Para explicar o sentido da vida, é preciso entender primeiro a pergunta. A questão é difícil: por que estamos aqui? Nascemos, crescemos e morremos. Neste espaço de
tempo podemos fazer muitas coisas: aprender, ter prazer, ajudar, amar... Assim, uma destas coisas
deve dar sentido à vida.
Ter prazer é uma das coisas que se pode ter na vida. Porém, ter prazer só faria sentido na vida
se ele se perpetuasse e bem sabemos que nossos melhores dias, por melhor e mais duradouros que
sejam, acabam. Ainda passaremos por dificuldades mesmo com dinheiro ou sem ele pois a vida é
uma sucessão de altos e baixos. Se você acha que ter prazer é a resposta, ainda vai bater de frente
com o fato que ainda morreremos. A velha filosofia do Comamos e Bebamos Pois Amanhã
Morreremos só faz deixar a pergunta ainda mais indecifrável.
Amar também é um aspecto da vida. Pode-se amar idéias, pessoas ou coisas. Porém, o homem
tem necessidade de um amor bilateral, ou seja, ele quer ter amor também. Idéias e coisas podem
vir a durar mais tempo que a vida de uma pessoa, mas não retribuirão amor. Por outro lado, amar
uma pessoa de maneira mútua resolve esta necessidade, mas como ninguém é perfeito, nem o
amor de uma pessoa é. Realmente resolverá um pouco, mas não completamente. O amor poderia
dar sentido à vida se houvesse uma retribuição perfeita, mas como não há uma pessoa perfeita,
também não é a resposta perfeita.
Se você ajudar alguém, de maneira habitual, dando prazer ou até salvando a vida, terá
conseguido facilitar a vida de outra pessoa, entretanto, o que acontece depois? A pessoa ainda vai
morrer. No final, o que restou? Talvez essa pessoa convença outras pessoas a também serem
prestativas, mas todas elas ainda terão seu fim. Ainda não há um sentido na vida.
Talvez você ainda queira aprender. Seu conhecimento poderia ser transmitido a novas
gerações. Isso colabora para a evolução do ser humano. Mas isso funciona como ajudar, o que já
foi trabalhado acima. O ser humano ainda pode descobrir a imortalidade através de algum meio
criativo, como a clonagem, mas seria ignorar a natureza humana, pois ela ainda é mortal. Além do
mais, ainda há o aspecto dos altos e baixos da vida. Por que então há o sofrimento?
Haveria uma resposta se o homem pudesse quebrar esse ciclo de nascimento-morte de maneira
natural, maneira esta que sempre estivesse à disposição do homem, pois só assim seria uma
resposta válida.
Uma vez resolvida a questão da morte, há ainda a dualidade prazer-sofrimento que invade a
vida (afinal, continuar vivendo não dá sentido à vida). Mas, e se fosse possível eliminar o aspecto
de sofrimento? Parece que há um sentido na vida se a resposta for "Estamos aqui para buscar
amor e uma existência livre de sofrimento e morte". A natureza do homem seria essa mesma. Mas
só podemos dizer que há uma resposta se ela existe mesmo.
Mas ela existe.
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A Última Atualização foi feita segunda-feira, 28 de agosto de 2000
por Marcelo Sant'Ana