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'Eu não merecia'
Edílson diz acreditar que não merecia ser cortado da Seleção pelo técnico Wanderley Luxemburgo
Adalberto Leister Filho, São Paulo
Levando na bagagem a satisfação pelo título Paulista e a decepção de ter sido cortado da Seleção Brasileira pelo técnico Wanderley Luxemburgo, o meia corintiano Edílson embarcou ontem para Salvador, na Bahia. De lá, o craque irá para o Japão com a família passar alguns dias de férias.
– A atitude do Luxemburgo foi radical. Eu não merecia este corte – lamenta Edílson. – A briga foi em um jogo contra o Palmeiras, não pela Seleção – completa ele.
O meia fez algumas embaixadas com a bola, quando o título do Campeonato Paulista já estava praticamente ganho pelo Corinthians, que empatava em 2 a 2, provocando uma briga generalizada em campo.
– Não consegui dormir à noite por causa do corte. Também não fui a nenhuma das comemorações pelo título – conta o arrependido jogador.
O meia foi comunicado do seu corte pela imprensa. Não recebeu nenhuma chamada de Luxemburgo ou de qualquer membro da comissão técnica da Seleção.
– Não vou ligar para o Luxemburgo. Não tenho que pedir desculpas para ele – sentencia Edílson.
Apesar do arrependimento de ter sido o pivô da confusão da final, o meia conta que foi provocado pelos palmeirenses durante todo o jogo.
– O Arce me deu uma cusparada e o Cléber me acertou um soco, depois que ele foi expulso. Nada justifica a violência dos jogadores do Palmeiras – conta o craque.
Mesmo já tendo jogador pelo Verdão, Edílson quer esquecer qualquer amizade com os jogadores do maior rival do Timão.
– Não tenho relacionamento nenhum com os jogadores do Palmeiras. Nem faço questão de ter – afirma ele. – Também não gostaria de trabalhar com o Luiz Felipe – completa ele, respondendo ao treinador palmeirense, que havia dito que não gostaria de trabalhar com o meia.
Edílson não sabe o que fazer para evitar novas confusões nas próximas partidas contra o Palmeiras.
– A rivalidade entre os jogadores vai existir sempre. Quando os dois times estão em campo é difícil conter os ânimos – afirma o meia.
Edílson não deu bola para as declarações do atacante Paulo Nunes, que disse que bateria no meia tanto no campo como na rua.
– Ele pode falar o que quiser, mas não é maluco de fazer uma coisa dessas – diz ele, com indiferença.
Mesmo com a decepção do corte, o meia espera uma nova oportunidade no futuro.
– Estou chateado, porque era o meu momento. Iria me projetar. Acho que seria titular no próximo amistoso da Seleção (contra a Letônia no sábado). Mas espero outra chance no futuro – afirma ele.
Edílson lembrou os casos do atacante Edmundo e do meia Leonardo, expulso contra os EUA na Copa de 94, que foram perdoados e voltaram a jogar pela Seleção Brasileira.
– Esse foi o meu primeiro ato de indisciplina. E foi pelo clube, não pela Seleção – minimiza o meia.
Vasco de olho no Capeta
Vasco quer Edílson (a pedido de Edmundo) e Silvinho
São Paulo e Rio
Suas embaixadas e o quebra-pau generalizado na final do Paulista podem se tornar, para a Fiel, a última lembrança do Capetinha com a camisa do Timão. O Animal Edmundo pediu a contratação do atacante e pode ser prontamente atendido pelo vice-presidente de futebol do Vasco, Eurico Miranda.
– Eu sempre quis comprar o Edílson. Tentei outras vezes e não consegui. Só que a atitude dele no jogo e o corte da Seleção me motivaram, porque foi feita uma injustiça. A punição foi muito radical – diz Eurico.
Para levar Edílson, o Vasco terá que negociar diretamente com o Timão, que acertou sua contratação há uma semana com o Banco Bilbao Vizcaya, por cerca US$ 4 milhões. O banco garante que não negociou nada com o Vasco.
A confiança, porém, é tanta que Edmundo já começa a comemorar.
– Passamos três anos de muita alegria e glórias no Palmeiras. Lembro até que chegamos ao clube no mesmo dia. A velocidade é uma característica comum a nós – analisa o vascaíno, que aproveitou para defender o provável futuro parceiro.
– Acho que a alegria do futebol está nos dribles, nas fantasias. Se proibirem esse tipo de coisa, então é melhor a gente mudar de profissão.
Como Edílson deve formar a dupla de ataque titular do Vasco com Edmundo, Donizete pode estar dando adeus a São Januário. Outros jogadores que podem deixar o clube carioca são os meias Vagner e Ramon. O primeiro pertence à Roma, da Itália, e quase foi contratado pelo Timão no no ano passado. Já Ramon tem passe livre.
– Recebemos uma proposta concreta do Atlético-MG e de um clube paulista, mas vamos conversar com a diretoria do Vasco. Afinal, o Ramon dá preferência ao Vasco – afirma Léo Rabello, procurador de Ramon.
O Vasco também demonstra interesse pelo lateral Silvinho, para o lugar de Felipe, negociado com a Roma, da Itália. O problema é que o Arsenal, da Inglaterra, também quer.
Edílson x Luxa: mais um round da briga
O corte de Edílson é apenas mais um capítulo na longa história de desavenças com Wanderley Luxemburgo. Os problemas começaram em 93.
O hoje técnico da Seleção foi o responsável pela vinda de Edílson. O meia chegou do Guarani. Foi um dos primeiros reforços de peso da parceria Palmeiras-Parmalat.
Um dos motivos de maior irritação para o técnico é a história nunca confirmada de que Edílson teria tido um relacionamento com uma de suas três filhas. Nem Luxemburgo nem Edílson podem sequer ouvir essa conversa. A embaraçosa história virou mais uma das muitas lendas que cercam o mundo do futebol.
Nos assuntos relacionados à bola o choque também era freqüente. Nos tempos de Palmeiras, Wanderley insistia que Edílson teria que ser atacante. O Capeta discordava. Argumentava que preferia jogar como meia. Queria espaço para poder jogar.
Edílson deixou o Palmeiras em 96. Foi jogar no Japão. No Brasileiro de 97 voltou ao Brasil. Em janeiro de 98 a problemática dupla voltou a se encontrar. Não precisou nem de um mês para o Capeta dar mais dor de cabeça.
Na madrugada de 2 de fevereiro, Edílson, ao lado do inseparável Vampeta, foi preso por desacato à autoridade após discutir com um guarda de trânsito.
Luxemburgo não engoliu a conversa e deu um longo gelo no Capeta. Mesmo depois do perdão, Edílson amargou um longo período no banco. Só teve uma nova chance no Campeonato Brasileiro.
Corintianos apóiam
Edílson foi cortado da Seleção Brasileira e crucificado por todo e qualquer comentarista esportivo. Mas, dentro do Corinthians, a grande maioria dos jogadores apoiou as embaixadas do Capeta.
– Foi uma coisa que aconteceu em um momento isolado. Por isso acho que tem que ser dado um limite nessas comemorações. Acaba provocando esse tipo de reação – afirma Gamarra, acusando diretamente Paulo Nunes e suas comemorações com máscaras.
Marcelinho seguiu o mesmo discurso, como se Edílson tivesse dado uma palestra ainda no vestiário do Morumbi e convencido todos os seus companheiros.
– Para ele tomar uma atitude como aquela, deveria estar engasgado com alguma coisa. Não faria isso a troco de nada – mandou.
Nesse aspecto, então, a atitude de Edílson acabou sendo encarada como um fato normal, depois de tantas provocações dos rivais. Segundo o goleiro Maurício, o Capeta chegou no limite durante a semana de preparação para a final.
– Achei normal a atitude dele. Nós agüentamos muita coisa durante a semana. Foi um desabafo e eu o apóio integralmente.
No fim, até mesmo o sereno e equilibrado técnico Oswaldo de Oliveira entendeu seu jogador.
– O Edílson foi dar uma resposta a tudo que vinha acontecendo. Todo esse clima foi criado desde os jogos da Libertadores. Acabou até sendo uma reação natural.
Oswaldão acredita no perdão Oswaldo de Oliveira foi o responsável direto pela convocação de Edílson para a Seleção. Luxemburgo não queria levá-lo. O corte o deixou chateado. Apesar disso, acha que o Capeta pode ter nova chance. – Não é definitivo. E só o Edílson continuar jogando o futebol que apresentou no Brasileiro e no Paulista que poderá ter nova chance. |
Timão planeja nova equipe
Se você, torcedor do Corinthians, ficou preocupado com o futuro do time após a venda de Gamarra, prepare o seu coração. Nessa entressafra entre o Paulistão e o Brasileiro, muitos negócios serão feitos ou, pelo menos, tentados pela diretoria do Timão.
Além do zagueiro paraguaio, Edílson também pode deixar o Parque São Jorge, embora o Bilbao negue. Em compensação, Carlos Germano (apesar de jurar que não sai do Rio), Luizão (praticamente fechado) e Narciso (restam alguns detalhes) provavelmente vão vestir a camisa do Corinthians no segundo semestre.
E, com a saída de Edílson, Giovanni pode pintar como substituto. No meio do Paulista, o ex-jogador do Santos foi sondado, mas preferiu permanecer no Barcelona. O clube espanhol, porém, logo após o campeonato nacional resolveu dispensá-lo. Giovanni tem propostas do Galatassaray, da Turquia, e do Benfica, de Portugal.
A festa do século
Mesmo com os contratempos, o Timão caiu na farra e na folia
Chico Silva, São Paulo
A festa começou morna. A pancadaria e a notícia do corte de Edílson deixaram a turma meio para baixo. Com o passar do tempo, e das doses, o entusiasmo aumentava. No fim da noite sobravam alegria e copos vazios.
Esse é o resumo da festa de comemoração do Paulista, realizada em uma badalada cervejaria na zona leste da cidade. Dos titulares, o goleiro Maurício foi um dos primeiros a chegar. Logo depois apareceram Gamarra, junto com a esposa, Norma, e a filha Macarena, e Fernando Baiano, que trouxe para a festa dois parceiros do Jardim Macedônia. Silvinho também deu as caras. O bom menino deixou a esposa e casa e comemorou bem ao seu estilo: com muito refrigerante.
No Morumbi, zona sul, um animado churrasco na casa de Amaral iniciou a festa. O anfitrião, e os convidados Marcelinho e Ricardinho, caíram para valer no samba.
No Tatuapé, todos esperavam por Oswaldo de Oliveira. O técnico chegou por volta de 1h da madrugada, acompanhado da esposa, da filha e do amigo Renê Simões, técnico da Jamaica. Marcelinho até atravessou a cidade para abraçá-lo. Vampeta foi um dos últimos a chegar, escoltado por uma bela morena.
Adeus ao Capitão
Para desespero da Fiel, Gamarra foi mesmo embora. Hoje assina contrato com o Atlético de Madri. O melhor zagueiro do mundo diz que só sai do Timão por causa do dinheiro
São Paulo
Maurício abraça Gamarra. As lágrimas escorrem pela face do goleiro. O melhor amigo está indo embora. Gamarra tenta consolar. Não dá. Os olhos vermelhos denunciam que o durão sente o golpe. Ao mesmo tempo segura a filha que dorme no colo. A cena se passou na festa do título. É a leitura precisa da saída de Gamarra para o Atlético de Madri. De um lado, a tristeza de deixar um time que tanto ama. Do outro, a necessidade de dar um futuro seguro à família. Nesta última entrevista antes de ser apresentado pelo Atlético de Madri, o zagueiro fala sobre os motivos da saída, o novo clube, saudade, promessas...
L!: O que o Corinthians representou para você?
Gamarra: Em primeiro lugar, queria agradecer por tudo que passei aqui. Muito obrigado. Vivi momentos maravilhosos neste time. Levarei para onde for o Corinthians no coração.
L!: Na comemoração, a torcida não se cansou de pedir para você ficar. Você tem um bom salário. Não seria possível ficar?
G: Peço que a torcida me entenda. A proposta que recebi foi muito boa (US$ 150 mil mensais por um ano e meio de contrato). Tenho 28 anos. É a chance que tenho de conseguir ganhar um bom dinheiro. Além disso, jogar na Espanha será a certeza de ter mais tempo livre para passar com meus filhos.
L!: Qual foi o momento mais marcante de sua passagem?
G: Sem dúvida nenhuma foi a conquista do título Brasileiro. Foi o primeiro. Aquela conquista nos deu a chance de disputar a Libertadores, título que não tenho e queria muito. Infelizmente não deu.
L!: E o título paulista?
G: Não me senti tão emocionado. Fiquei frustrado pela forma como o jogo acabou. Queria ir até o fim. Aproveitar até o último minuto com a camisa do Corinthians. Não queria que acabasse desse jeito. Acabaram me roubando os últimos minutos que teria com a camisa do Corinthians.
L!: Onde você estava na hora daquela briga toda?
G: Tentei segurar tudo o que podia. De repente não dá para todo mundo sair brigando. É preciso alguém que tenha um pouco de calma em uma hora dessas.
L!: O que você faria se Edílson fizesse o que fez na sua frente?
G: Eu não iria agredir. Faria uma falta e nada mais.
L!: Você disse que só trocaria o Corinthians por uma equipe grande. Na Espanha, o Atlético é mero coadjuvante. Dinheiro é mais importante que títulos?
G: O Atlético tem jogadores muito bons como o Juninho. Fizeram um esforço grande para me contratar. Eles me prometeram também que iriam buscar mais reforços.
L!: Você se diz um admirador do futebol brasileiro. Se o Corinthians lhe pagasse o mesmo que o Atlético, você sairia?
G: De jeito nenhum. Estou perdendo muita coisa. Fiz amizades que nunca esquecerei. A torcida é maravilhosa. Além disso, o futebol daqui é muito bom, competitivo. Mas um dia eu ainda volto.
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