Disclosing agents are used in Dentistry with the objective of educating pacients and motivating them to have a good oral hygiene. However, some of these agents have the property of staining substances, including some restorative materials. The objective of this paper was evaluate the staining of glass-ionomer cements by two disclosing agents.
Key words: Glass-ionomer, staining, disclosing, agents
Soluções evidenciadoras de placa têm sido amplamente utilizadas na Odontologia, com o objetivo de orientar e motivar os pacientes para a realização de adequada higiene oral. Entretanto, algumas destas soluções possuem a propriedade de manchar várias substâncias, dentre elas, alguns materiais restauradores. O objetivo deste trabalho é avaliar o manchamento de restaurações de ionômero de vidro por duas soluções evidenciadoras de placa dental.
Palavras-chave: Cimentos ionoméricos, manchamento, corantes
A evolução da Odontologia direcionou-se principalmente ao controle dos fatores etiológicos da doença cárie2,5,6. Entretanto, restaurações ainda são necessárias e, em muitos casos podem envolver aspectos estéticos3,7,19.
Dentre os materiais estéticos para restaurações diretas, destacam-se os compósitos e os cimentos de ionômero de vidro8,12,21. Apesar dos melhores resultados obtidos pelos compósitos, muitas vezes, em função da atividade de cárie do paciente, a melhor indicação recai sobre os cimentos ionoméricos. Isto ocorre principalmente devido às suas propriedades adesivas, sua ação cariostática e liberação de flúor1,8,13,21.
Quando faz-se a opção por cimentos ionoméricos como materiais restauradores, sabe-se que devido à sinérese e fundamentalmente a embebição destes materiais, além de maior rugosidade superficial, eles podem apresentar índices maiores de manchamento10,11,14. Este fato pode comprometer mais rapidamente a estética, diminuindo a longevidade das restaurações15,18.
Com relação ao controle dos fatores etiológicos da cárie, uma de suas formas se dá através da remoção de placa bacteriana, orientando e educando o paciente para que ele mesmo o faça. Assim sendo, sabe-se que uma das maneiras mais persuasivas de motivação para realização de adequada higiene dental, é a utilização dos corantes evidenciadores de placa bacteriana16.17. Entretanto, estes corantes possuem também uma grande capacidade de manchar as variadas substâncias, dentre elas, alguns materiais restauradores.
Diante destes fatos, é importante que se saiba a susceptibilidade dos cimentos ionoméricos a mancharem-se quando em contato com substâncias evidenciadoras de placa dental.
Para este estudo "in vitro" foram utilizados três cimentos ionoméricos restauradores: Chelon-Fill(ESPE), Chem-Fil II (Dentsply) e Vidrion R (S.S. White) e duas soluções evidenciadoras de placa dental: verde-de-malaquita e fuscina básica a 0,5%.
Depois de manipulados de acordo com as recomendações dos fabricantes, os corpos-de-prova foram confeccionados, injetando os materiais com seringa Centrix em matrizes cilíndricas de acrílico medindo 2 mm de altura por 3 mm de diâmetro.
Para proporcionar adequada lisura superficial, as matrizes foram colocadas entre duas lâminas de vidro, comprimidas e pressionadas por 7 minutos por um peso de 500mg. As amostras obtidas permaneceram por 24 horas em estufa na temperatura de 37oC em umidade relativa.
A fim de que fossem manchados, os discos de cimento de ionômero de vidro foram imersos por um minuto nas soluções de verde-de-malaquita e de fucsina básica a 0,5%. Em seguida, foram lavados em água destilada corrente por um minuto e secos com papel absorvente.
Para cada material corado com verde-de-malaquita, foram preparados oito corpos-de-prova. Para os corados com fucsina, a amostra consistiu de sete corpos-de-prova para o Chelon-Fill e oito para o Chem-Fil II e Vidrion R.
Para a quantificação do corante, os cilíndros de ionômero foram triturados com grau e pistilo, e o pó resultante foi colocado em tubos de ensaio contendo 2 ml de álcool por 24 horas.
Soluções padrão de fucsina e verde-de-malaquita em 2ml de álcool foram preparadas contendo de 0 a 10 microgramas de corante por mililitro. As soluções foram centrifugadas para que se determinasse a absorbância num espectrofotômetro calibrado em 298 nm para a fucsina e 625 nm para o verde-de-malaquita. O coeficiente de correlação (r) entre a concentração de tinta e a absorbância das soluções padrão foi calculada e o valor de "r" obtido foi de 0,9939 para a fucsina e 0,9994 para o verde-de-malaquita.
Para calcular a concentração de corante nas amostras, uma regressão linear foi obtida e expressa, para a solução de fucsina, pela equação: y=0,02123 + 0,0012x. Para a solução de verde-de-malaquita, a equação foi y=-0,0182 + 0,0003. Para ambas as equações, y é a concentração e x é a absorbância.
Desta forma, o manchamento dos cimentos de ionômero de vidro foi expresso em microgramas/amostra. Para análise estatística foi aplicada uma análise de variância e as diferentes amostras comparadas pelo teste de Tukey-Kramer.
As médias, desvios padrão e diferenças estatisticamente significantes estão descritas nas Tabelas 1, 2 e 3.
É importante ressaltar que o teste de Tukey-Kramer demonstra diferenças estatisticamente em ambos os corantes. No caso da fucsina observa-se que não houve diferença entre o Chem-Fil II e o Vidrion R, sendo os melhores resultados obtidos com o Chelon-Fill, tanto a 5% quanto a 1% (Tabela 1). Em relação ao verde-de-malaquita, houve diferença estatisticamente significante entre três materiais, sendo os piores resultados apresentados pelo Vidrion R, os resultados intermediários pelo Chem-Fil II e os melhores pelo o Chelon-Fill (Tabela 2). Quando as duas substâncias evidenciadoras foram comparadas, verificou-se qua fucsina básica a 0,5% apresentou um grau de manchamento maior do que o verde-de-malaquita (Tabela 3) ao nível de significância de 1%.
Embora a Odontologia tenha buscado evitar a doença cárie através da orientação do paciente, minimizando e controlando os fatores etiológicos, muitas vezes as restaurações são necessárias3,18.
Dentre os fatores que determinam a durabilidade das restaurações, principalmente as com envolvimento estético, está a capacidade de manter sua coloração quando em função na cavidade bucal9,10,14,15.
Quando se avaliam os cimentos ionoméricos, sabe-se que eles não apresentam características estéticas semelhantes aos compósitos, no entanto, apresentam ação cariostática, extremamente importante em pacientes com alta atividade cariogênica1,20.
Para estudar a capacidade de manchamento dos materiais estéticos, muitos trabalhos têm optado pela avaliação qualitativa, através de análise visual, o que de certa forma dificulta a avaliação, pois ela se torna subjetiva4,15. Quando se quantifica o corante que penetrou na amostra, tem-se uma posição mais correta da condição de manchamento in vitro desses materiais restauradores estéticos. No presente estudo in vitro, observou-se que o cimento Chelon-Fill (a base de ácido polimaleico) apresentou menor manchamento do que os outros materiais, Chem-Fil II e Vidrion R (a base de ácido poliacrílico) com ambos os corantes. Estes resultados contemplam os resultados obtidos por PAULILLO et al. e os de ROSEN et al., que afirmam que isto ocorre devido à maior solubilidade do ácido polimaleico14,17.
A diferença nos resultados dos cimentos pode ser explicada devido à composição e forma de reação dos materiais, pois o ácido polimaleico possui duas vezes mais grupos carboxílicos do que o ácido poliacrílico. Assim sendo, é de se supor que os materiais com ácido polimaleico sejam mais reativos14,21.
Em função destes resultados observados com os cimentos ionoméricos, pode-se dizer que o cimento Chelon-Fill poderá apresentar menores alterações de cor durante seu tempo de permanência na cavidade bucal. Este material foi o que menos sofreu alterações de cor, tanto com a fucsina, quanto com o verde-de-malaquita.
Como os copos-de-prova apresentavam sua superfície o mais lisa possível, devido ao contato com as lâminas de vidro, é de se supor que, neste trabalho, o que ocorreu realmente foi um manchamento superficial e não um maior acúmulo de corante devido à irregularidades no acabamento superficial10,14.
Com relação aos materiais evidenciadores de placa, os resultados mostraram que a fucsina apresentou índices maiores de manchamento em cimentos de ionômero de vidro do que o verde-de-malaquita. Estes valores estatisticamente significantes sugerem que o verde-de-malaquita deve ser o evidenciador escolhido, principalmente quando o paciente já apresentar restaurações com cimentos de ionômero de vidro. Esta conduta poderá trazer um aumento na longevidade das restaurações estéticas evitando sua substituição prematura.
Quando a fucsina básica a 0,5% ou o verde-de-malaquita foram usados como corantes, o cimento Chelon-Fill apresentou os menores valores de manchamento.
Quando existirem restaurações com cimento de ionômero de vidro, deve-se optar pelo verde-de-malaquita como agente evidenciador de placa por provocar menores valores de manchamento.
| Tabela 1 - Teste de Tukey para a fucsina nos cimentos ionomérico | ||||
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| Tabela 2- Teste de Tukey para o verde-de-malaquita nos cimento ionoméricos. | ||||
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| Tabela 3 Teste de Tukey para a capacidade de manchamento dos corantes. | ||||
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