HIPERTENSÃO

        Ao  lado  da  hipercolesterolemia  e   do   fumo,  os   níveis elevados    de   PRESSÃO   ALTA
arterial são   um  dos   mais  importantes fatores  de  risco  para  doença coronariana. A   relação  entre
os  níveis  de  pressão arterial,  principalmente  a  diastólica (ou mínima), e  a   incidência   de   doença
coronariana é linear, isto é, quanto mais alta a pressão, maior  é  o  risco do  aparecimento  da  doença.
        É importante ressaltar que, assim como ocorre com  o   colesterol,  níveis  elevados  de   pressão   não
necessariamente produzirão sintomas, sendo aconselhável aferições periódicas da pressão arterial.
        A  hipertensão arterial  é  um   dos   principais  fatores   associados   ao  desenvolvimento de  doenças
cardiovasculares, como aterosclerose coronarianae insuficiência cardíaca, bem como de outras doenças como insuficiência renal e derrames cerebrais. Apesar de tantos malefícios,a hipertensão arterial é ainda muito negligenciada por pacientes e  até  mesmo  por  médicos  mais desavisados.  Vários  fatores tem contribuídopara este  descaso,  como  por  exemplo, o  fato de  que a  hipertensão  quase  sempre não apresenta  qualquer  sintoma ,  o  que muitas vezes dificulta o diagnóstico e a aderência  ao tratamento.  A hipertensão arterial é a doençacrônico degenerativa mais comum em  nosso  meio, estimando-se  que sua prevalência na populaçãoadulta seja de 15%, e  constitui  um  importante  fator de  risco  coronário, estando  relacionada a  40%  dos  óbitos   por   doenças  cardiovasculares  e a  uma  maior  chance  de desenvolver   complicações,  tais   como  acidente  vascular  cerebral (derrame), infarto do miocárdio e
insuficiência cardíaca.
 

QUAL É A CAUSA DA HIPERTENSÃOARTERIAL?

    Existem  dois  tipos de  hipertensão  arterial  (HA):  hipertensão primária  e secundária. A HA primária
correspondea 90% dos casos e se caracteriza por não haver uma causa conhecida, enquanto  os  10%
restantes correspondem a HA secundária,onde é possível identificar-se uma causa para  a hipertensão,
como por exemplo problemas renais, problemas na artériaaorta, tumores (feocromocitoma) e  algumas
doenças endocrinológicas.
 

COMO É FEITO O DIAGNOSTICO?

    O diagnóstico é feitoatravés da medida da pressão arterial,  com  a ajuda  de  um  esfigmomanômetro.
Existem alguns fatoresque alteram a pressão arterial, portanto uma medida isolada da  pressão  arterial
não é suficientepara tal diagnóstico, sendo necessário, quando da suspeitade HA,  várias  medidas  em
momentos diferentes dodia.  Hoje já existe disponível um  sistema de  monitorização  ambulatorial  da
pressãoarterial, o MAPA, que torna mais fácil e certo o diagnósticoda HA,  no  qual  alguns  pacientes
são submetido  durante 24  horas  à  medida  sistemática de  sua  pressão  arterial,  durante  as várias
atividades de seu dia, quando houver precisa  indicação  médica.  Em termos  de  valores  de  pressão
arterial, considera-se como normaisos valores até 140 para a pressão  arterial  sistólica ( ou "máxima")
e até 90 para a pressãodiastólica (ou "mínima"). A partir destes valores até159/94  classifica-se  como
hipertensão limítrofe,e como hipertensão definida os níveis pressóricossuperiores ou iguais  a  160/95.
Apesar destes critérios,sabe-se que quanto maior a pressão arterial (sistólica oudiastólica) maior será a
mortalidade e as complicaçõesassociadas.
 

A HIPERTENSÃO ARTERIALTEM CURA?

Como já colocado acima, paraa grande maioria dos casos de hipertensão não é possível identificar-se uma
causa, e portanto o tratamento tem como objetivo apenaso controle  da  pressão  arterial  e  seránecessário
por toda  a  vida. É  muito comum  que  uma  pessoa  portadora  de  HA, uma vez  tendo
controlado sua hipertensão,deixe de lado o tratamento por achar que não é mais hipertenso, voltando
então aos níveis pressóricosanteriores. Este é um erro comum, e uma boa  orientação,no  sentido  de
conscientizar o paciente hipertenso  de que  não  há  cura, mas  sim  um controle  adequado  de  sua
pressão  arterial,se  faz  necessária. A  exceção a  esta  regra  seriam  aqueles  casos  de hipertensão
secundária,  onde é  possível  identificar-se  uma causa, namaioria das vezes passível de tratamento,
sendo, em tese, possívela cura.
 

QUE FATORES INFLUENCIAM OS NÍVEISDE PRESSÃO ARTERIAL?

Existem  alguns  fatores que definidamente  interferem  aumentando  os  níveis tensionais,  como,  por
exemplo, o hábito de fumar, ouso de bebidas alcóolicas, a obesidade, o "stress" e a ingesta excessivade sal.
O controle destes fatores é de extrema importância no  controle  da  pressão  arterial  e devem  ser
valorizados como tal. Muitas vezes a modificaçãodestes fatores pode  ser  suficiente  para  o adequado
controle da pressão arterial, dispensando o tratamentomedicamentoso.

QUAIS SÃO OS SINTOMASDE PRESSÃO ALTA?

Ao  contrário do que a maioria das pessoas imagina, a hipertensão leve a moderadapode estar presente
sem qualquer sintoma associado. Os sintomas que podemsugerir repercussão da hipertensão devem ser
muito bem caracterizados.Muitos pacientes tem dor  no  peito, cefaléia , tonturas e  dispnéia  devido a
outras causas que não a hipertensãoe suas conseqüências.
 

TER PRESSÃO ALTA ÉIGUAL A TER PROBLEMA DE CORAÇÃO?

Não,  ter  pressão alta  não  é  igual  a  ter "problema  de  coração",  mas  pode ser  o primeiro passo.
O indivíduo hipertenso temde três a cinco  vezes  mais  chance  de apresentar  um  acidente  vascular
cerebral (derrame), duas a trêsvezes mais chance de  desenvolver  cardiopatia  isquêmica (doença das
artérias  coronárias  como angina  ou  infarto), três  vezes  mais chance  de  desenvolver  claudicação
intermitente(dor  em  membros  inferiores  ao  caminhar, secundária  a  obstrução de  algumaartéria),
e quatro vezes mais chance de desenvolver  insuficiência  cardíaca  (falha do  coração  como  bomba
levando a falta de ar) do que o indivíduo  normotenso. Portanto, com  um  bom controle  da  pressão
arterial é possívela prevenção de muitas doenças do sistema cardiovascular.
 

COMO É O TRATAMENTO?

O tratamento pode ser medicamentosoe não medicamentoso. Qualquer   que seja  a opção,  é  muito
importante obter-se a adesãocontinuada do paciente às medidas recomendadas .

Recomendações nãofarmacológicas úteis no tratamento da hipertensão arterial:

·Tratar a obesidade como principal objetivo
· Reduzira ingestão de sal
· Aumentara ingestão de frutas e verduras, para obter maior ingestãode potássio
· Limitara ingestão de álcool a no máximo 1 cerveja, ou 1/2 garrafa vinho, ou 1 dose de destilado
·Realizar exercícios físicos regularmente
·Reduzir a ingestão de gorduras saturadas e carboidratos refinados
·Parar de fumar

Do ponto de vista medicamentoso,existe uma gama de medicações eficazes no  controle da  hipertensão,
cabendo ao seu médico a escolha deuma ou mais drogas, de acordo com a gravidade e com as patologias
associadas.É fundamental que o tratamento medicamentos seja feito sob orientaçãomédica.

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