UNITERMS: Dental amalgam, dental
materials, restorative materials.
UNITERMOS: Amálgama dental; materiais dentários; materiais restauradores.
O amálgama dentário foi e continua sendo o material dentário mais utilizado para restaurações dentais9. Deste modo, parece ser correto que o sucesso das restaurações de amálgama está relacionado ao detalhamento técnico, tanto do preparo cavitário como da manipulação do material. É sabido que, em especial, ângulos diedros são bastante susceptíveis à concentrações de porosidades e à má adaptação da massa de amálgama2,10, e que um dos fatores que concorrem com este fato é a condensação do amálgama na cavidade1,3,4,6,7,13.
O objetivo deste trabalho foi estudar a
influência da condensação manual e mecânica do
amálgama de prata, com esforço controlado, na interface troquel-restauração
dos ângulos gengivo-lingual e gengivo-vestibular, no que diz respeito
ao desajuste da massa de amálgama ao troquel, e a formação
de poros.
Foram utilizados seis troquéis metálicos que exibiam uma cavidade do tipo MO modificada, isto é, com a superfície mesial desgastada de modo a formar uma superfície plana. Nestes, foram realizadas restaurações de amálgama, com o auxílio de uma matriz de acrílico plana e polida, mantida em posição, na superfície mesial, por meio de um porta-matrix munido com tira de matriz de aço.
A limalha utilizada foi do tipo convencional de corte fino*, sendo que esta e o mercúrio foram proporcionados com uma balança analítica com 0,0001g de precisão, na proporção de 1/1 em peso. Ambos foram triturados em amalgamador mecânico de alta velocidade**, munido de cápsula plástica com pistilo metálico, por um tempo de 10 segundos.
A massa de amálgama obtida pela tritutação foi, então, dividida em 3 partes iguais e condensada na cavidade do troquel metálico com condensadores de ponta ativa circular e plana, com diâmetro de 1,5 mm para a caixa proximal de 2,0 mm para a caixa oclusal. A força de condensação foi controlada em 1,5 kgf, através de um dinamômetro de coluna de mercúrio. Foram realizadas condensação manual e mecânica, com 3 réplicas para cada situação, sendo que o condensador atuou 10 vezes em cada incremento adicionado tanto no sentido vertical como lateral. O condensador mecânico utilizado foi o do tipo adaptável em micro-motor (Dabi-Atlante S/A., Ribeirão Preto-SP) e o condensador manual do tipo Hollemback no 1.
Após a condensação, os corpos de prova foram armazenados em estufa por 24 horas com temperatura controlada em 37 ± 2oC e umidade relativa 100%. Decorrido este período, os corpos de prova foram preparados para a análise dos ângulos gengivo-vestibular e gengivo-lingual e analisados segundo o método descrito por MARQUES et alii8, isto é, técnica de epi-microscopia fluorescente através da auramina, obtendo-se assim 12 fotografias.
Para a análise das fotografias estudadas,
2 avaliadores foram devidamente calibrados, de forma tal que não
existisse dúvida durante a interpretação. O aspecto
considerado na avaliação foi o grau de desadaptação
e/ou irregularidades na interface troquel metálico-restauração
a amálgama. O método de avaliação selecionado
foi o de análise das fotografias em ordenação seqüencial
proposto por OSBORNE et alii11.
A ordenação e análise
das fotografias, mostraram, por unanimidade, que os corpos de prova com
amálgama condensado mecanicamente exibem uma melhor adaptação
da massa de amálgama condensada. Mostraram ainda, que ocorre exatamente
o contrário quando o amálgama é condensado manualmente.
Este fato pode ser constatado nas figuras amostrais 1 e 2. Com base no
teste de Mann-Whitney este resultado está associado a uma probabilidade
de 0,1%, portanto estatisticamente significante.
![]() |
![]() |
|
|
|
Mesmo assim, seguindo os parâmetros
estabelecidos em nosso estudo e de acordo com os nossos resultados obtidos,
permitimo-nos afirmar que a condensação realizada com condensador
mecânico foi mais eficiente na adaptação do amálgama
de prata e na diminuição de porosidades, que a condensação
realizada com condensador manual.
Baseados nos resultados obtidos em nosso experimento, pudemos concluir que:
1- A condensação mecânica promove uma menor incidência de poros na região dos ângulos diedros vestíbulos e linguo-gengival, que a condensação manual.
2- A condensação mecânica
promove uma melhor adaptação da massa de amálgama
na interface troquel-restauração.
| 1. | CLARK, A.E. et alii. The
influence of condensing pressure on the strength of three dental amalgams.
Oper. dent., 6:6-10, 1981.
|
| 2. | CORADAZZI, J.L. et alii.
Effect of condensers on adaptability and microporosity of amalgam restoration.
J. Pedod., 8:57-70, 1983.
|
| 3. | EAMES, W.R. Preparation and
condensation of amalgam with a low mercury ratio. J. Amer. dent.
Ass., 58:79, 1959.
|
| 4. | GOURLEY, J.M. & MOHAMED,
M.A. The effect of condensation on adaptation and void formation using
various dental amalgam alloys. J. Canad. dent. Ass., 4:266,
1982.
|
| 5. | HAYNES, S. Mechanical vs.
manual condensation of amalgam. J. Calif. dent. Ass., 10(12):
39-44, 1982.
|
| 6. | HOLLENBACK, G.M. The condensation
of amalgam. J. Amer. dent. Ass., 56: 807-15, 1958.
|
| 7. | JORGENSEN, K.D. The effect
of delayed condensation upon the crushing strength of amalgam. Acta
odont. Scand., 23: 271-5, 1965.
|
| 8. | MARQUES, A.L.V. et alii.
Novo método para o estudo da adaptação do amálgama
às margens cavitárias. Estomat. Cult., 16(3):
14-6, 1986.
|
| 9. | MAJÖR, I.A. & RYGE,
G. Comparison of techniques for the evaluation of marginal adaptation of
amalgams restorations. Int. dent. J., 31:1-5, 1981.
|
| 10. | MJÖR, I.A. & SMITH,
D.C. Detailed evaluation of six class II amalgam restorations. Oper.
Dent., 10:17-21, 1985.
|
| 11. | OSBORNE, J.W. et alii. Three-year
clinical comparison of three amalgam alloy types emphazing an appraisal
of the evaluation methods used. J. Amer. dent. Ass., 93:784-9,
1976.
|
| 12. | RYGE, G. et alii. Dental
amalgam: the effect of mechanical condensation on some physical properties.
J. Amer. dent. Ass., 45(3): 269-77, 1952.
|
| 13. | SKINNER, E.W. & MIZERA, G.T. The Eames amalgam condensation technique. Dent. Progr., 1(1):12, 1960. |