A COPA DO BRASIL É DO TIMÃO



Foi emoção e alegria para nenhum corintiano botar defeito. Vitórias conquistadas com o mais genuíno espírito guerreiro, como os 2x1 contra o Grêmio no Pacaembu, e com talento puro, como na goleada histórica de 5x0 contra o Vasco. E teve muito sofrimento. Não foi fácil resistir à pressão gremista no jogo final de Porto Alegre. O martírio só acabou com o gol salvador de Marcelinho Carioca, aos 26 minutos do segundo tempo. A conquista da Copa do Brasil 95 também teve um gosto especial. Nunca os grandes clubes levaram tão a sério essa competição que é o caminho mais curto para Tóquio. Erguer a taça e ficar com uma das duas vagas brasileiras para a Libertadores da América 96 virou prioridade nacional para todas as equipes, que desprezaram os campeonatos estaduais de olho no título. A melhor Copa do Brasil teve entre os oito melhores um festival de clássicos envolvendo Grêmio, Flamengo, Vasco, Cruzeiro, São Paulo, Atlético Mineiro e Paraná Clube. Teve também o Timão em verdadeiro estado de graça. A conquista dramática começou no jogo de volta em São Paulo contra o Paraná. Com um jogador a menos durante boa parte do jogo, o Corinthians sentiu a pressão, provou o gosto amargo da desclassificação no segundo tempo, quando o marcador estava 1x1, e terminou com um gol salvador de Viola. Na semifinal contra o Vasco, tempo para recobrar energias. Faltava o Grêmio, o exterminador de paulistas, que já havia despachado o Palmeiras e o São Paulo da competição. E o passo decisivo para a inédita conquista foi dado no Pacaembu, numa batalha de gladiadores. Viola abriu o marcador, mas até as velhas catracas do estádio sabiam que nada estava decidido. O Grêmio empatou e mostrou no segundo tempo com quantas entradas fortes se faz o futebol gaúcho. Era a hora da alma alvinegra entrar em campo. Aos 26 minutos da etapa final, Marcelinho Carioca decidiu a partida numa cobrança perfeita de falta. O técnico Eduardo Amorim ainda tentou dar o tiro de misericórdia. Resolveu tirar os dois laterais, lançar Tupãzinho e Elivélton para tentar uma goleada. As lesões de Fabinho e Bernardo abortaram o plano e o jogo ficou no apertado 2x1. Os deuses da bola, afinal, precisavam reservar emoções fortes para a vitória histórica em Porto Alegre.

A NOITE DA VINGANÇA

Os vascaínos não esquecem e os corintianos bem que gostariam de apagar da memória aquele jogo pelo Brasileiro de 1979 no Maracanã. A atração da partida era Roberto Dinamite, que voltava ao Vasco depois de uma curta e desastrada temporada na Espanha pelo Barcelona. O Corinthians, campeão paulista e regido pela batuta do dr. Sócrates, estava em boa fase e carregava até um certo favoritismo. O resultado, no entanto, foi um desastre absoluto. O Vasco venceu por humilhantes 5x2 e Roberto Dinamite apagou a má impressão deixada na Espanha marcando os cinco gols do seu time.Quase dezesseis anos depois, o Timão cobrou com juros e correção monetária aquele vexame. Na semifinal da Copa do Brasil, o Corinthians deu um passo importante para a classificação em pleno Maracanã. O time jogou de igual para igual com os vascaínos e o prêmio por tanta raça veio no final da partida com uma cabeçada perfeita de Marcelinho Carioca, do alto de seu 1,65 metro. No jogo de volta, o Timão só precisava de um empate para eliminar o Vasco, mas fez mais. Foram cinco gols, muitas chances e uma exibição inesquecível. Tudo começou com uma tentativa atrapalhada do zagueiro Ricardo Rocha de afastar um chute de Marcelinho Carioca. Porteira aberta, começou a farra de Viola, que entrou em campo calçando chuteiras prateadas. O desconforto causado pelo incômodo e cintilante pisante fez o atacante trocar a novidade por chuteiras convencionais. Deu certo. Ainda no primeiro tempo Viola marcou seu primeiro gol, deixando os cariocas numa situação desconfortável. No segundo tempo, o Timão não se acomodou. Para delírio da fiel torcida, o time continuou na frente querendo mais gols. E eles vieram pelos pés de Souza e , sobretudo, pelos de Viola. Em noite de dinamite, o goleador marcou mais dois gols e levou o Corinthians às finais contra o Grêmio, que vencia na mesma noite o Flamengo em partida dramática. O vexame do Maracanã estava definitivamente vingado.

VIOLA ACORDA E AJUDA O TIMÃO NA RETA FINAL

Jogador predileto da fiel torcida, o centroavante Viola passou quase todo o primeiro semestre de 1995 envolvido em um drama shakespeariano: ser ou não ser atleta do Valencia, da Espanha. A novela envolvendo a sua transferência consumiu várias semanas e tirou o artilheiro do caminho do gol. Para o Corinthians, no entanto, a má fase e a estiagem de gols não poderiam terminar em momento melhor. No segundo jogo das quartas -de-final da Copa do Brasil, tudo conspirava contra o Timão. Precisando vencer, a equipe fazia uma partida medíocre contra o Paraná, o volante Bernardo já havia sido expulso e uma garoa castigava o gramado do Pacaembu. Havia um cheiro de tragédia no ar quando um escorregão do goleiro Régis e uma bola limpa curou Viola de sua febre espanhola. Daí para a frente, o craque não parou mais. No segundo tempo do mesmo jogo, o Paraná empatou a partida e deu a impressão de que se classificaria para as semifinais. Mas lá estava ele na área para eliminar os paranaenses em um voleio desajeitado. Contra o Vasco, Viola marcou três dos cinco gols no jogo de volta no Pacaembu, pulverizando o time carioca. Só faltava a final contra o Grêmio e o artilheiro não decepcionou. Fez uma partida irrepreensível. Viola estava mais desperto do que nunca. Driblou, encarou a zaga tricolor, serviu os companheiros e ainda marcou o gol que abriria o caminho da conquista.



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