Rir é o melhor remédio
Eis-me de volta ao spa. Na primeira vez que estive aqui, escrevi um livro, tal era a fauna e a flora. Agora, escondo-me aqui para terminar um outro livro. Desta vez, nada de diário de um magro.
Mas devo te dizer que, com as novas histórias que tenho vivido aqui, poderia escrever outro diário igualmente hilário. Como na última semana eu estava muito "acabei chorare", vamos rir hoje com três casos.
O caso pênis
O Vavá, mineiro debochadíssimo de Belo Horizonte, tem cadeira (imensa) cativa aqui. E, cada vez que chega, as mocinhas vão até o apartamento dele e revistam tudo, antes de ele abrir as malas. Tudo. Sim, aqui revistam tudo. Você, seu carro, suas malas. Não entram bebidas, doces, bolachas, nada. E nunca encontraram nada com o Vavá, em mais de um ano.
Ele foi ficando de saco cheio com aquilo e, numa das vindas, resolveu se vingar. Passou numa dessas lojas de materiais sexuais e comprou uns dez pênis (com o perdão do jargão médico) de todos os tipos, tamanhos e cores e esparramou por cima da mala arrumada.
Na hora que a meiga recepcionista foi abrir a mala ele pegou uma máquina fotográfica.
Pode abrir.
A moça ao ver aquilos quase desmaia. Mas estava em sua função. Vavá fotografando. Ela, com dois trêmulos dedinhos, pegava um por um e ia colocando em cima da cama. Nojo. Fotos.
Revistou o resto das malas, ia saindo, envergonhadíssima, voltou, disse:
E se dentro "deles" tiver alguma coisa?
Que tipo de coisa, menina?
Sei lá. Uísque, leite condensado, essas coisas...
Essas coisas... Neste caso, você vai ter que apalpar e espremer um por um.
Com licença.
À vontade.
Vavá ficou fotografando a coitadinha pegando nas coisas, apalpando, apertando.
As fotos, depois, foram disputadas a tapa.
Nunca mais revistaram o Vavá.
O caso angustura
Na portaria:
O que é isso?
Angustura. É um tempero, não tem nem álcool nem caloria.
A moça abre e cheira.
Isso tem álcool!
Não tem!
Vou ter que confiscar...
E lá vai o meu tempero para o ambulatório. Era de noite, ligo para a casa do médico-chefe:
Doutor, confiscaram a minha angustura.
O que é isso?
Para pôr uma gotinha na tônica diet. Dá impressão que é uma bebida. Levaram para o ambulatório.
Silêncio do outro lado:
Bem, não temos jurisprudência num caso como este. Deixa lá, que amanhã cedo a gente resolve.
Mas...
Na manhã seguinte sou chamado na sala da nutricionista. Tava lá o meu vidro, envolto em plásticos, e, fora, escrito num esparadrapo: angustura do Mario Prata. Ela abre, cheira, coloca o dedo, coloca na boca.
Nós vamos colher um pouco do material, se você me permite, e mandarmos para a Unicamp.
Doutor Palhares?
Quero conhecer a composição disso. Enquanto isso, o material fica apreendido.
Mas...
Três dias depois o doutor Castanho me chama:
Tá pensando que a gente é trouxa? Quarenta graus de álcool!!!
Juro que eu não sabia.
O caso mexerica
O Neto era muito gordo e não se contentava com as 300 calorias diárias. Sofria, chorava. A psicóloga passeava com ele pelas alamedas tentando abaixar a febre e a fome do coitado. Foi num desses passeios que ele viu um pé de mexericas no vizinho. Mas o muro era muito alto e ele muito gordo. Impossível.
Sonhava com as mexericas da vizinha. Um dia, chegou seu novo companheiro de quarto. Um fazendeiro relativamente magro para os padrões de um spa. Ele convence o sujeito para, na calada da noite, pular o muro.
Juro por Deus. Só três. Juro. Te dou três bois.
E assim foi feito. Neto guardou as três mexericas dentro do cofre do quarto.
No dia seguinte, pela manhã, aula de hidroginástica. Todo mundo dentro da piscina, chega o Neto todo feliz. Mas, coitado, exalava mexerica por todos os poros. Todas as gordinhas olharam para ele e, em uníssono, matracaram:
Você comeu mexerica!!!
Ele, lívido, foi conversar com uma gordinha veterana e profissional de spa. Ela:
Neto, quando você for comer uma mexerica num spa, você tem que entrar debaixo do chuveiro, descascar ela lá debaixo da ducha, jogar as sementinhas pelo ralo e, se possível, comer também a casca para não deixar pistas. E se perfumar o máximo possível. Pra não dar bandeira.
No mesmo dia, na hora do almoço, todo mundo reunido, entra o Neto, bonito, lavado, escovado e perfumadíssimo. Todas elas, rindo:
O Neto comeu mexerica! O Neto comeu mexerica! O Neto comeu mexerica!
Mario Prata