ADAPTAÇÃO DO AMÁLGAMA EM CAVIDADES DE CLASSE II
MODIFICADAS - CONDENSAÇÃO MANUAL VS MECÂNICA
(AMALGAM ADAPTATION ON MODIFIED CLASS IN CAVITY -
MANUAL VS MECHANICAL CONDENSATION)
 
José Roberto LOVADINO*
João Lúcio CORADAZZI**
Aquira ISHIKIRIAMA**
José MONDELLI**
Carlos Eduardo FRANCISCHONE**
 

LOVADINO, J.R. et alii. Adaptação do amálgama em cavidades de classe II modificadas - condensação manual vs mecânica. Rev. Odont. USP, 2(1):3-5, jan-mar., 1988.
 

O presente trabalho propôs-se a verificar a adaptação do amálgama dental condensado manual e mecanicamente, nos ângulos vestíbulo-gengival e linguo-gengival de cavidades de classe II modificadas, confeccionadas em troquéis metálicos, através da técnica descrita por MARQUES et alii8. Baseados nos resultados ou autores concluíram que a condensação mecânica promove uma melhor adaptação da massa de amálgama nos ângulos estudados, diminuindo o desajuste na interface amálgama-troquel e a quantidade de poros.

UNITERMOS: Amálgama dental; materiais dentários; materiais restauradores.


 INTRODUÇÃO

O amálgama dentário foi e continua sendo o material dentário mais utilizado para restaurações dentais9. Deste modo, parece ser correto que o sucesso das restaurações de amálgama está relacionado ao detalhamento técnico, tanto do preparo cavitário como da manipulação do material. É sabido que, em especial, ângulos diedros são bastante susceptíveis à concentrações de porosidades e à má adaptação da massa de amálgama2,10, e que um dos fatores que concorrem com este fato é a condensação do amálgama na cavidade1,3,4,6,7,13.

O objetivo deste trabalho foi estudar a influência da condensação manual e mecânica do amálgama de prata, com esforço controlado, na interface troquel-restauração dos ângulos gengivo-lingual e gengivo-vestibular, no que diz respeito ao desajuste da massa de amálgama ao troquel, e a formação de poros.



 MATERIAIS E MÉTODO

Foram utilizados seis troquéis metálicos que exibiam uma cavidade do tipo MO modificada, isto é, com a superfície mesial desgastada de modo a formar uma superfície plana. Nestes, foram realizadas restaurações de amálgama, com o auxílio de uma matriz de acrílico plana e polida, mantida em posição, na superfície mesial, por meio de um porta-matrix munido com tira de matriz de aço.

A limalha utilizada foi do tipo convencional de corte fino*, sendo que esta e o mercúrio foram proporcionados com uma balança analítica com 0,0001g de precisão, na proporção de 1/1 em peso. Ambos foram triturados em amalgamador mecânico de alta velocidade**, munido de cápsula plástica com pistilo metálico, por um tempo de 10 segundos.

A massa de amálgama obtida pela tritutação foi, então, dividida em 3 partes iguais e condensada na cavidade do troquel metálico com condensadores de ponta ativa circular e plana, com diâmetro de 1,5 mm para a caixa proximal de 2,0 mm para a caixa oclusal. A força de condensação foi controlada em 1,5 kgf, através de um dinamômetro de coluna de mercúrio. Foram realizadas condensação manual e mecânica, com 3 réplicas para cada situação, sendo que o condensador atuou 10 vezes em cada incremento adicionado tanto no sentido vertical como lateral. O condensador mecânico utilizado foi o do tipo adaptável em micro-motor (Dabi-Atlante S/A., Ribeirão Preto-SP) e o condensador manual do tipo Hollemback no 1.

Após a condensação, os corpos de prova foram armazenados em estufa por 24 horas com temperatura controlada em 37 ± 2oC e umidade relativa 100%. Decorrido este período, os corpos de prova foram preparados para a análise dos ângulos gengivo-vestibular e gengivo-lingual e analisados segundo o método descrito por MARQUES et alii8, isto é, técnica de epi-microscopia fluorescente através da auramina, obtendo-se assim 12 fotografias.

Para a análise das fotografias estudadas, 2 avaliadores foram devidamente calibrados, de forma tal que não existisse dúvida durante a interpretação. O aspecto considerado na avaliação foi o grau de desadaptação e/ou irregularidades na interface troquel metálico-restauração a amálgama. O método de avaliação selecionado foi o de análise das fotografias em ordenação seqüencial proposto por OSBORNE et alii11.



RESULTADOS E DISCUSSÃO

A ordenação e análise das fotografias, mostraram, por unanimidade, que os corpos de prova com amálgama condensado mecanicamente exibem uma melhor adaptação da massa de amálgama condensada. Mostraram ainda, que ocorre exatamente o contrário quando o amálgama é condensado manualmente. Este fato pode ser constatado nas figuras amostrais 1 e 2. Com base no teste de Mann-Whitney este resultado está associado a uma probabilidade de 0,1%, portanto estatisticamente significante.
 

Figura 1
Figura 2
Estes resultados vêm ratificar os obtidos por autores como HOLLENBACK6, GOURLEY et alii4, RYGE et alii12 que demonstraram ser a condensação mecânica responsável por melhor adaptação da massa de amálgama e uma menor incidência de porosidade. Entretanto, os mesmos RYGE et alii12 acreditam que após 24 horas da condensação, as propriedades físicas do amálgama condensado manual ou mecanicamente são iguais. HAYNES5, acredita que não existem diferenças nos resultados obtidos com a condensação manual ou mecânica, salientando porém uma maior facilidade de operação na condensação mecânica, ficando os melhores resultados obtidos, por conta da força empregada na condensação e não pela instrumentação.

Mesmo assim, seguindo os parâmetros estabelecidos em nosso estudo e de acordo com os nossos resultados obtidos, permitimo-nos afirmar que a condensação realizada com condensador mecânico foi mais eficiente na adaptação do amálgama de prata e na diminuição de porosidades, que a condensação realizada com condensador manual.



 CONCLUSÕES

Baseados nos resultados obtidos em nosso experimento, pudemos concluir que:

1- A condensação mecânica promove uma menor incidência de poros na região dos ângulos diedros vestíbulos e linguo-gengival, que a condensação manual.

2- A condensação mecânica promove uma melhor adaptação da massa de amálgama na interface troquel-restauração.



LOVADINO, J.R. et alii. Amalgam adaptation on modified class in cavity - manual vs mechanical condensation. Rev. Odont. USP, 2(1):3-5, jan./mar. 1988.


 
This paper verified the level by epi-fluorescence method of adaptation of amalgam at gengivo-bucal and gengivo-lingual angles, by using the mechanical and manual condensation. The authors concluded that the mechanical condensation provided best adaptation of the amalgam at the studied areas, and smaller voids formation.

UNITERMS: Dental amalgam, dental materials, restorative materials.



 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 
1. CLARK, A.E. et alii. The influence of condensing pressure on the strength of three dental amalgams. Oper. dent., 6:6-10, 1981.  
 
2. CORADAZZI, J.L. et alii. Effect of condensers on adaptability and microporosity of amalgam restoration. J. Pedod., 8:57-70, 1983.  
 
3. EAMES, W.R. Preparation and condensation of amalgam with a low mercury ratio. J. Amer. dent. Ass., 58:79, 1959.  
 
4. GOURLEY, J.M. & MOHAMED, M.A. The effect of condensation on adaptation and void formation using various dental amalgam alloys. J. Canad. dent. Ass., 4:266, 1982.  
 
5. HAYNES, S. Mechanical vs. manual condensation of amalgam. J. Calif. dent. Ass., 10(12): 39-44, 1982. 
 
6. HOLLENBACK, G.M. The condensation of amalgam. J. Amer. dent. Ass., 56: 807-15, 1958. 
 
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9. MAJÖR, I.A. & RYGE, G. Comparison of techniques for the evaluation of marginal adaptation of amalgams restorations. Int. dent. J., 31:1-5, 1981. 
 
10. MJÖR, I.A. & SMITH, D.C. Detailed evaluation of six class II amalgam restorations. Oper. Dent., 10:17-21, 1985. 
 
11. OSBORNE, J.W. et alii. Three-year clinical comparison of three amalgam alloy types emphazing an appraisal of the evaluation methods used. J. Amer. dent. Ass., 93:784-9, 1976. 
 
12. RYGE, G. et alii. Dental amalgam: the effect of mechanical condensation on some physical properties. J. Amer. dent. Ass., 45(3): 269-77, 1952. 
 
13. SKINNER, E.W. & MIZERA, G.T. The Eames amalgam condensation technique. Dent. Progr., 1(1):12, 1960.