Click aqui para voltar à página anterior Entrevista com Hercules Lamy Jr.
 "Largaram um trabalho sério aqui no C.A. para ir para Bahia dançar Axé Music"

Entrevista com o polêmico ex-presidente do C.A.C.A.U.-U.F.J.F. Hercules Lamy Jr. (25), atual diretor do patrimônio do DCE, membro do CONSU, guitarrista da banda Merfolk, aluno do sexto período de Arquitetura, humano, "doutrinador", futuro pai de família, trabalha em um escritório de projeto e na I.E.S. Multimídia.

HP: Quem é o Hércules?

 HERCULES: Pô estas perguntas estão parecendo do programa do Gugu Liberato e da Angélica ?!

HP: Qual a avaliação que você faz de sua experiência no CACAU/UFJF?

 HERCULES: Eu acho o seguinte, é..., foi bom participar do C.A., mas no final de tudo fiquei um pouco decepcionado com as pessoas. Pensei que elas trabalhassem por um ideal, mas no fundo não tinham fundamento nenhum. Por isso que eu gosto das pessoas da década de 30, elas têm filosofia, nunca largariam ninguém na mão por causa de Axé Music ou Samba Reggae.

HP: Mas como assim, Axé Music e Samba Reggae ?

 HERCULES: Ah, isto é muito simples, largaram um trabalho sério aqui no C.A. para ir para Bahia dançar Axé Music naquela conferência da FENEA e ver se conseguiam fazer uma orgia com um grupo de capoeira.

HP: E o que você acha da FENEA ?

Hercules Lamy Jr

HERCULES: A FENEA não é nada, é um bando de babaca querendo poder, é isso aí (risos).

HP: Qual a sua opinião sobre o curso hoje ?

 HERCULES: Acho que o curso só depende das pessoas e hoje em dia, é..., tem mais pessoas más do que boas, mas acima de tudo eu levo fé nas pessoas e acredito que elas podem ser boas ainda...

HP: E a Arquitetura de Juiz de Fora ? Como vai ?

 HERCULES: Hoje em dia você só encontra um monte de enlatado igual a ENCOL. Mas existe arquitetura boa em Juiz de Fora, que é a do passado. Espero que quando começarem a formar estudantes de arquitetura daqui isto mude.

HP: E sua participação no DCE?

 HERCULES: Eu participo do DCE, desde quando eu entrei para o CACAU (1993), aprendi muita coisa lá. Foi muito importante no período em que fizemos a greve dos alunos do curso (1994). Toda organização de política acadêmica (DAs, CAs, DCEs) passa por dificuldades, pois as pessoas não acreditam que exista alguém que realmente queira fazer coisas sérias, porque a maioria é só politicagem, como a UNE, e a FENEA e muitos "ES" por aí. E é este estigma que acaba tirando a credibilidade de algumas coisas que seriam realmente importantes.

HP: E como é esta história de se tornar "papai" ?

 HERCULES: Cara, tô curtindo muito, é um barato, um novo mundo. Essa semana mesmo fui junto com minha esposa fazer ultra-som, foi muito legal, deu para "ver" o coração do neném "piscando" na tela. Foi muito gostoso isso.

HP: E o Merfolk, quais são suas intenções ?

 HERCULES: Minha intenção é me divertir e tocar as musicas que eu gosto.

HP: Juiz de Fora é carente de espaços não-oficiais para cultura, como ampliar o Underground ?

 HERCULES: Eu acho que o problema são os donos, é só esperar quando a nova geração surgir e os espaços vão aparecer por si mesmos. A nossa geração é muito vazia, mais eu confio muito na geração dos anos 90.

HP: Para finalizar como começamos, pedimos uma mensagem a la Gugu.

 HERCULES: Bom, já que tá finalizando, eu queria dizer para as pessoas não generalizarem o que eu disse, vide Jabor. O que eu tenho a dizer para as pessoas é que elas entendam que não devem seguir ninguém, nem nada, e que a vida é o que fazem dela.

Juiz de Fora, 06 de junho de 1996.


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