A review of literature about the application of fluoride by intophorese was made focalizing the aplication mechanism, ion transportation, histologic and clinical research. The papers showed that fluoride aplication by iontophorese is efficient and security in the hipersensitivity dentin, when used up to one miliampere current. The eletrolit solution preferred was 1% or 2% sodium fluoride and stanous fluoride 2%, 4% our 8%. It was noted that there is just one brazilian made device called Eletrofluor Marcon. This method of treatment of hipersensitivity dentin is more efficient than simple fluo aplication or the sistematic use of tooth paste with dissensitizing products.
UNITERMS: Dentin, sensitivity.
UNITERMOS: Dentina, sensibilidade.
Sem dúvida, um dos grandes problemas encontrados pelo clínico é a hipersensibilidade dentinária, apresentada por um número considerável de pacientes.
As causas da hipersensibilidade são muitas: cáries, superfícies radiculares expostas, erosão cervical, abrasão, hipoplasia, malformações da junção cemento-esmalte, trauma oclusal, patologia pulpar, fraturas e restaurações inadequadas isoladas. Obviamente, muitas destas causas requerem terapia definitiva, tais como restaurações cervicais, endodontia ou mesmo no caso de fraturas severas, extração8. Entretanto, quando a dentina exposta sensível existe na ausência de cáries, várias formas de tratamento são propostas, mas nenhuma delas tem se mostrado completamente eficaz. Um agente pode ser benéfico em um caso e falhar em outro9.
Dentre os métodos propostos para dessensibilizar a dentina hipersensível tem-se dado ênfase, atualmente, à iontodorese, ou como nós chamamos, a aplicação de flúor por eletroforese. O termo iontoforese é usado nas ciências da saúde para indicar a transferência de íons sob pressão elétrica para a superfície do corpo para fins terapêuticos4. No nosso caso, seria a penetração de íons flúor na estrutura dental, especificamente na dentina hipersensível, para dessensibilizá-la.
Apesar do mecanismo da dessensibilização esta ainda no campo das hipóteses1,4,10, sabe-se que o método tem se mostrado o mais eficaz2,4,6,8,12, na maioria das vezes com apenas uma aplicação14. É um procedimento extremamente simples, não causa injúria à polpa quando se usa o eletrodo e a miliamperagem corretas10,16 e não causa desconforto para o paciente.
Serão relatadas as publicações mais expressivas
sobre o assunto e será descrita a técnica de aplicação
do fluoreto por eletroforese.
O dessensibilizador ideal para a dentina proposto por GROSSMAN5, seria aquele cuja técnica de aplicação ou material utilizado apresentasse as seguintes condições: não ser irritante para a polpa, ser relativamente indolor e de fácil aplicação, ter ação rápida e permanente, ser eficaz e não causar descoloração dental.
Dos agentes dessensibilizantes ou métodos atualmente em uso nenhum satisfaz o ideal porém a terapia do fluoreto associado a uma corrente elétrica (flúor por eletroforese), parece ser o método mais promissor4.
2.1. Mecanismo de ação do flúor por eletroforese
O mecanismo exato através do qual o flúor aplicado
com uma corrente elétrica, produz a dessensibilização
da dentina, não é ainda conhecido. Isto certamente ocorrerá
quando se conhecer o mecanismo da sensibilidade dentinária. Várias
hipóteses já foram levantadas:
LEFKOWITZ et alii10, relataram que a dentina reparadora
formada após a aplicação da corrente elétrica
é a responsável pela dessensibilização dentinária,
por impedir a passagem de estímulos da dentina para o polpa.
Uma segunda explicação possível, levantada
por GANGAROSA et alii4, é de que a corrente elétrica
produz parestesia, alterando os mecanismos sensores da condução
da dor.
Uma terceira hipótese é a defendida por BRANNSTROM
& ASTRON1 e corroborada por WILSON et alii19,
onde a concentração de íons de fluoreto de cálcio
nos túbulos dentinários pode ser aumentada pela iontoforese
e este bloquear os estímulos indutores da dor.
2.2. Pesquisa sobre o transporte de íons
SAUSEN18, demonstrou a eficácia da iontoforese
em elevar a concentração de íons exógenos no
interior dos túbulos dentinários. Observou ainda extrema
sensibilidade da polpa à eletricidade e vacuolização
intra-celular de odontoblastos nas extremidades dos tubos condutores quando
ele aplicava uma corrente maior do que um miliampere.
Num trabalho "in vitro" STOWEL15, observou a penetração
de radioiodeto para a parede pulpar dentro de uma hora, após a aplicação
de 1,5 volts, à superfície externa do dente com o eletrodo
negativo. Sob condições idênticas, porém sem
aplicação da corrente elétrica a penetração
demorava pelo menos seis horas. Nenhuma penetração do flúor
foi detectada quando ele aplicava a carga positiva à superfície
dental.
No intuito de verificar se ocorre uma maior ingestão de flúor
à dentina quando a aplicação é feita com o
eletrofúor, comparado à aplicação de flúor
sem a corrente elétrica, ZADOK et alii20 e WILSON et
alii19 relataram que seus resultados foram conclusivos: as concentrações
de fluoreto na superfície e camadas sub-superficiais dos dentes
tratados com o eletroflúor eram significantemente mais elevadas
do que as tratadas topicamente.
2.3. Pesquisas histológicas
LEFKOWITZ et alii10, interessados na resposta pulpar e
no mecanismo de dessensibilização depois da aplicação
de flúor por eletroforese, concluiram que a corrente elétrica
usada com fluoreto ou saliva como eletrólitos, induz à formação
de dentina reparadora sem causar dano pulpar permanente. A dentina formada
inibe a passagem de estímulos à polpa.
Ao aplicar flúor por eletroforese na dentina recém
cortada, SCOTT16 observou que a corrente elétrica pode
danificar os odontoblastos. Para não causar injúria à
polpa, deve-se aplicar não mais que um miliampere de eletricidade
por um minuto.
2.4. Pesquisas clínicas
MANNING12, apresentou um aparelho energizado por bateria
para aplicar corrente aos dentes. O eletrodo aplicado ao dente sensível
para ajudar a penetração do fluoreto na dentina era uma escova
dental com cabo de alumínio, ligada à bateria, usando como
eletrólito dentifrícios e fluoretos. O eletrodo de retorno
era segurado pela mão do paciente. Ele declarou ser o método
eficaz, porém seu relato não apresentou dados para quantificar
os resultados.
Utilizando 110 paciente por um período de 30 dias, SHAFFER
et alii17, utilizaram uma escova dental energizada como eletrodo
e fluoreto estanhoso como eletrólito. Eles declararam que todos
os pacientes experimentaram a dessensibilização independente
de terem recebido ou não a corrente elétrica.
MURTHY et alii14, realizaram um estudo comparando a eficácia
do eletroflúor usando como eletrólito o fluoreto de sódio
a 1% ou a saliva, e aplicação sem a corrente elétrica,
de uma pasta com fluoreto de sódio a 33%. Os autores concluiram
que das três condições estudadas, a aplicação
do fluoreto de sódio a 1% com o eletroflúor oferecia o tratamento
mais eficaz para a dessensibilização da dentina. Esta era
imediata na maior parte dos pacientes.
Após uma extensa revisão da literatura e execuçãode
um trabalho clínico sobre o tratamento de hipersensibilidade dentinária
através do uso de fluoretos de sódio a 2% e eletroflúor,
GANGAROSA et alii4 aplicaram clinicamente o equipamento e técnica
da iontoforese usada para anestésicos locais na mucosa oral, na
dessensibilização da dentina. Concluiram que aplicações
tópicas de fluoreto são dessensibilizadores modestos frente
ao alívio rápido e eficaz após aplicação
na prática dental por ter se mostrado um dessensibilizador eficaz
na preparação da cavidade, antes da cimentação
das restaurações e em caso de desgaste oclusal e hiperplasias
do esmalte.
CARLO et alii2 observaram que pacientes com sensibilidade
suave e moderada inicial tinham alívio imediato com a primeira aplicação
de fluoreto de sódio a 2% com o eletroflúor, e apenas aqueles
com severa sensibilidade inicial necessitavam um segundo tratamento. Aproximadamente
90% dos pacientes tratados tiveram alívio da sensibilidade por jato
de ar e toque com explorador.
JOHNSON et alii9, realizaram um teste com uma escova
dental Eletro-Ionizante no tratamento de hipersensibilidade dentinária:
dois grupos de pacientes usaram a escova sem a bateria, usando como eletrólito
uma pasta dental contendo fluoreto estanhoso ou fluoreto de estrôncio.
O terceiro grupo utilizou escova com bateria e como eletrólito a
pasta dental com fluoreto estanhoso. Os autores concluiram que a escova
ativada com fluoreto estanhoso é mais ou menos tão eficaz
quanto o dentifrício com cloreto de estrôncio sem ativação
da bateria.
LUTINS et alii11, analisaram o emprego do fluoreto de
sódio a 2% com e sem o uso de uma corrente ionizante para reduzir
a sensibilidade dentinária a estímulos táteis e de
temperatura. Foi quantificada a resposta pulpar pelo frio e pressão,
através de dispositivos especiais antes e depois do tratamento.
Pelos resultados obtidos os autores consideram a técnica da iontoforese
com fluoreto de sódio uma técnica segura para levar flúor
à dentina.
A iontoforese parece satisfazer os critérios que GROSSMAN5
sugeriu para um dessensibilizador ideal.
Embora seu mecanismo de ação não esteja bem
claro, algumas hipóteses sobre este mecanismo já foram postuladas1,10,19.
Baseado nos trabalhos consultados, parece ter ficado claro, que
a aplicação do fluoreto através de uma corrente elétrica,
não causa danos à polpa, quando se submete dentes sensíveis,
a uma corrente elétrica de um miliampere15,20. Esta quantidade
de corrente é suficiente para promover a transparência de
íon fluoreto para o interior do dente18,20 e promover
a dessensibilização dentinária de forma mais rápida
e eficaz que a aplicação tópica de flúor ou
utilização de pastas dentais dessensibilizadoras7,14.
GANGAROSA et alii4, demonstraram um erro na técnica
empregada por MINKOV et alii13, JOHNSON et alii9
e SHAFFER17, quando aplicaram o eletrodo positivo aos dentes.
Partindo do princípio de que cargas negativas devem se mover em
direção oposta, e que os íons flúor são
negativos, o eletrodo a ser usado no dente é o catodo que possui
carga elétrica negativa, para que os íons flúor sejam
forçados para o interior do dente. Utilizando o eletrodo positivo
este fenômeno ocorre o contrário. Isto explica o resultado
destes autores que não encontraram diferença entre a aplicação
de flúor com e sem o uso o eletroflúor.
Quanto ao eletrólito usado parece haver uma preferência
pelo fluoreto de sódio a 1-2%. Porém, têm-se obtido
excelentes resultados tanto quando se usa o fluoreto de sódio como
o fluoreto estanhoso, desde que esteja associado ao eletroflúor.
O eletroflúor é um aparelho que oferece segurança
no tratamento, porém não deve ser usado em pacientes com
arritimias cardíacas e marca-passo cardíacos. Um leve formigamento
já foi relatado por alguns pacientes durante a aplicação
da corrente elétrica e o único efeito colateral já
registrado foi a presença de um eritema temporário, quando
o eletrodo de retorno era colocado no braço do paciente, porém
sem maiores conseqüências4.
Consultando a literatura fica difícil saber que aparelho
utilizar, pois cada pesquisador lança mão de energizador
diferente: ora uma escova provida de bateria para ser usada pelo paciente9,17,20,
ora aparelhos específicos para serem usados pelo Profissional2,4,8,11,12.
O curioso é que nenhum deles é nacional ou de fácil
aquisição. Sabe-se, no entanto, que já existe um aparelho
no mercado brasileiro chamado Eletroflúor Marcon fabricado pela
Odonto Larcon Comércio e Ind. Ltda (Maringá-PR), constituído
de uma pequena bateria de cujo polo negativo (catodo) sai um cabo que termina
com uma peça em forma de caneta, onde se acopla um pincel com o
qual o fluoreto é aplicado. O circuito é fechado com o paciente
segurando na face de alumínio da própria bateria que funciona
como polo positivo (anodo), no momento da aplicação do flúor.
Acreditamos que pesquisas histológicas devam ser um instrumento
de grande valia no tratamento da sensibilidade dentinária, tanto
a técnica quanto o aparelho têm sido pouco divulgados.
3.1. Técnica de aplicação de flúor com eletroflúor
3.1.1. Profilaxia com taça de borracha e fio dental embebidos em pedra pomes. Nos casos de sensibilidade exagerada, deve-se anestesiar antes da profilaxia.
3.1.2. Após isolamento relativo do campo com algodão ou gaze, secar bem o(s) dente(s) usando-se o jato de ar.
3.1.3. Com o paciente segurando o eletrodo de alumínio, aplica-se a solução de fluoreto estanhoso a 2%, 4% ou 8% no(s) dente(s) ou áreas sensíveis, pincelando-se levemente. Segundo o idealizador do aparelho*, para se conseguir estas concentrações basta diliuir dez centésimos de grama (0,10g) de fluoreto estanhoso (pó) em 36, 18 ou 9 gotas de água destilada, respectivamente. Relata ainda que nesta última concentração (8%), tem-se obtido melhores resultados na dessensibilização dentinária. A aplicação do fluoreto é realizada por dois minutos.
3.1.4. Após a aplicação do fluoreto, seca-se novamente o(s) dente(s) com jato de ar, protegendo a dentina exposta com verniz cavitário. Recomenda-se ao paciente para não ingerir líquidos ou fazer bochechos pelo período de uma hora.
3.1.5. Este procedimento é realizado uma vez por semana, e
nos casos mais severos de hipersensibilidade, ela tem desaparecido com
no máximo quatro aplicações.
A simples aplicação tópica de flúor ou
o uso sistemático de pastas abrasivas dessensibilizadoras não
tem colocado fim à sensibilidade dentinária.
A revisão da literatura demonstrou que a aplicação
de fluoretos com o auxílio de uma corrente elétrica, se mostrou
altamente eficaz e seguro para o tratamento da dentina hipersensível.
Ela age rapidamente e não causa danos à polpa quando se aplica
ao dente uma corrente que não ultrapasse um miliampere, no momento
da aplicação.
O eletrodo com carga negativa é o que deve ser aplicado aos
dentes em tratamento e os eletrólitos de preferência tem sido
o fluoreto de sódio a 1% - 2%, ou o fluoreto estanho a 2%, 4% ou
8%.
O único aparelho brasileiro que se tem conhecimento, para
esta técnica é o Eletroflúor Marcon.
Se aplicada corretamente, observando os detalhes técnicos,
este método mostra-se o mais eficaz, quanto ao alívio da
hipersensibilidade dentinária.
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