Prato cheio para o cronista

Você chega aqui na página, dobra a revista, acomoda a bundinha no sofá e começa a ler. Como se essas letrinhas tivessem saído do nada. É mais ou menos assim. O cronista tem que ficar ligado, antenado, o dia inteiro. Tudo dá crônica, já percebeu a minha afilhada Maria Shirts, filha do Matthew e da Silvia Campolim, debaixo dos seus sete anos.

98, por exemplo, começou que é uma crônica só. Eu bato olho nos jornais e mal sei por onde começar. O caso pênisgate, por exemplo, dá milhares de crônicas para o ano todo. Uma só sobre o duvidosíssimo gosto do Clinton. O Kennedy, pelo menos, fazia seu basquetinho com a Marylin Monroe. É mole? E a polaca Lewisnki, dentuça e muda? E a mãe dela, então? Melhor que mãe de miss. Três crônicas só para a velha: chupo, mas não trago. E a amiga feia dela que se chama Linda? De morrer. E querem dar o prêmio Nobel do Pênis para a Paz do ano, perdão, da Paz para o pênis do ano. Ele parece ser de Hollywood, mas é de Arkansas, que está para os Estados Unidos como o Piauí está para o Brasil. A Paula Jones garante que a cabeça dele é chata. Não consigo tirar o membro do Clinton da minha cabeça. Há dias! Meu psicanalista não está preocupado. Ele também só pensa nele. E você? Há quantos dias não pensa nele – pelo menos – uma vezinha por dia?

E papa cajado, gente? Conversou com o Fidel sobre aborto. E o Fidel que chorou na despedida? Comunista chorando, gente! É a TPM (tensão pré-milenar, como diria o Mateus). Não se sabe se chorando de raiva ou de alívio com a partida do homem.

E a rainha-mãe? Velhinha porreta. Noventa e sete anos, parece ser a única lúcida por lá. Levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima.

E o Fernando Henriques que colocou o Uruguai na Copa?

Outro tema bom: o que seria do Gerald Thomas, do Zé Celso e dos irmãos Haroldo (como diz meu filho) se não fosse a Folha? Não daria uma concreta crônica?

Quer assunto melhor que a disponibilidade dos bens dos políticos? Um dia os bens estão indisponíveis, no outro, disponíveis. Coitados dos políticos. Já pensou na dona Sylvia, o maior bem do Maluf? Liga uma amiga convidando para um chá.

– Não posso, querida, hoje estou indisponível. Quem sabe a semana que vem, bem.

Quer penta melhor para crônicas do que o Zagalllllo? Vai ser penta na França. Já perdeu a Copa de 74, a Copa América de 96, uma Olimpíada, aquele torneio de 97 na Europa... Perdendo na França, será com toda a justiça o primeiro e único penta brasileiro.

E o Ronaldinho, que depois que a loiraça deixou ele (literalmente) na mão não faz mais gol? Só com a mão e nu. E o Guga, o nosso novo Barrichello? Gugagá. O garoto tem desculpa para todas as derrotas, já viu? Nunca joga mal. A quadra que está muito rápida (eu não sabia que elas se moviam), ou é o cansaço, a viagem, saudades da mãe... Sei não. O homem está despencando mais que as Bolsas.

E o laquê da Nicéa, cara? Minha querida amiga Hebe foi, definitivamente, desbancada. Tem laquê até na sobrancelha. Pode ter certeza que ainda vamos descobrir um laquê-gate, um escândalo de arrepiar cabelos de frangos.

Boa crônica dá também o Henne Maru do Pitta. Também vou escrever uma crônica no dia que ele sorrir.

E o Lula que está fazendo o maior esforço do mundo para ter como vice a reejeição nacional, o Brisa, o homem que esqueceu de morrer na hora certa? Aliás, tem muita gente por aí que perdeu a chance de morrer no auge. O genial Glauber Rocha sacou a hora e se mandou. Já imaginou se ele estivesse vivo as besteiras que estaria falando e fazendo? Já pensou o Glauber no Roda Viva entrevistando a Bárbara Heliodora? Ou mesmo no boteco da esquina?

Mulher de coronel atropela vigilante. Dá crônica.

E a Marta, que vai ser governadora de São Paulo com toda a disponibilidade do mundo? É com essa que eu vou. Chega de cara feia!

Mario Prata

volta

 

Hosted by www.Geocities.ws

1