The purpose of this study was to evaluate the cervical
precision of Ni-Cr coppings, when types and techniques of casting investment
were modified.
The casting investment used showed different performances.
Immersion im water at 38oC and under pressure of 2,81 kg/cm2
was the best technique for Hi-Temp casting investment. Acquavest, the other
casting investment used, showed better adjustment than Hi-Temp with no
differences among the techniques used.
Uniterms: Casting investments; Dental alloy, casting.
RESUMO
Os autores avaliaram o desajuste cervical de infra-estruturas para metalocerâmicas
confeccionadas com uma liga de Níquel-Cromo, quando variaram o tipo
de revestimento e técnicas de inclusão. Verificaram que os
revestimentos utilizados apresentaram performances diferentes; que o fato
de imergir o revestimento Hi-Temp em água à 38oC
e sob pressão de 2,81 kg/cm2 promoveu menores desajustes
para este revestimento. Também verificaram que o revestimento Acquavest
apresentou os menores desajustes, não tendo demonstrado diferenças
dentro das técnicas utilizadas.
Unitermos: Revestimentos; Ligas odontológicas, fundição.
Desde os primórdios a arte médica, de maneira global,
tem procurado aliviar o sofrimento humano, desenvolvendo técnicas
terapêuticas e substitutos artificiais para elementos funcionais
humanos perdidos. Foi com Taggart16 que a Odontologia,
em 1907, ganhou um novo impulso na substituição de elementos
ou parte de elementos dentais perdidos. Com o decorrer do tempo, foram
desenvolvidas ligas para fundição odontológica com
baixo ter de ouro e de outros metais nobres, no sentido de atender ao apelo
social de diminuição de custos sem preterir à qualidade.
Este novo conceito foi marcado por Roebuck11 em 1915.
Também evoluíram as técnicas de confecção,
bem como a estética das restaurações indiretas, de
modo muito especial as metalocerâmicas. Assim hoje existem sistemas
que utilizando ligas não nobres respondem de modo muito satisfatório
à estética dos pacientes além de oferecerem qualidade
funcional às reabilitações dentais protéticas.
Técnicas de compensação da contração
de fundição das ligas também estão sendo constantemente
aprimoradas. Muito autores, como Craig & Peyton3,
têm estudado o comportamento de revestimentos para fundições
odontológicas, frente à técnicas diversas, no sentido
de adequá-las ao tipo de composição da liga utilizada.
O objetivo do presente trabalho foi verificar a adaptação
cervical de infra-estruturas metálicas para coroas de metalocerâmicas
confeccionadas com uma liga do sistema Ni-Cr, desenvolvida por Mondelli,
J. e equipe, segundo tipos e técnicas de expansão dos revestimentos.
MATERIAIS E MÉTODO
Para a realização deste trabalho, utilizaram-se os revestimentos
caracterizados no Quadro 1 e uma liga de Ni-Cr. Esta liga possui 65% de
Ni, 20% de Cr, 8% de Mb, e elementos de liga Ni, Mn, Fe e Ti num total
de 7%. Apresenta 2,14% de contração de fundição,
dureza Rockwell de 75,6, resistência à tração
de 5.350 kg/cm2, temperatura de fusão de 1350oC e temperatura
para o anel de fundição em 850oC.
Quadro I - Revestimentos utilizados.
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| Fabricante |
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| nº do lote |
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| Expansão de presa |
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| Expansão térmica
(700-1000 0C)ooooooo |
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| Expansão higroscópica |
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| Consistência |
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Para a obtenção das infra-estruturas metálicas, foram realizados enceramentos padronizados por uma matriz, sobre um troquel metálico, confeccionado em liga de Cr-Co. Este troquel obedeceu as recomendações de Janson et al8 de preparo para uma coroa total em pré-molares. Concluído o enceramento, realizou-se a inclusão do padrão para a fundição. Para isto, o padrão de cera foi fixado na base formadora de cadinho por meio de um "sprue" com 2 mm de diâmetro, sem canal de ventilação, conforme sugestão de Wight17. Colocado sobre a base formadora de cadinho, o padrão estava 6 mm distante da borda superior, de acordo com Consani & Ruhnke4 e Asgar et al1. Neste momento os revestimentos foram proporcionados, manipulados em espatulador mecânico (Whip-Mix Corporation), conforme a recomendação dos respectivos fabricantes e vertidos dentro do anel de fundição, aplicando-se então os seguintes tratamentos:
| GRUPO A: Possuía anel de fundição metálico revestido com uma única tira de amianto, umedecida com água destilada. |
| GRUPO B: Possuía anel de fundição metálico revestido com duas tiras de amianto, umedecidas com água destilada. |
| GRUPO C: Possuía anel de PVC com fenda longitudinal que foi imerso, após o vazamento do revestimento, em água à 38oC por quarenta minutos. |
| GRUPO D: Possía anel de PVC com fenda longitudinal que foi imerso, após o vazamento do revestimento, em água à 38oC, sob 2,81 kg/cm2 de pressão, por cinco minutos e por mais trinta e cinco minutos de imersão sem pressão, dentro de uma polimerizadora de resina acrílica (EDG-Equipamentos e Controles Ltda). |
Decorrido o tempo de presa dos revestimentos, os
corpos de prova foram armazenados por 60 minutos em temperatura ambiente,
conforme orientação de Lacy et al9. Após
este tempo foram realizadas as fundições, levando-se antes
os anéis de fundição ao forno para o devido pré-aquecimento.
Sempre se utilizaram ligas novas para a fundição,
que foi realizada com maçarico gás/oxigênio. As infra-estruturas
já fundidas foram removidas do revestimento e imediatamente tiveram
o término cervical protegido com cera no 7. Em
seguida estas foram limpas do revestimento com jatos de óxido de
alumínio e não foram usinadas.
O desajuste foi determinado posicionando-se a infra-estrutura
metálica no troquel de Ni-Cr, onde se realizou o enceramento. Quando
posicionada, a infra-estrutura recebeu uma carga axial de ajuste no valor
de 9 kgf, durante um minuto, atendendo a recomendação de
Grieve6. Após este procedimento o conjunto troquel/infra-estrutura
foi levado ao microscópio comparador (Mitutoyo, Japan) para a medida
do desajuste cervical. Foram realizadas 3 medidas em 4 pontos do término
cervical, totalizando 384 medições.
Os resultados, expressos em média de desajuste, estão estabelecidos no quadro 2.
Quadro 2- Média dos desajustes, em mm, das infra-estruturas metálicas.
| MARCA | GRUPO A | GRUPO B | GRUPO C | GRUPO D |
| Acquavest | 0,173 | 0,140 | 1,137 | 0,084 |
| Hi-Temp | 0,442 | 0,504 | 0,277 | 0,195 |
Os resultados das medições foram submetidos ao tratamento estatístico ANOVA com dois critérios de classificação e ao teste de Tukey-Kramer com a = 5%.
TABELA 1 - Análise de variância das médias de desajustes das infra-estruturas metálicas.
| CAUSAS DE VARIAÇÃO | GL | SQ | QM | F |
| Grupos | 3 | 0,178 | 0,059 | 19,66* |
| Marcas | 1 | 0,391 | 0,391 | 130,33* |
| Interação | 3 | 0,83 | 0,028 | 9,33* |
| Resíduo | 24 | 0,061 | 0,003 | - |
| TOTAL | 31 |
TABELA II - Análise de variância das médias de desajustes das infra-estruturas metálicas, com desdobramento da interação.
| CAUSAS DE VARIAÇÃO | GL | SQ | QM | F |
| MARCAS | 1 | 0,391 | 0,391 | 130,33* |
| GRUPOS dt marca R1 |
3 |
0,16 |
0,005 |
1,66 |
| GRUPOS dt marca R2 |
3 |
0,245 |
0,082 |
27,33* |
| Resíduo | 24 | 0,061 | 0,003 | |
| TOTAL | 31 |
TABELA III - Comparações individuais
entre grupos dentro da marca R2.
Teste de Tukey-Kramer
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Pela análise das tabelas I, II e III, pôde-se
notar que o revestimento Hi-Temp apresentou fundições com
desajustes maiores que aqueles apresentados pelas fundições
realizadas com o revestimento Acquavest. Este fato pôde ser notado
em qualquer uma das técnicas de compensação utilizadas
por ocasião da inclusão. Realmente, já era de se esperar
este fato, pois Byrne et al2 mostraram que a densidade
do revestimento Hi-Temp pode causar problemas de fundição
e variações de comportamento frente a determinada situação.
Assim, o revestimento Acquavest, indicando para a técnica de compensação
de cotnração via expansão higroscópica, proporcionou
a obtenção de peças fundidas com uma precisão
superior àquelas obtidas com o revestimento Hi-Temp.
A técnica de compensação de
contração obtida na expansão higroscópica,
grupos C e D, foi a que apresentou fundições com as melhores
adaptações, ratificando os achados de Scheu12,13,14
Hollemback7 e Fusayama5.
Verificamos os resultados de adaptação
da fundição obtida pela técnica da expansão
higroscópica via imersão em água aquecida à
38oC e sob pressão atmosférica de 2,81 kg/cm2,
notou-se que os valores foram os melhores e se aproximaram daqueles obtidos
por outros autores5,10,15.
Provavelmente isto se deva a uma expansão
maior e mais regular do molde de revestimento promovida pelo aquecimento
e pela pressão, porque o fato da expansão ocorrer sob pressão
acarreta um aumento da densidade do revestimento melhorando a textura superficial
e a lisura das fundições.
Os piores resultados foram os obtidos a partir de
corpos de prova confeccionados em anel de fundição revestido
com 2 tiras de amianto embebidas em água destilada.
CONCLUSÕES
Deste trabalho, após a devida análise
estatística dos resultados, pôde-se concluir que:
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| 01- | ASGAR, K. et al. Further investigations into the nature of hygroscope expansion of dental casting investments. J. prosth. Dent., v.8, n.4, p.674-84, Sept. 1958. |
| 02- | BYRNE, G. et al. Casting accuracy of high-paladium alloys. J. prosth. Dent.,v.55, n.3, p.297-301, Mar. 1980. |
| 03- | CRAIG, R.G.; PEYTON, F.A. Restorative dental materials, 5a ed., Saint Louis, Mosby, 1975. |
| 04- | CONSANI, S.; RUHNKE, L.A. An explanation for the water distribution in a hygroscopic technique. J. dent. Res., v.50, n.6, p.1048-54, June, 1980. |
| 05- | FUSAYAMA, T. Synthetic study on precision dental casting. Bull. Tokyo med. dent. Univ., v.11, n.2, p.165-205, June 1964. |
| 06- | GRIEVE, A.R. A study of dental cements. Brit. dent. J., v.127, n.9, p.405-10, Nov. 1969. |
| 07- | HOLLENBACK, G.M. Precision gold inlays made by a simple technic. J. Am. dent. Ass., v.30, p.99-109, Jan. 1943. |
| 08- | JANSON, W.A. et al. Preparo de dentes com finalidade protética. Técnica da Silhueta. Bauru, Faculdade de Odontologia de Bauru-USP, 1986. |
| 09- | LACY, A.M. et al. Three factors affecting investments setting expansion and casting size. J. prosth. Dent., v.40, n.1, p.52-8, Jan. 1983. |
| 10- | LANDGREN, N.; PEYTON, F.A. Hygroscopic expansion of some casting investments. J. dent. Res., v.29, n.4, p.469-81, Aug. 1950. |
| 11- | ROEBUCK, L.N. Cast aluminium inlays. Amer. Dent. J., v.13, p.527-9, 1915. |
| 12- | SCHEU, C.H. A new precision casting technic. J. Am. dent. Ass., v.19, p.30-3, Apr. 1932. |
| 13- | _______. Precision casting utilizing the hygroscopyc action of plaster in investment making expanded molds. J. Am. dent. Ass., v.20, p.1205-15, July 1933. |
| 14- | _______. Controlled hygroscopyc expansion of investment to compensate for shrinkage in inlays casting. J. Amer. dent. Ass., v.22, p.452-55, Mar. 1935. |
| 15- | SCHWARTZ, I.S. A review of method and techniques to improve the fit of cast restorations. J. prosth. Dent., v.56, n.3, p.279-83, Sept. 1986. |
| 16- | TAGGART, W.H. A new accurate method of making gold inlays. Dental Cosmos., v.49, n.11, p.1117-21, Nov. 1907. |
| 17- | WIGHT, T.A. et al. Evaluation of three variables affecting the casting of base metal alloys. J. prosth. Dent., v.43, n.4, 415-18, Apr. 1980. |