The authors report a clinic treatment when enamel color was improved using the hydrochloric acid technique.
Key Words: Tooth; dental enamel; hydrochloric acid.
Os autores apresentam um caso clínico, onde foram removidas manchas brancas de esmalte dentário, utilizando-se de uma pasta constituída por uma solução de ácido clorídrico e pedra-pomes.
Unitermos: Dente, esmalte dentário; ácido clorídrico.
Dentes polpados com manchas no esmalte, têm sido motivo para a pertubação da estética em muitos pacientes. Assim, autores como Croll & Cavanaugh2,4, McCloskey6, Lima Navarro et al5, preocuparam-se com técnicas para a reabilitação estética do esmalte dentário sem que, a priori fosse necessária a restauração do dente de forma convencional. Deste modo, Croll1 e Croll & Cavanaugh2 consideraram uma técnica que, independentemente da etiologia, localização ou número de manchas, estas podem ser facilmente removidas. O sucesso, segundo estes autores1,2, fica condicionado à profundidade do esmalte manchado, sendo que manchas superficiais têm, geralmente, o tratamento coroado de sucesso, enquanto que aquelas mais profundas necessitam algumas vezes de um reparo com resina fotopolimerizável.
Quando um dente se apresenta com manchas, faz-se necessário uma avaliação criteriosa no sentido de poder oferecer um tratamento adequado. Assim, ao depararmos com lesões de superfícies lisas que se iniciam pelas manchas brancas, o tratamento de escolha é a remineralização do esmalte (Lima Navarro et al5). Quando porém, nos deparamos com manchas resistentes a este tratamento ou com outra etiologia, podemos lançar mão da técnica proposta por Croll & Cavanaugh2,4. Se a opção for esta, necessitaremos inicialmente de uma pasta consistente, obtida com a mistura de pó de pedra-pomes com uma solução de ácido clorídrico a 18% e, outra obtida com a mistura de bicarbonato de sódio com água.
Um garoto de 12 anos de idade, apresentou-se com os incisos centrais superiores polpados e com a estética comprometida devido a presença de manchas brancas do esmalte dentário (Fig. 1). Soube-se que já havia tentado, sem sucesso, tratamento de remineralização, pelos menos no que diz respeito ao desaparecimento das manchas.
Constatou-se, após minucioso exame clínico, que não se tratava de descalcificação provocada por placa bacteriana e nem havia cavitação na região manchada do esmalte, dando parecer uma mancha intrínseca do esmalte. Procedemos, então, ao tratamento.
Inicialmente realizamos com uma pasta profilática não gordurosa, a limpeza da superfície dental, procedendo em seguida o isolamento absoluto dos dentes. Na região de contato do dique de borracha com o sulco gengival, aplicamos verniz cavitário, no sentido de promover um melhor vedamento nesta região. Em seguida, aplicamos nas regiões circunvizinhas dos dentes a serem tratados, a pasta de bicarbonato de cálcio, para promover a neutralização de possíveis escoamentos do ácido clorídrico durante a aplicação do mesmo. Após isto, procedemos a secagem dos dentes com jatos de ar e passamos para a aplicação da pasta de ácido clorídrico com pedra-pomes. Esta foi aplicada nas regiões manchadas dos dentes, durante um lapso de 5 segundos, sendo esfregada vigorosamente por um palito de madeira (Fig. 2). Após esta aplicação lavamos abundantemente os dentes com jatos de ar-água por aproximadamente 15 segundos e secamos com jatos de ar. Nova aplicação, como a anterior, realizamos para promover a remoção das manchas nos locais mais resistentes.
Estando com os dentes já secos, passamos para a aplicação de flúor-fosfato-ácido de modo tópico na superfície tratada dos dentes. Este procedimento foi realizado no sentido de possibilitar a incorporação do flúor ao esmalte e, teve a duração de 5 minutos (Fig. 3). Terminado este passo, passamos ao procedimento final que consistiu no polimento dos dentes com discos de lixa de pouca abrasividade Sof Lex, no sentido de reaver o brilho característico do esmalte dentário (Fig. 4). Nova aplicação tópica de flúor-fosfato-ácido, realizamos por 5 minutos, procedemos a avaliação do caso terminado (Fig. 5) e dispensamos o paciente.
Como pode ser facilmente notado pelas figuras 1 e 5, o desaparecimento das manchas do esmalte dentário daquele paciente foi bastante satisfatório. Isto nos leva a considerar o tratamento anteriormente descrito, como sendo mais uma alternativa no tratamento de manchas do esmalte dentário.
01- CROLL, T.P. Enamel color improvement: all things considered. Quintessence Int., 17(5):271-5, 1986.
02- CROLL, T.P. & CAVANAUGH, R.R. Enamel color modification by controlled hydrochloric acid-pumice abrasion. 1 - Technique and examples. Quintessence Int., 17(2):81-7, 1986.
03- ______________ & ______________ ___ Enamel color modification by controlled hydrochloric acid-pumice abrasion. II - Further examples. Quintessence Int., 17(3):157-64, 1986.
04- ______________ & ______________ ___ Hydrochloric acid-pumice enamel surface abrasion for color modification: results after six months. Quintessence Int., 17(6):335-41, 1986.
05- LIM ANAVARRO, M.F. et al ___ Remineralização de manchas brancas em esmalte. Estomat. & cult., 15(4):41-6, 1985.
06- McCLOSKEY, R.J. ___ A technique for removal of fluorosis stains. J. Am. dent. Assoc., 109:63-4, 1994.