
que vai ser um grande sucesso. Já estamos com tudo em cima: patrocinador,
organização, tudinho. No primeiro evento queremos botar o Wallid para lutar
com o Mike Burnett, que ganhou do Eugênio. E talvez o Hugo contra o Rafael
Carino, parece que eles querem lutar de qualquer jeito, isso já é birra
antiga, então agente vai convidar os dois para fazer uma superfight de
arrepiar.
V - Nào sei detalhes de sua morte. Quando ele morreu eu estava aqui no
Brasil. Fiquei muito abalado, apesar de não estarmos mais treinando juntos,
sempre o considerei um grande amigo.
C - De jeito nenhum. O que acontece é que ele tá treinando lá na academia
do meu faixa preta Rinaldo Santos (Fight Center) e com isso eu não tenho
nada a ver, ele teina com quem quiser, mas não faz mais parte do Carlson
Team.
V - Estou com vários projetos. Um deles, idealizado pelo secretário de
Esportes José Moraes, será uma fundação de lutas só para crianças carentes.
Também estou abrindo duas academias, uma em São Paulo e outra em San Diego.
No ano que vem pretendo fazer uma série de seminários pelo Brasil e quem
tiver interesse pode ligar para (021) 512-5782. Também gostaria de
agradecer aos meus patrocinadores, a Bad Boy, Prefeitura do Rio de Janeiro
e ao apoio da Barra Grill, Rialto, Body Lab, Academia da Prai, o cirurgião
Artur da Silva Neto e o amigo Carlos Azevedo.