Evaluation, after one year, of two sealant materials: glass ionomer cement and composite sealant
The authors verified the performance of two dental
sealant materials. Even though the glass ionomer cement proved more stable
than the resinous sealant, both seem to be efficient on oclusal caries
prevention. The sealant technique used was invasive, and it was controled
for 12 months.
UNITERMS
Dental caries - Dental sealants - Prevention
Os autores verificaram o desempenho de dois materiais utilizados para selamento dental. Apesar de um deles, o cimento de ionômero de vidro, ter sido mais estável que o outro, o selante resinoso, ambos se apresentaram eficientes na prevenção de cáries oclusais. A técnica de selamento empregada foi a invasiva, e o tempo de controle foi de 12 meses.
UNITERMOS
Cárie dental - Prevenção -
Selamento.
A aplicação de selantes nas superfícies oclusais de dentes posteriores tem sido amplamente estudada e indicada4,10,12,13,17. Microscopicamente, as regiões de cicatrículas e fissuras (áreas de má coalescência de esmalte) apresentam irregularidades, as quais indiscutivelmente dificultam a higienização, facilitando a retenção da placa dentária e conseqüente instalação do processo carioso.
Em 1973, Jackson e colab.7 estabeleceram que as cáries de fóssulas e fissuras constituem aproximadamente 80% de todas as lesões de cárie na idade de 15 anos, confirmando-se a necessidade de utilização de selantes oclusais nos processos preventivos, os quais atuariam como barreiras físicas que protegeriam e isolariam essas regiões do dente contra o meio bucal. Assim, o cimento de ionômero de vidro passou também a ser indicado em cicatrículas e fissuras2,9,10,14,19, visto que, através da liberação de íons flúor3,8, possui propriedades preventivas e terapêuticas.
Os selantes oclusais devem apresentar as seguintes propriedades: adesão físico-química à estrutura dental, resistência aos fluidos bucais, compatibilidade com os tecidos orais, serem cariostáticos, resistentes à abrasão e às forças resultantes da mastigação.
O propósito deste estudo foi comparar clinicamente
o desempenho do selante resinoso Delton e do cimento de ionômero
de vidro Chelon-Fil, utilizados no selamento oclusal.
Vinte e duas crianças (44 dentes) com idades entre 6 e 11 anos, da clínica de Odontopediatria da FOP-UNICAMP, foram avaliadas clínica, radiograficamente (radiografias interproximais) e fotograficamente, sendo selecionadas de acordo com os seguintes critérios:
- total irrompimento do dente a ser selado (1o molar permanente);
- dentes hígidos e não selados.
Os selantes foram realizados aos pares, ou seja: em cada um dos pacientes, aplicou-se selamento com Chelon-Fil e Delton em molares distintos (selecionado segundo critério anteriormente citado).
Técnica para selamento com cimento ionomérico:
2- polimento coronário com pedra-pomes e taça de borracha;
3- limpeza com água/ar;
4- abertura superficial do sulco dental principal com ponta diamantada no 2112 (KG Sorensen), em baixa rotação;
5- lavagem com jatos de água e ar;
6- secagem da superfície oclusal;
7- tratamento superficial com solução ácido de poliacrílico por 10 segundos;
8- lavagem da superfície com ar/água;
9- secagem;
10- proporcionamento e manipulação do material, segundo instruções do fabricante;
11- inserção do ionômero com espátula de inserção número 1;
12- aplicação de lâmina de cera no 7 (tamanho proporcional ao dente) sobre a superfície oclusal selada, com pressão digital por 10 minutos;
13- aplicação de verniz protetor sobre a superfície do ionômero;
14- remoção do isolamento absoluto e,
15- ajuste da oclusão e remoção dos excessos com lâmina de bisturi no 15 e imediata proteção com verniz.
Técnica para selamento com selante resinoso:
1- os primeiros 6 passos foram os mesmos citados para a técnica anterior;
2- condicionamento ácido da superfície oclusal com ácido fosfórico 37% por 30 segundos;
3- lavagem abundante com "spray" ar/água;
4- secagem;
5- proporcionamento e manipulação segundo especificações do fabricante;
6- aplicação do material com dispositivo próprio recomendado pelo fabricante;
7- remoção do isolamento absoluto e,
8- ajuste da oclusão e remoção dos excessos com ponta diamantada "F" (KG Sorensen).
O critério selecionado para a avaliação clínica foi o seguinte:
A. retenção total - quando, ao exame clínico, mediante explorador percorrendo todas as superfícies seladas, constatou-se que não havia perda do selante;
B. perda parcial - quando verificamos perdas do selante;
C. perda total - quando verificada a queda total
do selante.
Os resultados obtidos (Tabela I) foram submetidos a análise estatística através de teste x2, considerando-se:
- selamento com retenção total (escore A);
- selamento com perda de estrutura, parcial ou total (escore B e C).
Nos dentes avaliados, constatou-se 80% de retenção total de cimento de ionômero de vidro Chelon-Fil (Espe) e 33,33% para o selante resinoso Delton (J & J). A porcentagem de deslocamento total foi semelhante para os dois materiais, 6,66%, resultado também obtido por Mertz-Fairhurst e colab.11.
Houve deslocamento parcial do Chelon-Fil em 13,33% da amostragem e 60% para Delton (Gráfico I).
Esses resultados aproximam-se dos dados encontrados por Horowitz e colab.6, McKenna & Grundy12 e McLean & Wilson13, nos quais verificaram que, dos dentes selados com ionômero, 84% permaneciam com integridade após 12 meses e 78%, após 2 anos, sendo mínima a ocorrência de cárie (5 dentes em 234).
Na apresente pesquisa, verificou-se que a perda dos selantes ocorreu mais na porção distal, tanto nos dentes superiores quanto nos inferiores, indo ao encontro aos achados de Thystrup & Poulsen18.
Mejare & Mjör10 obtiveram taxa de retenção menor para o cimento de ionômero de vidro, mas os próprios autores observaram que a taxa de retenção diferiu entre os operadores. Ressaltaram também a importância quando da utilização desse material, em função de suas caractéristicas peculiares e críticas.
Observou-se, através da análise clínica e fotográfica, a ocorrência de maior abrasão e solubilidade no cimento de ionômero de vidro do que no selante Delton. No cimento, a superfície apresentou-se rugosa, porém sem arestas. Não se constatou fratura do material. Diferentemente ocorreu com o Delton, em que se verificaram casos de fratura, deixando na área de deslocamento com o remanescente formando arestas com a superfície do material.
Shimokobe e colab.17 obtiveram
resultados com o ionômero de 62,8% de retenção após
12 meses, taxa menor que a obtida nesta avaliação, provavelmente
devido às condições operatórias, ou seja, a
não realização de técnica invasiva.
Houve maior retentividade do selante ionomérico
quando comparado com o resinoso
O cimento ionomérico possui adesão
química ao esmalte e à dentina1,5,15,16 e, com
a liberação de fluoretos3,8, consiste em material
terapêutico e preventivo, mesmo após seu parcial deslocamento,
podendo ser utilizado em programas preventivos.
Após a avaliação clínica realizada em 12 meses, pode-se concluir:
- Houve porcentagem maior de retentividade do selante ionomérico, quando comparado com o resinoso.
- Ambos os materiais foram eficientes na manutenção de ausência de cárie da superfície oclusal e interproximal.
- A perda parcial do selante não facilitou
a instalação de cárie (em 12 meses).
REFERÊNCIAS
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