Clinton mata a cobra e não mostra o pau

Clinton – Well, em primeiro lugar, senhora juíza, gostaria de declarar à corte que o FBI me informou que a senhora Paula Jones mudou de nome na adolescência. Na verdade ela se chamava Paula Bones, e bones é osso. Os amigos da high school a chamavam de Paula Boner, e boner significa casquinha de sorvete, coisa que ela gostava muito de...

Promotor – Protesto, meritíssima!

Juíza – Senhor presidente, limite-se, por favor, a responder às perguntas.

Promotor – Senhor presidente, o senhor confirma que esteve hospedado no Cock Hotel, Little Rock, em Arkansas em 1961, no dia...

Clinton – Steve!

Promotor – Protesto! Steve é o nome do marido de Paula Jones!

Juíza – Senhor presidente, contenha-se. Não seja hylário! Controle seus hormônios!

Promotor – O senhor se lembra deste dia? Do quarto? Da noite?

Clinton – Estava no sexto andar. Apartamento sessenta e nove. Não me lembro bem. Sei que tinha um seis ou nove.

Promotor – O senhor, então governador do Estado, teria chamado a funcionária pública, senhora Paula Jones, ao seu apartamento, abaixado as calças e sugerido um sexo oral?

Clinton – Jamais proporia isso a uma mulher que tem as unhas que ela tem. Enormes, vermelhas e quadradas nas extremidades. Sem falar nos joanetes.

Promotor – Qual o problema com as unhas grandes, senhor presidente?

Clinton – É que eu gosto de...

Advogado de Defesa – Senhora juíza, data venia, isso não vem ao mérito da questão! Protesto veementemente! São particularidades idiossincráticas do senhor presidente que, absolutamente, gostaria que fossem respeitadas.

Promotor – O senhor confirma ou não que arriou as calças?

Clinton – Para quem? Para Netanyahu? Hussein?

Juíza – Atenha-se aos fatos. Estamos discutindo o caso Paula Jones. O senhor confirma que arriou as calças e sugeriu um sexo oral?

Clinton – Para poder confirmar, teria que ter afirmado antes. Portanto... Nunca vi essa senhora na minha vida.

Promotor – A senhora Paula Jones afirma ter visto o sexo do senhor e que poderia reconhecê-lo, pois existe nele uma particularidade, um, digamos, sinal.

Clinton – Como assim?

Promotor – Uma cicatriz, uma marca, uma tatuagem. Algo roxo, por exemplo.

Clinton – Por favor, não me confunda com o presidente da Bolívia! Tatuagem?

Promotor – Por exemplo: uma foice e um martelo, um I love Hillary, Abajo Fidel… Ou mesmo um defeito anatômico. Ser mais para a direita. Ou para a esquerda.

Clinton – Meritíssima, eu não estou aqui para discutir minhas tendências políticas.

Advogado de Defesa – Senhores membros do júri, posso garantir que o membro do senhor presidente é absolutamente normal. Um membro americano como tantos outros aqui nesta sala.

Juíza – Senhora Paula Jones, por favor, aproxime-se. Coloque este par de luvas.

Paula – Pois não, meritíssima.

Promotor – A senhora poderia dizer qual é a particularidade do membro do senhor presidente?

Todos – Ooohhhhhh!!!

Advogado de Defesa – Protesto. Um presidente da República não pode…

Juíza – Acato a decisão da promotoria. Senhora Paula Jones, por favor, aqui no meu ouvido.

Paula – Pois não.

Juíza – Oooooohhhh!!!

Promotor – Oooooohhhh!!!

Juíza – Obrigada, senhora Paula Jones. Senhor presidente, por favor, mostre o seu membro aos membros.

Advogado de Defesa – Protesto! Nunca um presidente da República dos Estados Unidos da América mostrou o seu, em público. Nem mesmo John Kennedy!

Juíza – Protesto ignorado. Senhor presidente, por favor, faça a gentileza. Senhora Paula Jones, por favor, aproxime-se e confirme se foi este mesmo membro o que a senhora viu, hirto, sete anos atrás. Por favor, coloque as luvas, novamente. Se for necessário, para bem da verdade, pode pegar.

Paula – Senhora juíza, o reconhecimento está difícil, uma vez que no primeiro contato que tive com ele, ele não estava assim, em repouso completo. Entende?

Clinton – Hillary!…

Juíza – Senhor presidente, vá até a sala ao lado e depois, por favor, apresente seu membro em melhores, digamos, condições. Para bem da América e do mundo!

Clinton – Assim, a seco? Tem uma Playboy aí?

(Depois do tumulto, o julgamento foi adiado para o final de maio, num dia em que o presidente deverá depor novamente, em melhores condições, com altivez, diante dos cabisbaixos membros do júri.)

Mario Prata

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