21° TÍTULO PAULISTA



Logo após conquistar a Copa do Brasil, o Timão sagrou-se Campeão Paulista de 1995, com todo o merecimento. Na grande final, contra o Palmeiras, os corinthianos empataram duas vezes em 1 a 1, em Ribeirão Preto, e venceram na prorrogação, por 1 a 0, após a segunda partida, com um gol de Elivélton.
O título foi dos mais justos para o Corinthians, que disputou 38 jogos, ganhando 16, empatando 14 e perdendo 8. Teve, portanto, um aproveitamento de 54,38%. O time marcou 58 gols e sofreu 39. No início do Campeonato Paulista, a equipe foi dirigida por Mário Sérgio, em nove jogos. Ganhou três, empatou cinco e perdeu um. Eduardo Amorim assumiu o cargo na décima partida. Com ele, o Corinthians venceu 13 vezes, empatou nove e perdeu sete.
Há uma justificativa para que a campanha do Corinthians tivesse pouco brilho. Afinal, a equipe disputou duas campanhas paralelas, mas conseguiu ganhar os dois títulos: a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista. Marcelinho Carioca foi o grande artilheiro do Corinthians no Paulistão, ao marcar 14 dos 58 gols do time. Ele foi o fator de desequilíbrio e fez os gols mais importantes do Corinthians. Nos dois jogos finais, contra o Palmeiras, ele marcou dois gols.
Marcelinho Carioca cresceu de produção, depois que a equipe passou a ser dirigida por Eduardo Amorim. Com Mário Sérgio, o ponta-direita jogava recuado e também tinha a função de marcar. Mas com o novo treinador, Marcelinho Carioca atuou novamente dentro de suas características, tendo liberdade para atacar e criar jogadas. Com isso, desequilibrou os jogos e comandou o Corinthians na inédita conquista paulista, tornando-se o maior ídolo da fiel torcida. O ano de 1995 foi um ano de glória para o Corinthians: o timão começou sendo campeão da Taça São Paulo de Futebol Júnior, em seguida a Gaviões da Fiel sagrou-se campeã do carnaval paulista, o título seguinte foi o de Campeão da Copa do Brasil, credenciando o Timão para disputar a Taça Libertadores da América, e finalmente, numa final histórica, o Campeonato Paulista.

O CAMINHO PARA O TÍTULO

Corinthians e Palmeiras fizeram campanhas semelhantes durante a primeira fase do campeonato, alternando bons e maus resultados. Já na fase octogonal, o Timão começou a mostrar que 95 era mesmo um ano alvinegro. Enquanto o Palmeiras continuava apresentando um futebol instável, quase perdendo a vaga para o Mogi Mirim, o Corinthians atropelava seus adversários, entre eles a Portuguesa, time com a melhor campanha até aquela fase da disputa. Nos seis jogos do octogonal, o Timão venceu cinco e empatou um (contra o Santos, durante a "ressaca" da conquista da Copa do Brasil), o Palmeiras, no outro grupo, venceu três e empatou três. Estava pintando o fim da sequência de títulos do time do Parque Antártica.

O PRIMEIRO JOGO DA DECISÃO

A primeira partida da final, como não poderia deixar de ser num clássico entre Corinthians e Palmeiras, foi tensa e cheia de lances discutíveis. O principal deles foi aos 31 minutos do primeiro tempo, quando Mancuso fez pênalti em Souza. O juiz deu falta fora da área. O Timão saiu na frente, com um gol de Marcelinho Carioca, mas, aos 48 minutos do segundo tempo, Nílson empatou para o Palmeiras e deixou tudo igual novamente. Tudo teria que ser decidido no próximo jogo, na grande final.

A GRANDE FINAL

Dia 6 de agosto de 1995, domingo, Estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto. A primeira vitória do Timão foi nas arquibancadas, a torcida corintiana compareceu em maior número, mais presente, mais confiante do que a torcida palmeirense. A Gaviões da Fiel levou para o estádio uma bandeira de dimensões gigantescas, com o comprimento maior do que um campo de futebol, a festa começava a ser armada. Quando o Timão entrou em campo foi detonada uma verdadeira explosão de fogos. O barulho era tanto que os jogadores em campo tiveram que levar as mãos aos ouvidos. Era uma saudação digna de um time campeão. O jogo começou com muita cautela por parte das duas equipes, e quando uma jogada mais perigosa acontecia, era parada logo com falta. O juiz francês Remi Harrel começou distribuindo alguns cartões amarelos e conseguiu coibir a violência no clássico. Como só a vitória interessava ao Palmeiras, o time verde partiu para cima do Corinthians. Mas o Timão conseguiu conter o ataque palmeirense e ainda levou perigos em contra-ataques rápidos pela esquerda, onde o lateral Silvinho se destacou, tanto defendendo como puxando os contra-golpes. No segundo tempo, o Palmeiras continuou pressionando e, aos 11 minutos, Nílson (que havia entrado no lugar de Alex Alves) conseguiu furar o bloqueio da zaga corintiana para fazer 1 a 0. Entretanto, quatro minutos depois, Marcelinho Carioca cobrou com perfeição uma falta, da entrada da área, fazendo um golaço e empatando a partida. O Palmeiras sentiu o gol e não conseguiu mais levar perigo à meta de Ronaldo. O Corinthians sim, se aproveitava dos vacilos do adversário para, nos contra-ataques, chegar perigosamente ao gol de Veloso. E, mais uma vez, o jogo decisivo terminava empatado em 1 a 1. A prorrogação definiria tudo, e apenas meia hora separava o Timão de seu 21o título paulista. Na prorrogação, quando todos esperavam um Palmeiras agressivo, buscando o gol a todo custo, o que se viu foi bem diferente. O Corinthians dominou o Palmeiras e criou as jogadas mais perigosas de ataque, como a rápida entrada de Viola pela esquerda, penetrando na área e chutando forte no canto, Veloso teve que se esticar todo para defender. O primeiro tempo da prorrogação terminou assim, mais 15 minutos sem tomar gol e o Timão seria campeão. Mas não foi isso que aconteceu. No segundo tempo, o Palmeiras começou a atacar desrodenadamente, abandonando qualquer esquema tático. O Corinthians se segurava como podia e aos 9 minutos, num bate rebate dentro da área e Silvinho apareceu tirando a bola encima da linha, evitando o gol do Palmeiras. Aos 12 minutos, depois de uma cobrança de falta, Viola atrasou para Tupãzinho que rolou lateralmente para Elivélton, de fora da área, encher o pé e fazer o gol da vitória, o gol do título do Corinthians. Era o fim do sonho palmeirense do tri-campeonato.

"OS HUMILHADOS SERÃO EXALTADOS"

O atacante Marcelinho Carioca foi, sem dúvida, um dos maiores responsáveis pela conquista do campeonato paulista de 95, além de ser o carrasco do Palmeiras. Dos seis gols que o Corinthians marcou contra o Palmeiras nesse campeonato, cinco foram feitos por Marcelinho. Quando o juiz apitou o final da prorrogação, Marcelinho Carioca foi um dos jogadores que mais comemorou a vitória, correndo de um lado para o outro do campo e gritando "é tua, Fiel... é tua, Fiel", referindo-se a conquista do Paulistão 95. Marcelinho, que é evangélico, agradeceu a Deus pela vitória e desabafou citando a Bíblia : "Nós perdemos três títulos para o Palmeiras (Paulistão 93, Rio-São Paulo 93 e Brasileiro 94), eu não podia nem ir com minha esposa ao shopping que ouvia gozações de torcedores de outros times. Mas hoje o Senhor esteve do nosso lado, e os humilhados foram exaltados".

"COMECEI CAMPEÃO E SAIO CAMPEÃO"

O centroavante Viola não cabia em si de tanta emoção, chorou durante a comemoração e foi até perto da torcida para se despedir. Viola deixou o Corinthians para jogar no Valência da Espanha, mas confessou que quando voltasse, gostaria de jogar novamente no Timão: "Eu nasci campeão no Corinthians, e agora estou saindo campeão".

UMA CONQUISTA PARA FICAR NA HISTÓRIA

O adversário era o Palmeiras, velho conhecido de finais passadas. O time do Parque Antártica vinha levando a melhor nos últimos anos, vencendo quase tudo que disputava e derrotando o Corinthians em três finais seguidas entre as duas equipes. Mas dessa vez a história foi outra, o Timão tinha a raça, tinha Marcelinho Carioca e tinha a sua fiel torcida, que não deixou de acreditar um só minuto que seu time seria campeão. E a conquista teve mesmo um sabor todo especial para os corintianos. O Palmeiras queria muito o tri-campeonato, que seria o primeiro do time depois da mudança de nome (já havia conquistado um, mas ainda como Palestra Itália), além disso, o Corinthians nunca havia derrotado o Palmeiras numa final de campeonato paulista (o Corinthians foi campeão do 4o Centenário em 1954 com um empate em 1 a 1) e, para terminar, era preciso acabar de uma vez com esse estigma de vice. Bem... agora vice são eles. :-)
			



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