Uniterms: Dental cements; Composite resin; Glass-ionomer cement; Class III restorations.
RESUMO:
Descreve-se uma
técnica inovadora de restauração estética,
utilizando-se dois materiais (cimento ionomérico e resina composta)
em classe III. São apresentadas as vantagens e implicações
que tal procedimento operatório proporciona.
Unitermos: Cimentos odontológicos;
Resinas compostas; Cimento ionomérico; Restauração
de classe III.
Os pacientes tornam-se cada vez mais exigentes no
tratamento recebido, principalmente no que concerne as restaurações
estéticas. Atualmente o material mais utilizado nas restaurações
de dentes anteriores é, indubitavelmente, a resina composta. Porém,
sabemos de alguns inconvenientes decorrentes do uso deste material, como:
incompatibilidade biológica, adaptação e infiltração
marginal na região cervical devido falta de esmalte superficial.
WILSON & KENT13, apresentaram um
novo material restaurador denominado cimento de ionômero de vidro.
Este cimento apresentava solução aquosa de homopolímeros
de ácido acrílico, ou co-polímeros e o pó consistia
da fusão de misturas de sílica, alumínio, criolita
e fluoretos. Os autores salientavam como vantagem: superfície resistente
a manchas e ao ataque de ácidos, menos irritante a polpa (em relação
ao silicato), e apresentava união às estruturas dentárias.
A partir daí este cimento iniciou sua evolução, buscando
o aprimoramento de suas propriedades, sendo uma de suas principais desvantagens
desde então a opacidade trazendo inconvenientes estéticos.
Atualmente, os elementos ativos encontram-se incorporados ao pó
que para geleificar é misturado com água destilada. Este
aspecto simplifica sobremaneira a manipulação e promove rápida
reação de presa. O cimento ionomérico, possui como
principais vantagens sobre a maioria dos outros materiais restaurados a
adesão à estrutura dentária2,5,7,9,13,14
e liberação de flúor para o elemento dentário3,4,10,
abrangendo esta liberação inclusive áreas mais distantes12.
Buscando "simbiose" entre dois materiais (ionômero
de vidro e resina composta fotopolimerizável), McLEAN et alii9
descreveram uma técnica interessante, onde associam em uma restauração
de classe V o ionômero inteiramente recoberto depois por resina composta.
Inspirados neste trabalho, apresentamos um caso clínico utilizando
essa técnica, porém em cavidade de classe III.
O paciente apresentava cáries proximais nos
dentes 11 e 12 (figura 1A), onde foram realizados preparos cavitários
conservadores, restringindo-se somente a remoção do tecido
cariado e acabamento das paredes cavitárias (figuras 1B). Lavou-se
a cavidade com água de hidróxido de cálcio (figura
1C) e como a cavidade se apresentava profunda protegeu-se a parede axial
com cimento de hidróxido de cálcio (figura 1D). Foi aplicado
no interior do preparo, ácido cítrico 50% por 10 segundos;
este ácido não tem por finalidade promover micro-retenções,
mas sim efetuar uma limpeza na cavidade, visto que, o cimento de ionômero
de vidro por si só, promove uma reação de quelação
com a estrutura dentária aderindo-se à mesma; lavou-se a
cavidade abundantemente com jatos de água, secando-se a seguir.
O material após manipulado foi levado à cavidade, onde a
matriz já se encontrava em posição estabilizada por
cunha de madeira. Esta matriz ficou mantida em posição por
5 minutos1,8,11, protegendo-se a seguir a restauração
com verniz convencional. Os excessos grosseiros foram removidos com lâmina
de bisturi afiada; assim conclui-se a 1a parte do procedimento,
que foi a restauração da cavidade com cimento ionomérico
(Chem Fill II).
A seguir, desgastou-se em forma côncava, superficialmente
este cimento de ionômero, com broca esférica (figura 2A) e
confeccionou-se um bisel do cavo-superficial nas regiões que apresentavam
esmalte suficiente (figura 2B). Este procedimento deve ser realizado com
uma ponta diamantada de extremo em forma de chama. O esmalte biselado,
as paredes cavitárias internas e a superfície do cimento
ionomérico foram condicionados com ácido fosfórico
37% por 1 minuto, lavando-se em seguida abundantemente, com posterior secagem
(fig. 2C).
Como mostrado em microscopia e comprovado em testes
mecânicos9, o condicionamento do cimento, apresenta características
semelhantes ao esmalte condicionado e a resina quando sobre esta estrutura
condicionada terá retenção efetiva; sendo assim aplicou-se
a resina fluída e resina composta fotopolimerizável de maneira
convencional (figura 2D). O acabamento final deu-se com discos Sof-Lex.
A tendência atual é que se faça
a restauração com cimento ionomérico numa sessão
e a restauração com resina composta numa outra sessão
de atendimento.
Nos parece um procedimento restaurador extremamente viável, visto que temos numa restauração os principais benefícios do cimento ionomérico (adesão à estrutura dentária e liberação de flúor) associada às excelentes condições estéticas das resinas compostas fotopolimerizáveis.
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