Foi um dia cinzento, aquele. Neruda talvez o descrevesse como plúmbeo. Muito
poético, mas verdadeiro. O sol ainda não aparecera em Porto Alegre, até os 11
minutos do segundo tempo do jogo do Beira - Rio. Era a final do Campeonato
nacional, entre Inter e Cruzeiro. A falta foi cobrada por Valdomiro, do lado direito
da área. Enquanto a bola subia, Figueroa arrancou da intermediária, correndo em
zigue-zague para despistar a marcação. Ele a e bola se encontraram à altura da
primeira trave, como o sinal de Valdomiro indicara. No instante em que a testa de
Figueroa tocou no couro da bola, o único raio de sol furou o bloqueio das nuvens.
O facho de luz se despejou sobre o gramado do Beira-Rio e iluminou a cabeça de
Figueroa e a bola. Gol do Inter. O gol do título. Do primeiro título nacional
conquistado por um clube gaúcho. Que só poderia sair da cabeça iluminada do
maior zagueiro da história do Internacional.