"O intelectual verdadeiro, por tudo isso, sempre h� de ser um homem revoltado e um revolucion�rio, pessimista, c�tico e c�nico: fora da lei."
M�rio de Andrade
Olhar a rela��o Partido Comunista e intelectuais no Brasil � ter como ponto de partida uma constata��o impressionante. Algo que poderia sinteticamente ser formulado nos seguintes termos: em determinados momentos da hist�ria brasileira, para ser intelectual progressista era quase necess�rio estar pr�ximo ou passar pelo Partido Comunista.
Esta percep��o hist�rica n�o se imp�e somente aos brasileiros. James Amado, irm�o do escritor e ex-militante comunista, tamb�m ele ex-membro do partido, em entrevista declarou que o Partido Comunista da Uni�o Sovi�tica via o PC no Brasil como um partido cheio de intelectuais e publica��es.
Hoje sem qualquer d�vida a situa��o � radicalmente distinta. Partidos comunistas e intelectuais est�o bastante distantes no Brasil, como ali�s acontece na maioria dos pa�ses onde ainda existem estes partidos.
Apesar do significado passado desta rela��o, os estudiosos da esquerda e/ou da cultura no Brasil ainda n�o buscaram investigar com profundidade as liga��es entre PC e a intelectualidade. Em tese de doutorado realizada sobre Partido Comunista, Cultura e Pol�tica Cultural constatou-se tal lacuna bibliogr�fica (2).
N�o s� a lacuna, mas tamb�m o significado desta rela��o PC e intelectuais sugerem a realiza��o de uma reflex�o sobre o tema. Neste estudo, tanto o passado quanto o presente est�o em jogo. O passado, porque � preciso compreender o papel que esta rela��o desempenhou na forma��o da cultura/pensamento e intelectualidade brasileiras. E mais na hist�ria do pr�prio Partido Comunista. O presente, porque a complexa quest�o das rela��es entre intelectuais/ pol�tica/ partidos/ transforma��o social � algo sempre problem�tico e atual: um dilema em busca de respostas.
N�o se pretende neste momento analisar em profundidade ou esgotar as rela��es historicamente dadas entre marxistas e intelectuais, mas t�o somente assinalar alguns pontos problem�ticos e vis�es numa primeira e assistem�tica aproxima��o.
[fim da p�gina 79]
Para in�cio de conversa ,a preocupa��o "marxista" com os intelectuais aparece com o intelectual Karl Marx. S�o por demais conhecidos seus trechos que apontam a origem do trabalho intelectual na divis�o social do trabalho historicamente desenvolvido pelas sociedades humanas. Igualmente s�o difundidos os textos de Marx que indicam os intelectuais como representantes e ide�logos de determinadas classe sociais. Indo al�m, j� no Manifesto do Partido Comunista, de 1848, Marx e Engels buscam entender tamb�m o rompimento desta rela��o intelectuais - classes sociais. Ao se referirem aos descolamentos de parcelas das classes que acontecem em momentos de intensifica��o da luta de classes, Marx e Engels afirmam que tal ocorre principalmente com o "... setor dos ideol�gicos burgueses que chegaram a compreender teoricamente o movimento hist�rico em seu conjunto" (Marx & Engels, 1977: 93). Deste modo, Marx e Engels em verdade buscam uma auto-explica��o para sua pr�pria situa��o de intelectuais rompidos com sua classe social de origem e em seq��ncia ligados ideologicamente a outra classe social.
A import�ncia dada aos ide�logos/intelectuais aparece portanto em in�meros textos de Marx, inclusive porque � atrav�s de um processo de assimila��o e cr�tica de outros autores que o pr�prio Marx constr�i seu pensamento. Ali�s como costuma acontecer com os grandes intelectuais.
Vale ressaltar ainda que na �poca de Marx as rela��es entre intelectuais e movimento dos trabalhadores j� apareciam como tensas e eivadas de problemas. Em certas ocasi�es Marx se posicionou claramente contra a discrimina��o de militantes - inclusive dele mesmo - por sua condi��o de intelectuais. Exemplo disto s�o suas a��es e reflex�es em epis�dios vividos na Associa��o Internacional dos Trabalhadores (I Internacional) (3). Mas as tens�es - oriundas inclusive da complexidade do objeto real - est�o presentes tamb�m nas formula��es de Marx e Engels. Este �ltimo em determinados momentos atacou ferozmente os senhores "cultos" provenientes de outras classes sociais que tentavam se aproximar do movimento dos trabalhadores (4).
Apesar da recorr�ncia da observa��o sobre o tema dos intelectuais, certamente n�o existe no pensamento de Marx e Engels uma reflex�o mais sistem�tica sobre a quest�o. Tamb�m na maioria dos mais significativos autores marxistas a tem�tica aparece sob a forma de pequenas observa��es ou breves analises. � isto que ocorre, por exemplo, com os ide�logos da Revolu��o Russa, especialmente Lenin e em parte Trotsky, que tenta uma reflex�o mais abrangente no seu livro Literatura e Revolu��o ao discutir uma quest�o correlata: a dos artistas "companheiros de viagem" da revolu��o. Quanto a Lenin, ressalte-se sua problem�tica retomada das formula��es kaustkianas de consci�ncia socialista [fim da p�gina 80] produzida fora do proletariado e as implica��es decorrentes desta tese para a tem�tica dos intelectuais (Lenin, 1973: 39).
Debate mais sistem�tico sobre a quest�o dos intelectuais acontece por volta da primeira metade dos anos 90 do s�culo passado no interior da social-democracia em torno da tem�tica do revisionismo. Tal pol�mica � motivada pela forte expans�o num�rica das chamadas classes m�dias, inclusive do estrato intelectual, e pelo crescente interesse despertado pelo marxismo na cultura europ�ia (5). Como o tema dos intelectuais � colocado em discuss�o pela ala revisionista de Bernstein, a resposta da corrente chamada ortodoxa foi, em boa medida, identificar a quest�o como uma das formas de atacar a autonomia ideol�gica e pol�tica da classe oper�ria. Al�m disto, um dos elementos constitutivos do debate, a rela��o entre social - democracia e intelectualidade, � encarada atrav�s de um vi�s fortemente economista, pr�pria daquela interpreta��o do marxismo. Isto � cristalino no artigo "A intelig�ncia e a social-democracia", escrito por um dos expoentes desta corrente, Karl Kaustky. Nesse texto, Kaustky, depois de reconhecer a import�ncia do problema da "conquista da intelig�ncia", analisa as caracter�sticas da intelectualidade, suas liga��es com o proletariado e conclui que, com rela��o � "aristocracia da intelig�ncia", s� � poss�vel conquistar elementos isolados, devido entre outros aspectos aos diversos conflitos de interesse que separam proletariado e intelectuais. Distinta, ainda que n�o f�cil, � a conquista do "proletariado da intelig�ncia". A proletariza��o de setores intelectuais neste caso permitiria uma mais ampla aproxima��o entre eles e a social democracia (Kaustky, 1980: 255-281) (6).
Diferente da Alemanha, a social-democracia na �ustria, no final do s�culo passado e in�cio deste, teve forte penetra��o no meio intelectual. Certamente isto e o tipo espec�fico de elabora��o te�rica desenvolvida neste partido, que se convencionou chamar de "austro-marxismo", s�o elementos determinantes para uma outra vis�o do tema dos intelectuais. Um dos textos mais significativos nesta perspectiva chama-se "O socialismo e os intelectuais", escrito pelo militante/fil�sofo Max Adler e publicado pela primeira vez em 1910.
Max Adler descarta de imediato qualquer explica��o pura ou predominantemente econ�mica para entender a rela��o dos intelectuais com o socialismo. Como considera o socialismo, antes de tudo, um movimento cultural - s� num plano subordinado ele seria um movimento pol�tico - Adler prop�e esta rela��o como eminentemente cultural, inclusive porque, segundo o autor, os interesses culturais s�o parte necessariamente integrante das condi��es de vida dos intelectuais. Em meio a sua interessante an�lise, Max Adler afirma que o socialismo, compreendido como movimento cultural, se relacionaria com os intelectuais atrav�s de quatro aspectos significativos. Em primeiro lugar, aparecendo como sociedade em transforma��o destinada a fazer poss�vel pela primeira vez uma real comunidade de vida. Em segundo, como uma teoria da pr�tica humana. Em terceiro lugar, manifestando-se como movimento que [fim da p�gina 81] objetiva a realiza��o da cultura, atrav�s da luta dos trabalhadores e, finalmente, como supera��o da frustra��o do trabalho intelectual imposta aos criadores pela sociedade capitalista. Entre os mecanismos causadores desta frustra��o, Adler aponta, por exemplo, a subordina��o da produ��o cultural � l�gica do capital que n�o s� degrada o trabalho intelectual, for�ando rotinas, especializa��es r�gidas etc., com a conseq�ente proletariza��o dos segmentos ligados a estes setores de atividade cultural, como tamb�m imp�e interesses e orienta��es estranhas � produ��o simb�lica, dificultando a realiza��o do intelectual e de seu trabalho (7).
A recoloca��o do tema dos intelectuais numa perspectiva cultural e n�o privilegiadamente econ�mica guarda em Max Adler intima correla��o com a sua concep��o do marxismo como pensamento que se constitui e se desenvolve necessariamente atrav�s da confronta��o com outras correntes de pensamento contempor�neos e n�o pelo isolamento e retra��o a um gueto de vida intelectual.
A compreens�o da relev�ncia da cultura, da hegemonia e dire��o intelectual e moral s�o os elementos que levam outro importante marxista, o italiano Ant�nio Gramsci, a se voltar atentamente para o tema dos intelectuais. Como suas elabora��es do partido como intelectual coletivo, sobre os intelectuais org�nicos e tradicionais, sobre a cultura nacional - popular s�o amplamente conhecidas, cabe apenas assimilar a distin��o hier�rquica - rica de conseq��ncia anal�ticas - operada por Gramsci entre os intelectuais criadores - grandes intelectuais nos diversos ramos culturais que elaboram as concep��es do mundo - e os intelectuais organizadores e educadores, aos quais cabe administrar ou divulgar estas id�ias produzidas (8).
Finalmente, para concluir esta cena que j� se torna longa - ainda que in�meros outros atores talvez devessem estar aqui presentes - vale lembrar dois outros pensadores marxistas. O primeiro deles, um soci�logo voltado aos problemas culturais, o franc�s Lucien Goldmann, traz in�meras contribui��es ao estudo da tem�tica dos intelectuais. Entre estes destacam-se, sem duvida, a sua concep��o do sujeito da cria��o cultural como trans-individual e as implica��es de tal no��o para a analise dos intelectuais (9). O segundo, Michael Lowy, realizou, pelo menos, dois importante estudos sobre intelectuais marxistas: um sobre Marx e outro centrado em Luk�cs. Este �ltimo trabalho, em especial, dada a sua preocupa��o mais abrangente com a intelectualidade radicalizada, engloba diversas contribui��es para uma an�lise da rela��o entre os intelectuais e a atividade revolucion�ria (Lowy, 1972; 1979) (10).
[fim da p�gina 82]
O relacionamento entre partidos de orienta��o marxista e os intelectuais tem sido complexo e vari�vel, hist�rica e geograficamente. Para compor esta cena um r�pido panorama geral pode ser tra�ado. Nas d�cadas finais do s�culo XIX, enquanto o partido social-democrata alem�o, marcadamente constitu�do de oper�rios, tinha influ�ncia marginal na intelectualidade, como acontecia com outros partidos social-democratas europeus menores, dois partidos de orienta��o ideol�gica semelhante, em particular, se caracterizavam por uma forte rela��o com os intelectuais, especialmente jovens.
O partido russo era predominantemente composto de intelectuais. Ali�s, dois elementos destacam-se na vida do pa�s naqueles anos: a quase identidade entre os termos "intelectuais" e "intelectuais de esquerda", ao menos no que se refere aos jovens e a crescente influ�ncia do marxismo, utilizado inclusive pelos ide�logos de desenvolvimento capitalista na R�ssia, para justific�-lo, os chamados "marxistas legais".
Fen�meno semelhante acontece na �ustria-Hungria. Neste pa�s, a social-democracia - no plano cultural, o marxismo - torna-se momento quase inevit�vel da experi�ncia dos jovens intelectuais. Como j� foi visto, o partido social-democrata austr�aco e o "austro-marxismo", corrente marxista com caracter�sticas nacionais marcantes e com abertura para os interesses culturais, tiveram influ�ncia significativa na cultura e na intelectualidade, chegando a reunir relevantes intelectuais marxistas, como Otto Bauer, Max Adler, Rudolf Hilferding, Karl Renner, Gustav Echstein e mesmo Karl Kaustky, fundador da "ortodoxia" marxista (Hobsbawn, 1982 a: 75-124).
A vit�ria de revolu��o sovi�tica de 1917 abre outro momento de aproxima��o entre os partidos marxistas e parcelas de intelectualidade. Mesmo na R�ssia, onde parte dos intelectuais havia se afastado com a derrota da revolu��o de 1905, isso acontece. Este segundo momento - marcado tamb�m por acontecimentos como a Primeira Guerra Mundial, a Crise de 1929, as intensas lutas de classe dos anos vinte e trinta e por fim a Segunda Guerra Mundial - carateriza-se, no Ocidente, por novas aproxima��es e afluxo de intelectuais aos partidos comunistas, via pensamento leninista e, depois, por paradoxal que pare�a, atrav�s de Stalin. Fran�a, It�lia e Alemanha parecem exemplos razo�veis disto (Hobsbawn, 1982 b: 36-41).
Enquanto na Uni�o Sovi�tica o autoritarismo se consolida atrav�s de uma pol�tica cultural que imp�e o "marxismo-leninismo", vers�o stalinista do marxismo; o realismo socialista nas artes; a censura de toda produ��o intelectual; a persegui��o, o medo, a tortura e a morte aos intelectuais n�o stalinistas: enquanto tudo isto acontece na URSS, boa parte da intelectualidade, particularmente dos pa�ses ocidentais, aproxima-se e adere aos partidos e ao "guia genial dos povos". Parecem ser elementos explicativos desta aproxima��o, entre outros: a polariza��o ideol�gica acontecida naqueles anos em decorr�ncia das intensas lutas de classe, a� inclu�da a crescente op��o da burguesia pelo [fim da p�gina 83] fascismo como forma de domina��o pol�tico-ideol�gica; o crescimento econ�mico da URSS; certa imagem de desenvolvimento social e pol�tico do "pa�s dos sovietes" - aquela altura j� completamente destruidos - difundida eficazmente nos outros pa�ses, inclusive pelos partidos comunistas devidamente atrelados � pol�tica externa sovi�tica; a vis�o da URSS - em certos casos correta e em outros totalmente falsa - como p�tria da revolu��o mundial em andamento, tamb�m ela constru�da pelas organiza��es internacionais comunistas subordinadas totalmente aos interesses da Uni�o Sovi�tica e por fim a vit�ria do povo sovi�tico contra o invasor nazista. Exemplo tr�gico desta ades�o � a fidelidade cega, a f� e a louva��o bajulat�ria que in�meros intelectuais consagrados internacio-nalmente dedicaram a St�lin. Feridas profundas e certamente objeto obrigat�rio de reflex�o para aqueles que pretendem buscar criticamente verdades. Outro exemplo dram�tico, ainda que n�o tr�gico, � a participa��o bastante ativa de numerosos intelectuais de todo o mundo nos movimentos pela paz mundial, efetuados nas d�cadas de 40 e 50 principalmente. A den�ncia dos crimes de St�lin e do totalitarismo "sovi�tico"; a quebra do monop�lio da URSS sobre o movimento comunista internacional e sobre o marxismo; bem como as interven��es "sovi�ticas" em pa�ses socialistas e os seus conflitos, entre outros epis�dios, sem d�vida, levaram a um afastamento crescente, na maioria dos pa�ses, entre intelectuais e partidos comunistas. Este � o quadro atual desta rela��o: um quadro de quase total ruptura.
Antes de chegar ao Brasil e tentar acompanhar a trajet�ria do relacionamento entre Partido Comunista e intelectualidade no pa�s, cabe fazer algumas considera��es como fecho deste panor�mico cen�rio inicial. No campo das pr�ticas predominam indiscutivelmente as tens�es, na maioria das vezes mal resolvidas, entre partidos e intelectuais. Hobsbawn, no segundo artigo citado, anotou:
"As rela��es entre intelectuais e partidos comunistas t�m sido tempestuosas, embora talvez menos do que se escreveu em torno delas, j� que os intelectuais destacados, sobre os quais mais se escreveu, n�o s�o necessariamente uma amostragem representativa da m�dia." (1982 b: 37)
Logo abaixo, no entanto, volta a observar: "... n�o pode haver d�vida sobre o caminho atribulado daqueles que efetivamente aderiram aos partidos comunistas" (Hobsbawn, 1982 b: 37). A este clima de tens�o, de relacionamentos n�o bem delimitados, acrescenta-se a complexidade de caracter�sticas espec�ficas desta rela��o, as raz�es de aproxima��o e de afastamento, n�o trabalhadas na hist�ria pr�tica dos partidos.
No campo te�rico, uma avalia��o preliminar das formula��es dos partidos - e mesmo dos marxistas em geral - sobre o tema dos intelectuais � bastante deficiente. A tr�gica "evolu��o" do marxismo, primeiro com forte vi�s economicista (II Internacional) e depois como "marxismo-leninismo-stalinismo" - que no plano te�rico tem viva influ�ncia at� hoje em in�meros pa�ses e partidos, por pequenos que sejam - deixou seq�elas profundas e um grande atraso tanto [fim da p�gina 84] para um desenvolvimento realmente te�rico do marxismo, quanto para a an�lise da modernidade, das configura��es do capitalismo e do chamado "socialismo real" e da contemporaneidade. Este grave empobrecimento do marxismo se manifesta de forma contundente no estudo espec�fico dos problemas culturais: nas altera��es profundas ocorridas no imagin�rio da sociedade contempor�nea; nas mudan�as dr�sticas ocasionadas na produ��o e na circula��o de bens simb�licos, nos meios de produ��o de cultura e comunica��o, pelo seu processo de subsun��o � l�gica do capital e pelo surgimento de novas s�cio-tecnologias; nas modifica��es acontecidas, enfim, no trabalho intelectual e na pr�pria intelectualidade contempor�nea. Assim, igualmente no campo te�rico, a situa��o aparece como bastante grave.
Conforme Astrogildo Pereira, a funda��o do Partido Comunista no Brasil em 1922 n�o teve nenhuma repercuss�o imediata nos meios intelectuais (Pereira, 1979: 79) (11). At� o final da d�cada de 20, em verdade, o partido � um pequeno agrupamento de trabalhadores e "pequenos-burgueses" com atua��o privilegiada nos sindicatos. Na fase final desta d�cada e no in�cio dos anos 30, atrav�s de iniciativas mais amplas do pr�prio partido como a publica��o do di�rio A Na��o (1927) e da atividade do Bloco Oper�rio Campon�s (1927-1930) e principalmente por circunst�ncias acontecidas ao n�vel internacional e nacional, muitas delas � revelia do Partido Comunista, a situa��o come�a a mudar, primeiro com a aproxima��o de estudantes universit�rios, jovens intelectuais e, j� na d�cada de 30, com o engajamento de certos intelectuais que, apesar de jovens, tinham ou estavam adquirindo na �poca notoriedade.
O descompasso entre aproxima��o dos intelectuais e a pol�tica de proletariza��o realizada pelo partido nestes anos � patente. Enquanto os intelectuais est�o se voltando para o partido, este substitui os poucos intelectuais que est�o nos seus �rg�os dirigentes por prolet�rios e um intelectual prop�e que s� possam votar no Comit� Central os trabalhadores manuais. A proletariza��o abrange at� o privilegiamento de comportamentos e formas de vestir. Na literatura do per�odo, dois romances tentam retratar de pontos de vista bastante desiguais este processo, ainda que suas autoras tivessem liga��o com o partido. Patr�cia Galv�o - Pag� - utilizando o pseud�nimo de Mara Lobo - escreveu Parque Industrial, mostrando-se favor�vel � proletariza��o do partido, enquanto Raquel de Queir�s retrata criticamente este processo no livro Caminho de Pedras. Quando da publica��o deste romance, Raquel de Queir�s havia se desligado do partido h� pouco tempo, devido a tentativa de censura partid�ria a seu livro anterior, Jo�o Miguel.
Deste modo, ainda que alguns poucos intelectuais possam ter sido atra�dos [fim da p�gina 85] - de forma masoquista - pela proletariza��o, a maioria dos jovens intelectuais que se aproximava do partido certamente o fazia por determinantes internacionais - alguns deles indicados no cen�rio inicial - ou nacionais. Dentre as raz�es nacionais, sem d�vida, se destacam: a preocupa��o com os problemas nacionais desenvolvida com grande presen�a nos anos 30; a forte desilus�o causada em determinados segmentos sociais pelo n�o cumprimento das propostas/promessas do movimento de 1930 - exemplo maior disto � a busca do Partido Comunista como solu��o mais radical empreendida por Caio Prado Jr. depois de sua frustra��o com aquele movimento - e finalmente a polariza��o ideol�gica da d�cada de 30 no Brasil, com a cria��o pelo partido da frente Alian�a Nacional Libertadora em 1934/35. Some-se a estes fatores de atra��o dos intelectuais a presen�a de Prestes e de in�meros "tenentes" desiludidos com o governo de Get�lio Vargas na ANL e a cria��o de entidades e canais aglutinadores dos intelectuais progressistas, como s�o as publica��es - inclusive di�rias - do PC/ANL e de associa��es como o Clube de Cultura Moderna. Nestes anos ingressaram no partido, entre outros, intelectuais como: Caio Prado Jr., M�rio Schenberg; Di Cavalcanti; Jorge Amado; Edison Carneiro; Oswald Andrade; Raquel de Queir�s; Patr�cia Galv�o; etc. Na Bahia, numeroso grupo de estudantes vai sendo conquistado pelo partido, entre eles Arm�nio Guedes, Milton Cayres de Brito; Carlos Marighella; Di�genes Arruda, Fernando Santana (12).
A repress�o ao levante militar de 1935 e ao governo popular de Natal e o golpe do Estado Novo, em 1937, barram esta aproxima��o entre o partido e os intelectuais, mas, pelo menos em alguns casos, isso n�o � totalmente correto: intelectuais n�o comunistas, ex-militantes da ANL, tornada ilegal pelo governo mesmo antes do levante de 35, aderem ent�o ao partido. Este, por exemplo, � o caso de Graciliano Ramos. Com a ditadura, a repress�o, a tortura e os assassinatos do Estado Novo, o Partido Comunista � desarticulado enquanto partido nacional centralizado, restando apenas pouqu�ssimos comit�s estaduais organizados desenvolvendo uma atividade muito limitada (13).
A campanha pela entrada do Brasil na II Guerra Mundial e pela luta contra o nazi-facismo ajudam n�o s� o partido a ir se articulando, como a se aproximar da intelectualidade progressista. Esta a��o interna e principalmente o prest�gio de Prestes - preso desde a repress�o ao levante de 1935 -; a vit�ria contra o nazi-facismo e a fascina��o despertada pela URSS, inclusive por seu papel durante a guerra, aparecem como elementos determinantes - dentre outros - da verdadeira invas�o dos intelectuais acontecida em 1945. Filiam-se ou aproximam-se do partido, al�m dos j� assinalados, intelectuais como: C�ndido Portinari, Carlos Drummond de Andrade, Monteiro Lobato, Dyon�lio Machado, Dalc�dio Jurandir, [fim da p�gina 86] Alina Paim, Nelson Pereira dos Santos, Quirino Campofiorito, An�bal Machado, Villanova Artigas, Oscar Niemeyer, Dorival Caymmi, Arnaldo Estrela, Ruy Santos, Walter da Silveira, etc.
Apesar de alguns conflitos entre o partido e certos intelectuais que v�o gerar afastamentos - como foi o caso de Carlos Drummond de Andrade, que nunca se filiou ao PC - o per�odo entre 1945-1947 � quantitativamente o mais rico da coexist�ncia com os intelectuais. Nestes anos, o partido estrutura um conjunto relativamente articulado e bastante numeroso de entidades culturais e meios de produ��o simb�licos, al�m de influenciar outros existentes. Deste conjunto - que certamente � um fator adicional de penetra��o e aproxima��o com o meio intelectual - fazem parte: oito jornais di�rios e in�meros seman�rios nas principais capitais e cidades brasileiras; uma ag�ncia de not�cias, a InterPress; in�meras revistas, inclusive uma voltada ao campo cultural, a revista Literatura, dirigida por Astrogildo Pereira; duas editoras; um servi�o de cine-jornal, depois tentado transformar em produtora cinematogr�fica, a Liberdade Filmes, e v�rios outros meios e entidades. Junte-se a tudo isto uma atua��o cultural flex�vel, talvez n�o decidida intencionalmente, mas fruto da n�o reflex�o do partido sobre a tem�tica cultural, o que n�o deixa de ser problem�tico nestas circunst�ncias.
O desdobramento dessa atividade do partido entre os intelectuais � brecado pela imposi��o autorit�ria da ilegalidade do Partido Comunista (1947) e da cassa��o dos mandatos de seus parlamentares (1948). Este retrocesso democr�tico acontece num contexto internacional de intensifica��o da Guerra Fria e da polariza��o do mundo em dois blocos: um subordinado aos Estados Unidos e outro � Uni�o Sovi�tica. A resposta do partido, no campo pol�tico-cultural, � o acirramento da chamada luta ideol�gica. O PC procura organizar, controlar e instrumentalizar associa��es de intelectuais, como � o caso da Associa��o Brasileira de Escritores -ABDE; desenvolve lutas, nas quais os intelectuais devem ser integrados, como o movimento nacional e internacional dos partid�rios da paz; privilegia a cria��o e desenvolvimento de aparelhos ideol�gicos, em especial a partir de 1950, sejam eles escolas de partido, com os cursos Lenin ou Stalin, ou revistas "te�rico-culturais". At� os anos de 1955/56, o partido vive sua fase de maior defini��o de uma pol�tica cultural. Seus objetivos s�o a staliniza��o do partido; a imposi��o/absor��o do realismo socialista nas artes - via sua vers�o mais sect�ria, o zdhanovismo - e do "marxismo-leninismo" - de acordo com a interpreta��o dos manuais stalinistas - nas ci�ncias da sociedade. Tamb�m a "ci�ncia prolet�ria" de Lyssenko e companhia passa a ser difundida.
Esta pol�tica implica igualmente no acirramento intencional da polariza��o existente no meio intelectual. De um lado, est�o os intelectuais filiados - ainda em n�mero significativo - e pr�ximos que s�o trabalhados de modo sistem�tico pelo partido, atrav�s de todo um espa�o cultural alternativo constru�do e controlado pelo PC. S�o revistas "te�rico-culturais"; suplementos culturais de jornais; produ��o liter�ria em jornais, revistas e livros; clubes de gravura; ilustra��es de publica��es; edi��o de livros; concursos, cursos, associa��o de intelectuais nacionais e internacionais; campanhas reivindicat�rias; encontros e movimentos nacionais e internacionais envolvendo intelectuais, etc. De outro lado, os intelectuais conservadores e aqueles - mesmos progressistas - que foram levados a uma posi��o conservadora ou simplesmente de n�o concord�ncia e [fim da p�gina 87] aceita��o acr�tica das orienta��es pol�tico-ideol�gica-culturais do comunismo stalinista. A revista Paratodos, �rg�o "te�rico-liter�rio" do partido, editada no Rio, � o exemplo maior desta pol�tica de acirramento da polariza��o ideol�gica no seio da intelectualidade. Em quase todos os n�meros da publica��o, ao lado de cr�ticas agressivas a determinados intelectuais, encontram-se exalta��o de outros, textos de orienta��o est�tico-ideol�gica, divulga��o de atividades culturais e difus�o de produtos simb�licos da nova cultura pretendida. Institui-se um verdadeiro gueto cultural, an�logo ao gueto pol�tico que se tornou o PC na �poca. Um gueto altamente centralizado, controlado, disciplinado e ferozmente militante.
A morte de St�lin (1952), o lento abrandamento acontecido em seguida, a manuten��o da pol�tica do partido com pequenas modifica��es e principalmente o XX Congresso do Partido Comunista da URSS (1956), onde Kruschev denun-ciou os crimes do per�odo stalinista, v�o levar o partido a uma crise profunda nos anos 56/58. A repercuss�o desta crise entre a intelectualidade e, em particular, entre os intelectuais membros da organiza��o � avassaladora. Certamente foi este o setor partid�rio que mais se sensibilizou com a crise. Como aconteceu em outros pa�ses, in�meros intelectuais abandonaram ruidosamente o partido, tornando-se at�, em alguns casos, raivosos anticomunistas. Outros simplesmente renunciam � milit�ncia. A crise, al�m do afastamento de grande n�mero de intelectuais e da desarticula��o final da rede ideol�gica/cultural mantida pelo PC, tem duas importantes conseq��ncias. Nela est� o embri�o do fracionamento mais contundente do movimento comunista no Brasil e da quebra do monop�lio do PC sobre o marxismo no pa�s.
Com a declara��o de 1958 e as posteriores resolu��es do V Congresso (1960), o partido redefine sua pol�tica, com base numa cr�tica limitada �s orienta��es anteriores. A partir de ent�o o PC busca articular uma frente nacionalista que vai desembocar nos movimentos de massa pelas Reformas de Base, acontecidos at� o Golpe Militar de 1964. A redefini��o pol�tica e a participa��o no movimento nacionalista pelas Reformas de Base, bem como a Revolu��o Cubana, s�o fatores explicativos de um novo afluxo de jovens intelectuais ao partido. Eles est�o envolvidos no ide�rio e pela pr�tica desenvolvida pelo Partido Comunista e buscam elaborar uma cultura "nacional-popular" que ajude a luta pelas reformas, pensadas como parte integrante da revolu��o brasileira. O Centro Popular de Cultura da Uni�o Nacional dos Estudantes, hegemonizado pelos jovens comunistas, destaca-se nesse sentido.
A nova pol�tica, por outro lado, provoca conflitos no interior do partido, ocasionando o racha acontecido em 1962. A pol�tica reformista � assumida pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a manuten��o matizada da orienta��o stalinista � assumida pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), sendo que este �ltimo tem pouca repercuss�o no seio da intelectualidade.
Apesar do Golpe de 1964 e da repress�o por ele empreendida contra o movimento progressista e os partidos comunistas, a aproxima��o e influ�ncia do PCB com rela��o ao segmento intelectual continua e talvez at� se amplie em parte do per�odo 64-68, marcado por uma efervesc�ncia cultural significativa. Roberto Schwarz escreve que esta "flora��o tardia" - porque fruto do per�odo relativamente democr�tico anterior - caracterizava-se, "apesar da ditadura da [fim da p�gina 88] direita", por uma "relativa hegemonia cultural da esquerda". Mas, conforme o autor:
"� preciso localizar esta hegemonia e qualific�-la. O seu dom�nio, salvo engano, concentra-se nos grupos diretamente ligados � produ��o ideol�gica (...), mas da� n�o sai, nem pode sair, por raz�es policiais. (...). � de esquerda somente a mat�ria que o grupo - numeroso a ponto de formar um bom mercado - produz para consumo pr�prio." (Schwarcz, 1978: 61-92)
A situa��o do PC no meio intelectual n�o ser� tranq�ila nestes anos. Devido aos impasses te�rico-pol�ticos colocados pela derrota de 1964 e pela consolida��o da ditadura, que provocam incont�veis cis�es no PCB com o desencadeamento da luta armada, e dada uma variada gama de acontecimentos internacionais - difus�o de outras e novas interpreta��es do marxismo; quebra da unidade do movimento comunista internacional; invas�o sovi�tica na Tchecoslov�quia; Revolu��o Cultural Chinesa; manifesta��es estudantis de 1968, etc. Enfim, levando em conta todos estes movimentos, estes anos marcam por certo o fim da hegemonia do PCB com rela��o � intelectualidade progressista e ao marxismo no Brasil.
Esta transforma��o no pensamento de esquerda pode ter como indicador as mudan�as acontecidas no ide�rio da Revista Civiliza��o Brasileira, publica��o pol�tica e cultural progressista de maior difus�o no pa�s entre 1965 e 1968. Carlos Guilherme Mota, com base numa an�lise da revista, sugere "uma viragem mental" no pensamento progressista brasileiro nos anos que v�o de 1964/65 a 1967/68. Deste modo, segundo este autor, a revista, "fruto de uma era populista, modificou paulatinamente sua orienta��o at� seu fechamento, em 1968, por volta do AI-5". E continua Carlos Guilherme:
"(...) neste sentido, podem ser indicados dois momentos b�sicos na hist�ria da revista: um definido pelos compromissos com as linhas de pensamento (progressista) vigente no per�odo anterior, cobrindo, grosso modo, os anos 1965 e 1966; o segundo, onde se percebe a emerg�ncia de novas linhas de diagn�sticos, encaminhando-se para revis�es radicais (inclusive criticando-se participantes do primeiro momento), perscrutando novas frentes de reflex�o e afinando um novo instrumental de an�lise. Cobre esse segundo momento os anos 1967 e 1968, at� o fechamento da revista." (Mota, 1977: 205-206)
Abalado pelas in�meras cis�es, o PCB vai paulatinamente perdendo sua influ�ncia no seio da intelectualidade de esquerda e na elabora��o marxista brasileira. O "recrudescimento" da ditadura em 1968, com o crescimento da repress�o pol�tica e cultural - censura; persegui��o a intelectuais, estudantes, professores, etc.; ex�lio; tortura e assassinatos -, complicam ainda mais a rela��o PCB e intelectuais. Tal relacionamento s� � retomado, de forma limitada, no interior da grande frente democr�tica que se forja contra a ditadura e suas seq�elas culturais.
Superada a ditadura - pela velha e recorrente via da concilia��o autorit�ria entre as elites - o quadro hoje � de n�tido distanciamento entre partidos comunistas e intelectualidade, sendo a influ�ncia destes claramente marginal e [fim da p�gina 89] no caso espec�fico do PCB, de fortes resqu�cios do passado. Ali�s, parece mesmo que a tend�ncia recente dos intelectuais progressistas tem sido se afastar dos partidos - talvez com a t�nue exce��o do Partido dos Trabalhadores - e at� da pol�tica. E o que �, sem d�vida, mais preocupante: a influ�ncia da esquerda tem gradativamente decrescido no meio intelectual.
ADLER, Max. (1978). El socialismo y los intelectuales. In: ADLER, Max. El Socialismo y los intelectudos. M�xico: Siglo XXI.
CHAHAM, Michael. (1977). The capitalist labour process. Capital & Class (1): 7.
FALC�O, Jo�o. (1988). O Partido que eu conheci. Rio de Janeiro: Civiliza��o Brasileira.
GOLDMANN, Lucien. (1972). Pensamento dial�tico e sujeito transindividual. In: A cria��o cultural na sociedade moderna. Lisboa: Presen�a.
____________________. (1973). O sujeito da cria��o cultural. In: Cr�tica e dogmatismo na cultura moderna. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
HOBSBAWM, Eric. (1982 a). A cultura europ�ia e o marxismo entre o s�culo XIX e o s�culo XX. In: HOBSBAWM, Eric (org.) Hist�ria do marxismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
________________. (1982 b). Intelectuais e Comunismo. In: Revolucion�rios. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
KAUSTKY, Karl. (1978). La intelig�ncia y social democracia. In: ADLER, Max. El Socialismo y los intelectudos. M�xico: Siglo XXI.
LENIN, Vladimir Ilitch Ulianov. (1973). Que fazer? Lisboa: Estampa.
LOWY, Michael. (1972). La teoria de la revoluci�n en el jovem Marx. M�xico: Siglo XXI.
______________. (1979). Para uma sociologia dos intelectuais revolucion�rios. S�o Paulo: Ci�ncias Humanas.
LUKACS, Gyorgy. (1978). El problema de la organizacion de los intelectuales. In: Revoluci�n Socialista y Anti-Parlamentarismo. M�xico: Siglo XXI (Cuardernos de Passado y Presente, no 41).
MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. (1975). O partido de classe II. Porto: Escorpi�o.
__________________________. (1977). Manifesto do Partido Comunista. In: Cartas filos�ficas e outros escritos. S�o Paulo: Grijalbo.
__________________________. (1978). Cr�tica da educa��o e do ensino. Lisboa: Moraes Editora.
MOTA, Carlos Guilherme. (1977). Ideologia da cultura Brasileira (1933-1974). S�o Paulo: �tica.
PAGGI, Leonardo. (1980). Intelectuales, teoria y partido en el marxismo de la segunda Internacional: aspectos e problemas. In: ADLER, Max. El Socialismo y los intelectudos. M�xico: Siglo XXI.
PEREIRA, Astrogildo. (1979). A forma��o do PCB. In: Ensaios hist�ricos e pol�ticos. S�o Paulo: Alfa-Omega.
RUBIM, Ant�nio Albino Canelas. (1983). Marx e a comunica��o: a subsun��o da produ��o de bens simb�licos ao capital. Comunica��o & Pol�tica 1 (2): 43-50.
_________________________. (1986). Partido Comunista, Cultura e Pol�tica Cultural. S�o Paulo: USP (Tese de Doutorado).
_________________________. (1995). Marxistas, Cultura e Intelectuais no Brasil. Salvador: Edufba.
SCHWARCZ, Roberto. (1978). Cultura e pol�tica - 1964/1969: alguns esquemas. In: O Pai de Fam�lia e Outros Estudos. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
[fim da p�gina 90]
RESUMO
O PARTIDO COMUNISTA E OS INTELECTUAIS
Este artigo tenta analisar a rela��o existente, no Brasil, entre a intelectualidade e o Partido Comunista, buscando preencher a lacuna deixada pelos estudiosos da esquerda e/ou da cultura no pa�s. No entanto, pretendemos ir al�m disso, realizando uma reflex�o sobre o tema, de tal modo que se compreenda o papel que esta rela��o desempenhou na forma��o da cultura/ pensamento e da intelectualidade brasileiras.
PALAVRAS-CHAVE: Partido Comunista; intelectualidade; Brasil.
ABSTRACT
THE COMMUNIST PARTY AND THE INTELLECTUALS
This article tries to analyse the existing relation, in Brazil, between the intellectuality and the Communist Party, searching to fill the gap left for the scholars of the left and/or the culture in the country. However, we intend to go moreover, carrying through a reflection on this field, in such mode that if it understands the role that this relation played in the formation of the Brazilian culture / thought and intellectuality.
KEYWORDS: Communist Party; intellectuality; Brazil.